01 agosto 2015

Almirante norte-americano: Rússia e China desenvolvem armas hipersônicas que ameaçam EUA

Rússia e China estão desenvolvendo equipamentos de alta velocidade para combate que representam uma nova ameaçam aos Estados Unidos, acredita o Comando Estratégico das Forças Armadas dos EUA, informou a publicação Washington Free Beacon.


Sputnik

O chefe da entidade militar norte-americana, almirante Cacil Haney, declarou que o desenvolvimento de armas hipersônicos está entre algumas das novas e perigosas tendências mundiais.

Míssil hipersônico
© Sputnik/ Ildus Gilyazutdinov

"Países nucleares e não-nucleares estão dispostos (…) a usar capacidades desproporcionais como opções para alcançar seus objetivos em tempos de crise e conflito, bem como novas tecnologias" – disse Haney.

De acordo com a publicação, a China realizou quatro testes de uma aeronave capaz de alcançar velocidades superiores a 11 mil km/h, e a Rússia também está desenvolvendo armamentos de alta velocidade.

Haney acredita que as capacidade de armamentos modernos que estão a disposição de adversários dos EUA estão aumentando e tornando-se cada vez mais velozes e protegidos.

Em coletiva de imprensa, o almirante norte-americano destacou que o Pentágono já está trabalhando no desenvolvimento de meios para combater armas hipersônicas.

Segundo um outro artigo publicado pelo Washington Free Beacon, a Rússia estaria realizando testes de uma nova aeronave hipersônica Yu-71 capaz de transportar ogivas nucleares. A publicação destaca que o projeto russo trata de em uma tentativa de superar a defesa antimísseis dos EUA, criada para destruir alvos balísticos que possuem trajetórias calculáveis.

Os aparelhos hipersônicos são pouco vulneráveis porque suas trajetórias não são calculáveis pelo inimigo e a velocidade pode atingir 11.200 km/h.

Alemanha gasta 20 milhões de euros a mais por exercícios na Ucrânia

Um porta-voz do Ministério da Defesa alemão afirmou que o país irá aumentar de 70 para 90 milhões de euros seus gastos militares em virtude dos exercícios militares da OTAN na Ucrânia.


Sputnik

Um total de 154 mil soldados da Bundeswehr participarão de exercícios militares internacionais este ano. O número é pouco menor do que em 2014 (160 mil), mas mais do que o dobro se comparado com 2013 (73 mil).


Soldados da OTAN em exercício chamado Saber Junction no sul da Alemanha
© AP Photo/ Matthias Schrader

Apenas na Polônia e nos países bálticos há 4.400 soldados alemães envolvidos em 16 exercícios diferentes. Mais de 35 mil soldados, de 35 países, incluindo três mil alemães, participarão do exercício "Trident Juncture", em Itália, Espanha e Portugal, de 28 de setembro a 16 de outubro.

O Partido de Esquerda alemão critica as manobras. De acordo com um de seus integrantes, Heike Hensel, o propósito das atividades é agravar relações com a Rússia e colocar sob ameaça a ordem pacífica que existe na Europa.


Forças independentistas denunciam 79 violações da trégua em Donetsk

Os militares ucranianos realizaram cerca de 80 bombardeios dentro do território da autoproclamada República Popular de Donetsk (RPD) no dia anterior, informou neste sábado (1) um porta-voz do Ministério da Defesa da RPD.


Sputnik

O porta-voz indicou que ao atacar as posições das forças independentistas, os militares ucranianos utilizaram armamento leve, tanques e lançadores de granadas.


Soldados ucranianos posicionados na vila de Zaytseve na região de Donetsk, 29 de julho de 2015.
Soldados ucranianos na vila de Zaytsev, em Donetsk © AFP 2015/ Anatolii Stepanov

"Os atentados por parte dos soldados ucranianos se intensificaram consideravelmente nas últimos 24 horas, foram detectadas 79 violações da trégua", disse, citado pela agência de notícias de Donetsk.

As autoridades da Ucrânia lançaram uma operação militar em abril de 2014 nas províncias de Donetsk e Lugansk com o objetivo de reprimir as ondas de indignação que se sucederam à violenta mudança do poder no país em fevereiro daquele ano.

Após vários meses de hostilidades, foi acordado em Donbass um cessar-fogo que atualmente está em vigor, e que foi negociado pelos representantes da Rússia, da Ucrânia e da OSCE, e adotado em 12 de fevereiro na cidade de Minsk.

Todavia, ambas as partes envolvidas no conflito relatam constantes violações da trégua.

De acordo com os dados da ONU, as hostilidades já geraram um saldo de mais de 6.800 mortos e quase 17.100 feridos.



Hollande nega acordo para rescindir contrato de navios Mistral

França e Rússia ainda não entraram em acordo nos termos da rescisão do contrato para a entrega dos navios da classe Mistral a Moscou, afirmou o presidente francês.


Sputnik

O presidente da França, François Hollande, negou os relatos de que Moscou e Paris haviam chegado a um acordo para a rescisão do contrato de entrega dos porta-helicópteros Mistral.


Vladivostok, navio do tipo Mistral
© Sputnik/ Grigoriy Sisoev

"Não chegamos a um acordo ainda", disse Hollande, citado pela RTL.

Na quinta-feira, o assistente do Presidente Vladimir Putin para cooperação técnico-militar, Vladimir Kozhin, afirmou que os países haviam chegado a um acordo.

Nesta sexta, veículos da imprensa russa chegaram a informar até o montante exato da compensação que seria paga pela França à Rússia: 1,16 bilhão de euros. O valor cobriria o adiantamento e os custos adicionais que Moscou teve durante o treinamento da tripulação, a criação de infraestrutura para embarcações na estação em Vladivostok e o desenvolvimento de quatro protótipos de pré-produção dos helicópteros Ka-52K.

Rússia e França assinaram um contrato no valor de 1,2 bilhão de euros para a entrega de dois navios de assalto anfíbios da classe Mistral. Entretanto, em novembro de 2014, a França suspendeu o contrato, alegando que Moscou estaria participando do conflito na Ucrânia.


Finlândia exige que EUA expliquem suas sanções

O ministro das Relações Exteriores da Finlândia, Timo Soini, espera que os EUA expliquem a sua decisão de incluir dois cidadãos finlandeses na sua lista de sanções em relação à Rúsisa, divulgada na tarde da quinta-feira (30).


Sputnik

Soini afirmou que “as causas da aplicação das sanções interessam tanto o Ministério das Relações Exteriores da Finlândia, como os próprios cidadãos que tornaram-se alvo destas sanções”.


Primeiro-ministro da Finlândia, Timo Soini. Foto de arquivo
Primeiro-Ministro da Finlândia Timo Soini © AFP 2015/ ANTTI AIMO-KOIVISTO / LEHTIKUVA

Os empresários Roman Rotenberg (que “tem dupla cidadania, a russa e a finlandesa”, segundo o documento) e Kai Paananen (de nacionalidade finlandesa) fazem parte da nova lista das sanções.

Entre as empresas ou sucursais situadas na Finlândia, constam na lista da Tesouraria dos EUA Airifx Aviation, Langvick Capital, SET Petrochemicals, SouthEast Trading. Além disso, há a MAKO Holding, de Donetsk (Ucrânia), e duas empresas cadastradas no Chipre, IPP Oil Products e SouthPort Management Service.

Todos os ativos dos integrantes da lista das sanções que possam estar na jurisdição dos EUA podem ficar congelados, sendo os cidadãos norte-americanos proibidos de estabeleceram contato comercial com eles.

O ministro Timo Soini assegurou que a Finlândia não tem objeções no que toca à legalidade das sanções do ponto de vista da legislação dos EUA. Porém, demanda explicações sobre a composição da lista, para saber quais seriam as consequências para a Finlândia.

A Finlândia, como membro da União Europeia, aderiu às sanções contra a Rússia. Recentemente, tal atitude provocou um escândalo, quando foi negado o acesso à delegação russa a uma reunião da OSCE. Depois, o representante da OSCE, o finlandês Ilkka Kanerva, disse ao presidente da Duma de Estado (câmara baixa do parlamento russo), Sergei Naryshkin, que iria mediar uma diminuição temporal das sanções contra a Rússia para reuniões da Assembleia Parlamentar da OSCE.

Na tarde da quinta-feira (30), o Ministério das Finanças dos Estados Unidos divulgou uma lista de sanções em relação a 11 pessoas físicas e 15 pessoas jurídicas. A justificativa para a medida é o conflito na Ucrânia, particularmente “a atividade na região da Crimeia da Ucrânia”.

A Crimeia cessou de ser uma parte da Ucrânia em 16 de março, quando a população desta península votou em um referendo a favor da independência. Depois, este território passou a integrar a Rússia, cumprindo assim a vontade do povo, também expressa nesse referendo.


Sanções anti-Rússia aprofundam divisões entre EUA e UE

Vários países europeus estão insatisfeitos com as sanções anti-Rússia. As medidas restritivas não trazem os resultados desejados e apenas vêm aprofundando o fosso que se abre entre Washington e Bruxelas.


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As sanções não têm gerado um forte impacto sobre a Rússia como era esperado, disse o colunista político Gregory Copley em entrevista à mídia russa.


Moscou
Moscou © Sputnik/ Vladimir Pesnya

"As sanções não estão ajudando ninguém, muito pelo contrário. Elas estão reforçando a crescente fissura entre os EUA e a UE ", disse Copley.

Segundo o jornalista, a Ucrânia poderia oferecer uma grande oportunidade para o reforço ou um realinhamento da OTAN. No entanto, na realidade a situação apresenta-se de modo completamente diferente e, na verdade, oposto. O fato de muitos países europeus estarem insatisfeitos com as sanções contra a Rússia produz constantemente um impacto negativo, minando a unidade da aliança.

A introdução de novas medidas restritivas está projetada para dar maior efetividade às sanções já impostas anteriormente contra empresas e cidadãos russos.

De acordo com Copley, o calendário para a nova "injeção de sanções" não é acidental. No atual momento, após as negociações internacionais acerca do programa nuclear iraniano terem chegado a termo através de um acordo, Washington pretenderia despistar o Irã e seus aliados.

"O Departamento de Estado conseguiu o que queria e o presidente Obama conseguiu o que ele queria obtendo um acordo com o Irã, o que é ótimo para ele internamente. Porém, agora ele está se voltando novamente para apoiar seus antigos aliados — Turquia, Arábia Saudita e outros — para, literalmente, tentar contornar quaisquer ganhos da Rússia nesta área ", disse Copley.



Países da Europa Oriental se opõem a retomada do Conselho OTAN-Rússia

A divisão no seio da OTAN está se aprofundando. A Alemanha tem discutido com outros Estados membros da Aliança e chamado para a retomada dos trabalhos do Conselho OTAN-Rússia, contudo, países do leste europeu se opõem fortemente a ideia.


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Os países do leste da Europa se mostraram contra a ideia da retomada dos trabalhos do Conselho OTAN-Rússia. A divisão dentro da Aliança é cada vez mais evidente, especialmente após peritos alemães começarem a clamar pela retirada dos mísseis Patriot alemães da Turquia, contrariamente a posição de outros membros da OTAN.


Quartel-general da OTAN em Bruxelas
© Foto: NATO official website

Em coletiva de imprensa, o representante permanente da Alemanha junto à OTAN, Martin Erdmannsaid, disse que o governo alemão tem insistido na retomada das negociações políticas entre a Aliança do Norte e Moscou.

De acordo com Erdmann, muitos membros da OTAN perceberam a falta de um diálogo produtivo com a Rússia como um problema. Todavia o representante não especificou quais países apoiam a posição alemã.

Devido à forte oposição de aliados do leste, a situação poderia permanecer como uma questão de disputa por um longo tempo, visto que a decisão correspondente precisa ser tomada por unanimidade.

O Conselho OTAN-Rússia foi criado em 2002 para engajar Moscou ativamente na cooperação com a Aliança, bem como para reforçar a confiança entre as partes. O Conselho se reuniu pela última vez no nível de diplomatas em junho de 2014.

Desde então, o diálogo entre as partes foi congelado devido às acusações feitas por membros da OTAN acerca da posição russa no conflito ucraniano.


30 julho 2015

Um mergulho Akula adentro

Gazeta Russa

Em junho, o submarino nuclear Dmítri Donskoi deixou a base principal da Frota do Norte, na cidade de Severodvinsk, para participar de exercícios com as Forças Antissubmarinas da Rússia, no mar Branco. A classe Akula (tubarão, em russo), do Projeto 941, é única no mundo. Os submarinos desse tipo têm 124 metros e altura equivalente a um prédio de nove andares. Não é à toa que todos os seis Akulas existentes figuram no “Guinness Book”, o livro dos recordes.




Dos três Akulas que ainda realizam atividades, o mais avançado é o TK-208 Dmítri Donskoi. Seu sistema de propulsão nuclear possibilitou a realização de testes da versão mais recente do míssil balístico Bulava, desenvolvido especialmente para a nova classe de submarinos estratégicos do Projeto 955 Borei.

O submarino é equipado com duas câmaras de resgate, localizadas perto da vela e na popa, capazes de resgatar toda a tripulação. O casco exterior, de 800 toneladas, é revestido de material isolante emborrachado antissonar, deixando o navio com aspecto de um “gigantesco brinquedinho de borracha”.

Ao subir a escada que dá acesso ao submarino, chega-se à sala principal de comando. Foi ali que ocorreu nosso ritual de iniciação, pelo qual todos os novatos devem passar. Quando submerso, o tripulante de primeira viagem deve beber uma tijela inteira de água do mar e depois beijar uma marreta balançando feito um pêndulo. Após a consagração, o novato recebe um certificado de submarinista e, dependendo do humor da tripulação, também um presente: peixe defumado e um selo comemorativo.

Os submarinos do Projeto 941 também são únicos em termos de acomodação – alojamentos pessoais, refeição de alta qualidade e espaços recreativos, que incluem sauna, piscina, academia e até um jardim de inverno. Devido a isso, o projeto foi apelidado de “Hilton flutuante”.



Apesar de os submarinistas frequentarem a sauna de vez em quando, eles geralmente estão na sala de controle. O serviço no mar é constante e quase não há horas vagas.

Algum tempo atrás, o Akula tinha espaço para abrigar um pequeno viveiro, com papagaios e canários. Mas os pássaros não aguentavam mergulhos prolongados, e atualmente há apenas um jardim de inverno.



Dentro do Dmítri Donskoi há duas copas: a primeira para pessoal mais novo e a segunda para oficiais (foto), que abriga uma exposição permanente dedicada à Batalha de Kulikovo. Ali também fica exposto o cetro usado no ritual de iniciação.



A copa dos tripulantes mais novos é bem mais modesta. Todos os móveis localizados na sala principal e em outras áreas são presos por correntes.

Não fomos autorizados a entrar na sala do comandante. Além de uma sala de reuniões, o espaço inclui os gabinetes do comandante e do Estado-Maior.

Também não foi possível acessar as demais áreas do Akula. Apesar da idade avançada, os detalhes desse gigante são mantidos em segredos, e o acesso é concedido apenas a militares. Pelos planos da Marinha russa, esse modelo de submarino ficará em serviço até 2022, mas poderá passar por uma nova modernização – o que estenderia sua vida útil.


Linha direta facilita denúncia de afiliados ao Estado Islâmico

A partir de 1º de agosto, país terá linha direta para facilitar o contato do governo com parentes e amigos de indivíduos que se juntaram ao Estado Islâmico. Iniciativas de esclarecimento e inserção social são mais eficazes que operações armadas, segundo especialistas.


IEKATERINA SINELSCHIKOVA | GAZETA RUSSA

No dia 1º de agosto, a Câmara Pública da Rússia lançará uma linha direta para pessoas cujos parentes e amigos compartilham da ideologia do Estado Islâmico, organização reconhecida no país como terrorista, ou que já tenham partido para lutar com o grupo.


Métodos linha-dura resultaram no aumento da brutalidade no Cáucaso Foto: Váleri Matitsin/TASS

Segundo os representantes da câmara, diante da atual situação, esse tipo de recurso se tornou uma necessidade. A linha direta vai oferecer apoio psicológico e conselhos de como evitar se tornar uma vítima de recrutadores.

“Decidimos criar essa linha depois da fuga da estudante Varvára Karaulova”, disse à Gazeta Russa a presidente da comissão da CP para o Desenvolvimento da Diplomacia Social e Apoio a Russos no Exterior, Elena Sutormina.

Karaulova, que havia sido recrutada por radicais islâmicos, foi detida em junho na fronteira entre a Turquia e a Síria.

Nos últimos meses, a imprensa e as autoridades russas ressaltaram a ameaça da presença do EI dentro das fronteiras do país. Alguns veículos denunciaram as tentativas de recrutamento de jovens muçulmanos e imigrantes no interior da Rússia, que estariam sendo convencidos a aderir ao grupo por um salário de 50 mil rublos ao mês (US$ 880).

Também surgiu na internet um vídeo que relata a fidelidade do mundo clandestino do Cáucaso do Norte ao Estado Islâmico.

Para o diretor do Instituto de Estudos Orientais da Academia de Ciências da Rússia, Vitáli Naumkin, “ainda é cedo para entrarmos em pânico por causa disso”.

“O juramento virtual não significa que todas as facções do Cáucaso do Norte sejam agora comandadas por um único centro”, disse Naumkin à Gazeta Russa. “E as agências de aplicação da lei já começaram a usar medidas eficazes para travar qualquer ação.”

Consciência em jogo

O principal método do Kremlin para lidar com os radicais no país ainda se baseia em operações de força. Mas, segundo os especialistas, só adotar uma postura linha-dura contra o EI é pouco eficaz.

“Dá a sensação de que esses radicais se evaporam, mas aí se passam três ou quatro anos e eles começam as atividades mais uma vez, porque o meio que os faz mover nunca foi eliminado”, afirma o professor de Estudos Regionais e Política Externa da Universidade Estatal Russa de Ciências Humanas, Serguêi Markedonov. “É preciso mais soft power.”

Diversos indivíduos em comunidades muçulmanas já se comunicam com as autoridades por meio de iniciativas de soft power, que exaltam a influência exercida pela diplomacia e pela cultura, entre outros meios.

“Não pegamos ninguém pelo braço e o prendemos. A nossa luta é pelo esclarecimento. O trabalho de identificação e detenção pertence às forças de segurança”, contou à Gazeta Russa o primeiro vice-presidente do Conselho de Muftis da Rússia, Ruchan Abbiassov.

“Sabendo que seus pontos de vista não são aceitos aqui, os recrutadores não dão as caras”, explicou Abbiassov. “As comunidades, por enquanto, estão focadas na leitura dos ensinamentos.”

Voltar é preciso

Em 2010, uma Comissão para a Adaptação de Combatentes foi criada no Daguestão. “Métodos semelhantes de soft power já vinham sendo usados para lidar com indivíduos que tinham lutado ao lado de radicais armados”, conta Varvara Pakhomenko, consultora da ONG International Crisis Group na Rússia.

“Muitos deles não chegaram a cometer crimes graves. Eles tiveram a chance de voltar à vida civil. Isso é muito importante: ter a possibilidade de voltar”, diz Pakhomenko. “As próprias pessoas se entregavam.”

No entanto, durante os preparativos para os Jogos Olímpicos de Sôtchi, no ano passado, o diálogo foi interrompido, e os métodos linha-dura resultaram no aumento da brutalidade.

“Não é por acaso que hoje o Daguestão e a Tchechênia são líderes no número de pessoas que partem para a ‘jihad’ na Síria”, diz a especialista.

A comissão retomou recentemente seus trabalhos, mas, por enquanto, apenas na República da Inguchétia. “Vemos que no poder estão pessoas que compreendem a necessidade dessas medidas”, conclui Pakhomenko.


Rússia veta criação de tribunal da ONU para caso do voo MH17

Votação do Conselho de Segurança da ONU aconteceu na quarta-feira (29). Principais afetados, Ucrânia e Malásia anunciaram que recorrerão a meios alternativos de ação penal. Embora veto possa prolongar sanções ocidentais contra Rússia, impacto maior será para a ONU, sugerem especialistas.


IEKATERINA SINELSCHIKOVA | GAZETA RUSSA

A Rússia fez uso do seu direito de veto para derrubar a proposta de criação de um tribunal internacional para julgar os suspeitos de derrubar um avião da Malaysia Airlines sobre território ucraniano em julho de 2014. A votação entre os membros do Conselho de Segurança da ONU aconteceu na quarta-feira (29) em Nova York.


Russian Ambassador to the United Nations Vitaly ChurkinSegundo Tchúrkin (à dir.), Rússia tem interesse em “investigação completa, independente e imparcial” Foto:Reuters

“Em princípio, essas questões não são assunto para ser tratado pelo Conselho de Segurança”, disse o representante permanente da Rússia na ONU, Vitáli Tchurkin, em discurso nas Nações Unidas. “A queda do Boeing malaio não pode ser qualificada como uma ameaça à paz e segurança internacional.”

O país foi o único entre os 15 membros do conselho a votar contra a criação do tribunal. Onze membros votaram a favor da medida. China, Venezuela e Angola se abstiveram do voto.

“A posição que estamos assumindo hoje não tem nada a ver com a promoção da impunidade”, acrescentou Tchurkin, ressaltando o interesse da Rússia em uma “investigação completa, independente e imparcial”.

Os países que apoiaram a medida classificaram o bloqueio à criação do tribunal como uma “séria derrota” para o Conselho de Segurança da ONU e uma afronta às famílias das vítimas.

A Ucrânia e a Malásia anunciaram que pensarão em meios alternativos de ação penal, como a criação de um tribunal fora do âmbito das Nações Unidas.

“Não existe nenhuma razão para se opor ao tribunal, a não ser que você tenha cometido o crime”, disse o ministro do Exterior da Ucrânia, Pável Klimkin.

O representante da China na ONU, Liu Jieyi, declarou que se absteve do voto por considerar que o tribunal é “prematuro” e cria uma divisão entre os membros do conselho.

“Isso não ajuda as famílias das vítimas, não ajuda a esclarecer os fatos nem ajuda a garantir que os responsáveis sejam levados à justiça”, disse Jieyi.

O projeto de resolução foi apresentado ao Conselho de Segurança da ONU pela Malásia e assinado também em nome de Austrália, Bélgica, Holanda e Ucrânia.

Amigos da Rússia

A Rússia havia sinalizado há alguns dias que vetaria a proposta por considerá-la incompatível às competências do Conselho de Segurança da ONU. O veto não foi uma surpresa para os membros, assim como a abstenção da China também era esperada.

“Ela [China] nunca vai votar contra a comunidade ocidental, mas conta sempre com o apoio da Rússia, caso seja necessário”, diz o analista político independente Mikhail Korostikov. “Mas isso requer apoio no sentido inverso.”

No caso da Venezuela e da Angola estão envolvidos interesses econômicos em projetos de petróleo e gás. “Isso é diplomacia com Igor Sêtchin [presidente da petroleira russa Rosneft]”, sugere Korostikov.

Exemplo de fracasso

Durante o discurso na ONU, o representante russo Vitáli Tchurkin lembrou que o Conselho de Segurança já havia aberto uma exceção ao dar início à criação de um tribunal para a questão da antiga Iugoslávia e de Ruanda.

“Mas essa experiência dificilmente pode ser considerada bem-sucedida por sua complexidade, susceptibilidade à pressão política, alto custo e morosidade do processo”, acrescentou.

Para o analista político independente Mikhail Korostikov, o caso de Ruanda e da antiga Iugoslávia prova que esse tipo tribunal não traz rapidez nem melhor qualidade à investigação, mas “uma cobertura midiática favorável aos países que criaram essas estruturas”.

Sanções sem fim

Segundo o diretor-geral do Conselho Russo para Assuntos Externos, Andrêi Kortunov, o veto da Rússia terá consequências práticas, como a necessidade de reforçar o regime das sanções ocidentais ou “pelo menos, nesse contexto, seria muito difícil falar na suspensão [das medidas]”.

“Também não se pode excluir a possibilidade de o veto russo reforçar a posição de dirigentes nos EUA e na Europa que apoiam o fornecimento de armas letais à Ucrânia”, acrescenta.

Nesta quinta-feira (30), sete países se uniram à extensão das sanções da UE contra a Crimeia e Sevastopol: Montenegro, Islândia, Albânia, Noruega, Ucrânia, Liechtenstein e Geórgia. Todos eles, exceto a Geórgia, também aderiram à decisão de estender as sanções econômicas da UE contra a Rússia.

ONU fragilizada

A principal consequência da última votação será, entretanto, o declínio da autoridade da ONU e o desgaste do seu papel como grande instituição de segurança internacional, segundo o diretor do Centro para Estudos Internacionais da Escola Superior de Economia, Timofei Bordatchov.

“Ao levarem o assunto até o veto, os membros ocidentais deram um golpe na ONU. Por tradição, eles tentam evitar situações desse tipo”, diz o especialista.

Kortunov, do Conselho Russo para Assuntos Externos, acredita que o Conselho de Segurança está paralisado em relação a uma série de questões delicadas. “Não conseguiram, por exemplo, chegar a acordo quanto à guerra na Síria e o papel do Conselho de Segurança na crise ucraniana”, afirma o especialista.


Kiev propõe tirar direito de veto da Rússia no CS da ONU

Kiev deveria promover mudanças nos estatutos da ONU com o objetivo de privar a Rússia de seu direito de veto no Conselho de Segurança, segundo declarou o secretário do Conselho de Segurança Nacional e Defesa da Ucrânia, Alexander Turchinov.


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Nesta quarta-feira, pouco mais de um ano depois da queda do voo MH17, da Malaysia Airlines, o Conselho de Segurança da ONU debateu a possibilidade da criação de um tribunal internacional para julgar os responsáveis pelo acidente.


Voto no Conselho de Segurança da ONU
© REUTERS/ Mike Segar

A maioria dos países integrantes do Conselho de Segurança votou a favor, mas a Rússia se opôs, enquanto Angola, Venezuela e China se abstiveram de votar. Segundo Turchinov, a decisão russa de vetar a resolução deve ser motivo para modificar os estatutos da ONU.

"Um país acusado de um crime não pode ter direito de impor um veto sobre a acusação, caso contrário o Conselho de Segurança fica desacreditado e paralisado totalmente", disse o secretário.

Turchinov disse ainda que "especialmente Ucrânia e os países cujos cidadãos foram afetados pelo ataque terrorista devem apresentar as correspondentes propostas de mudanças nos estatutos da ONU. Se os estatutos não forem alterados, este órgão perderá por completo sua autoridade e capacidade de reagir aos perigosos desafios de hoje."

O primeiro vice-presidente da fração parlamentarista Rússia Unida, Franz Klintsevich, classificou a proposta não apenas como absurda, mas como extremamente perigosa.

"A proposta de Alexander Turchinov, de retirar o direito de veto da Rússia no Conselho de Segurança, não é apenas absurda, mas também extremamente perigosa e não deve ser debatida seriamente. A introdução de emendas como esta nos estatutos da ONU significaria, em sua essência, a autodestruição dessa organização internacional."

Klintsevich afirmou também que "não é preciso ser vidente para entender a que consequências isso poderia levar."

O Boeing 777 da Malaysia Airlines que realizava o voo MH17, de Amsterdã a Kuala Lumpur, foi derrubado em 17 de julho de 2014, na região de Donetsk, no leste da Ucrânia, matando todas as 298 pessoas a bordo — a maioria, holandeses.

Um documento preliminar sobre a investigação da catástrofe, publicado pela Holanda, atribui o acidente a "danos estruturais do avião provocados por uma ação externa." O texto não aponta qual seria essa ação externa.

Kiev atribuiu a culpa ao grupo independentista da autoproclamada República Popular de Donetsk, mas este negou as acusações, afirmando que não possuía armas capazes de derrubar um avião a mais de 10 mil metros de altitude.



Estado Islâmico prepara “guerra do fim do mundo” com participação dos EUA

Um documento alegadamente encontrado na terça-feira no Paquistão traz detalhes sobre o possível plano do Estado Islâmico de travar uma guerra que provocará “o fim do mundo”.


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O documento de 32 páginas, intitulado “Uma Breve História do Califado do Estado Islâmico, o Califado conforme o Profeta”, é escrito em urdu, língua paquistanesa, e revela uma estratégia para fazer os EUA participarem de uma guerra global através de um atentado terrorista na Índia.

Além disso, o documento relata vários roteiros de ataques aos soldados norte-americanos que iriam se deslocar desde o Afeganistão, assim como também a políticos – tanto os diplomatas estadunidenses, como funcionários públicos paquistaneses.


Rebeldes da Frente Islâmica em combate com militantes do Estado Islâmico
© AFP 2015/ AHMED DEEB

Jihadismo global

Segundo a mídia, o texto foi passado para o Instituto Americano da Mídia (AMI, instituição de jornalismo investigativo) por um cidadão paquistanês ligado ao Talibã do Paquistão. O AMI informa que o documento foi examinado pela CIA, e agora já pode-se dizer que o texto maneja uma linguagem muito parecida à linguagem que usa o Estado Islâmico.

Para o ex-diretor da Agência de Inteligência da Defesa, tenente-general Michael Flynn, que integra a equipe que examinou o documento, a “Breve História” “representa o plano de campanha do Estado Islâmico”.

Uma das peculiaridades deste plano é a inclusão do Talibã e Al-Qaeda nas atividades do Estado Islâmico, movimento extremista reconhecido como organização terrorista e proibido na Rússia e uma série de outros países.

O Estado Islâmico e o Talibã têm sido movimentos adversários no Oriente Médio, chegando até a anunciar jihad (guerra sagrada) um contra outro.

Se o documento for verídico e realmente refletisse as aspirações do movimento terrorista mais temível no mundo atual, as tensões na região podem aumentar. Isso significaria a criação de um exército jihadista internacional, unindo até aqueles muçulmanos radicais que antes não eram admitidos no Estado Islâmico, grupo islamista mais severo e com regras mais rígidas até agora.

Armadilha

O plano descrito na “Breve História” prevê um ataque terrorista em algum lugar na Índia, com o intuito de atrair as forças dos EUA. No caminho da Índia, as tropas estadunidenses estariam sendo eliminadas pelo exército terrorista. Os EUA teriam que responder militarmente, o que provocaria mais um conflito armado na região.

“Mesmo se os EUA tentarem atacar com todos os seus aliados, — o que eles farão, sem dúvida, — a ummah [comunidade islâmica que abrange todos os muçulmanos do mundo] estará unida, o que resultará na batalha final”, reza o documento.

Os EUA participam de operações militares contra o Estado Islâmico na Síria e no Iraque. Em breve, podem também ajudar a Turquia a combater os islamistas na sua fronteira com a Síria. Vários especialistas têm observado que a estratégia do país no combate a este grupo terrorista é pouco eficaz.


Guerra de Kiev leva revisionistas a declarar “província da Romênia” dentro da Ucrânia

A recém-criada Assembleia da Bucovina do Norte, grupo que pretende representar a minoria romena nacional da Ucrânia, declarou a região de Chernivtsi, na parte ocidental do país, como uma "província da Romênia", segundo relatou a revista Timer, de Odessa.


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A declaração foi feita durante uma assembleia constituinte realizada na quarta-feira (29) pelos representantes dos romenos étnicos que vivem em Chernivtsi, oblast situado no norte da região histórica da Bucovina, a qual, por sua vez, é politicamente dividida entre a Ucrânia e a Romênia.


Chernivtsi, em destaque no mapa

A organização da comunidade romena étnica da região tem por objetivo "salvaguardar os direitos dos romenos que vivem em uma província romena, que agora faz parte da Ucrânia". Segundo Dorin Kirtoake – prefeito da capital da Moldávia, Chisinau, defensor do alinhamento com a Europa e a OTAN, bem como da unificação da Moldávia e da Romênia, além de um dos organizadores da assembleia em Chernivtsi – disse que os representantes da minoria romena vão lutar para ganhar um estatuto especial dentro da Ucrânia.

"Os recentes acontecimentos em Mukachevo (…) mostraram que os romenos da Bucovina não podem se sentir seguros e, por isso, são forçados a assegurar esse direito por eles mesmos", disse o político, acrescentando que, por ora, o movimento está “falando sobre autonomia, nada mais".

Cornelia Rusu, outra ativista que também ajudou a organizar a assembleia, disse que “a atual crise econômica e social está destruindo os próprios fundamentos da região e os romenos que vivem ali". Segundo ela, "enquanto a Romênia progride nos trilhos da União Europeia, a Bucovina do Norte se degrada”.

"É por isso que nós estabelecemos a Assembleia dos Romenos da Bucovina para buscar um estatuto autônomo como parte da Ucrânia", disse Rusu, também citada pela Timer.

Os participantes apoiaram unanimemente as demandas apresentadas e concordaram em realizar uma segunda conferência para eleger a estrutura governante da organização recém-criada.

No início do ano passado, muitas vozes se elevaram na imprensa romena e nos círculos nacionalistas em defesa de um possível aproveitamento da crise na Ucrânia para recuperar os "territórios perdidos" da Romênia. O jornal Adevarul chegou a fazer pressão pela invasão militar na Bucovina do Norte e na Bessarábia do Sul – ambas as regiões estiveram sob ocupação romena entre 1918 e 1940 e entre 1941 e 1944, na era da União Soviética.

"A Ucrânia está à beira de uma guerra civil, que poderia eventualmente dividir o país em um oeste pró-europeu e um leste pró-russo. Bucareste está pronta para intervir a fim de proteger os romenos étnicos que vivem na Bucovina do Norte e na Bessarábia do Sul?", publicou o diário.

Se a manobra for levada adiante, ficará ainda mais evidente que a crise política interna da Ucrânia, alimentada pela ofensiva militar de Kiev contra os movimentos de independência no leste do país, é a mais forte ameaça à própria integridade territorial ucraniana.

Além disso, a situação abriria a possibilidade de um país membro da OTAN enviar tropas para a Ucrânia, perto das fronteiras russas, no que seria considerado por Moscou como mais uma medida provocativa por parte da Aliança ocidental.



Membros dos BRICS participam dos Jogos Militares na Rússia

Um total de 14 países participarão dos Jogos Militares 2015, terceiro evento de Biatlo de Tanques.


Sputnik

Nesta quinta-feira, teve lugar em Moscou uma entrevista coletiva com os representantes das 14 equipes participantes. Entre elas, há a China e a Índia, que integram também, como a Rússia, o grupo BRICS. A Sputnik falou com exclusividade com os chefes destas delegações.


From right: Chinese and Russian crews ride Type 96A and T-72B tanks during a pursuit race of the Tank Biathlon 2014 World Championships at a training center of the Second Guards Taman Motorized Rifle Division in the town of Alabino

Índia

É a segunda vez que a equipe da Índia participará do Biatlo de Tanques no polígono militar russo de Alabino, perto de Moscou. O evento começará em 1 de agosto e terá uma extensão de duas semanas.

No ano passado, os militares indianos já mostraram bons resultados nestas competições, afirma o tenente coronel Vivek Suryakant Badve, chefe da delegação da Índia nos Jogos Militares 2015.

“Eu espero que a nossa mestria tenha crescido no tempo transcorrido”, disse Badve à Sputnik, acrescentando que considera o evento como uma oportunidade para testar as capacidades militares:

“Eventos como este são uma ótima base para testar as capacidades profissionais ao nível internacional. Aqui, nós podemos aprender de outros participantes das competições e, além disso, simplesmente travar boas amizades”.

China

A delegação chinesa é encabeçada pelo major-general Liu Ying, que disse à Sputnik que os militares do país trouxeram para Alabino material bélico já implantado e usado pelo Exército da China:

“Quando nós organizamos treinos de combate, nós sempre usamos os nossos próprios armamentos e munições. Eu acho que assim deve ser. Eu já disse [na coletiva de imprensa que teve lugar nesta quinta-feira (30) em Moscou] que nós trouxemos à Rússia, para participar desta competição, o material bélico que já está em serviço no Exército de Libertação Popular da China”.

“A participação desta competição ajudará a testar os nossos armamentos, a sua qualidade, permitirá fazer um ótimo teste da capacidade do pessoal militar chinês de manejar as suas armas”, acrescentou o oficial.

Os Jogos Militares 2015 terão lugar desde 1 a 15 de agosto em 11 polígonos situados em diferentes partes da Rússia. O de Alabino, na região de Moscou, acolherá as etapas do Biatlo de Tanques, modalidade mais conhecida da competição.


Rússia e França chegam a acordo sobre quebra de contrato de navios Mistral

Lados completam negociações sobre o fim do contrato para a entrega dos navios Mistral, informou assistente de Vladimir Putin nesta quinta-feira.


Sputnik

Rússia e França chegaram a um acordo sobre os termos do fim do contrato para a entrega de dois navios porta-helicópteros da classe Mistral a Moscou. Paris havia cancelado o contrato unilateralmente.


Mistral class amphibious assault ship
© Sputnik/ Alexey Danichev

"As conversas estão completas, tudo está ajustado — as datas e a quantia que Paris devolverá a Moscou", afirmou Vladimir Kozhin, assistente do Presidente Putin para cooperação técnico-militar, à Sputnik.

"Espero que um acordo para o término do contrato seja assinado muito em breve e esperamos poder anunciar o valor que a França nos pagará", disse Kozhin.

Rússia e França assinaram um contrato no valor de US$ 1,36 bilhão pela compra de dois navios Mistral em 2011. Entretanto, em novembro de 2014, a França suspendeu o contrato, alegando que Moscou estaria participando do conflito na Ucrânia.



Papéis soltos na cabine causaram a queda do F-16 da OTAN em Albacete

Documentos podem ter mudado a posição do controle de trim, de acordo com a comissão de inquérito


Miguel Gonzalez | El País | Poder Aéreo

Um descuido aparentemente insignificante, que deixou alguns documentos soltos na cabine, pode ter causado a queda do F-16 grego em 26 de janeiro passado na base aérea Los Llanos (Albacete) a maior catástrofe da OTAN em tempo de paz, na qual morreram dois pilotos gregos e nove franceses. Assim, conclui o relatório final da comissão de inquérito presidida pela Grécia com a participação de Espanha, França, Alemanha, Itália e os EUA, divulgado pelo Ministério da Defesa francês.


NATO crash Albacete

A causa foi a “modificação acidental” da posição do compensador que controla o leme, provavelmente, esfregando um documento com ordens de missão e gráficos do exercício, o que afetou o avião e causou sua descompensação, afetando a aeronavegabilidade consideravelmente. O giro do botão de roda completamente no sentido horário deveria ter sido detectado na checagem anterior ao voo, mas esta foi de 20 minutos antes da decolagem, quando a aeronave ainda estava no estacionamento e não no taxiway, como é obrigatório.

Além disso, o F-16 não possui um alerta para avisar que o compensador está em posição incorreta, e esta circunstância passou despercebida pelos pilotos até que fosse tarde demais. As tentativas de corrigi-lo em voo foram insuficientes para controlar o dispositivo.

Apenas 7,8 segundos após a decolagem, o F-16 caiu em um hangar no caminho onde outros participantes aguardavam decolagem no Programa de Liderança Tática (TLP) da OTAN. O vento cruzado, a configuração assimétrica da aeronave ou a presença de tanques de combustível externos agravou a situação.

Em contrapartida, a investigação conclui que todos os auxílios à navegação e de comunicações funcionaram normalmente. Os dois pilotos gregos eram experientes e tinham 1527 e 1.140 horas de voo, respectivamente. Um deles foi ejetado do avião, mas não conseguiu salvar a sua vida.

Além dos 11 mortos, outros 17 militares (10 italianos e 7 franceses) ficaram gravemente feridos e mais 16 levemente feridos. Além do F-16 grego, um Mirage 2000 e um Alpha Jet franceses foram totalmente destruídos, enquanto seis outros caças sofreram vários danos.


‘Dogfight’ entre Flankers e Typhoons no exercício Indradanush

Poder Aéreo

A Royal Air Force (RAF) e Indian Air Force (IAF) estão realizando há duas semanas o Exercício Indradanush e estão cheias de admiração pela capacidade dos aviões um do outro.




Quatro caças Su-30MKI Flanker de dois esquadrões do Nordeste da Índia para a base da RAF de Coningsby para treinar com os Typhoon FGR4 do 3 (Fighter) Squadron. O exercício proporciona uma rara oportunidade para os pilotos da RAF treinarem contra o caça de fabricação russa de quarta geração.

Ao longo de duas semanas, a complexidade das missões de treinamento está aumentando, começando com duelos 1 x 1 para missões que envolvem até 20 caças.

O comandante do esquadrão (Wing Commander) Chris Moon 3 (F) comentou:

“As primeiras impressões do Flanker são muito positivas. É um avião excelente e é um privilégio operar nosso Typhoon ao lado dele.

“A RAF e IAF orgulham-se de operar alguns dos principais equipamentos de ponta no mundo. No entanto, sem as pessoas para apoiar não somos nada, de modo que é onde a nossa verdadeira força reside”.

Seus pontos de vista foram ecoados pelo comandante de esquadrão Avi Arya, um instrutor de armas qualificado e responsável pelo treinamento de pilotos sobre os sistemas de radar e de armas do Su-30. Ele disse:

“Ambos são aeronaves de quarta geração e por isso são combinadas de maneira uniforme, de modo que o valor de aprendizagem vem do contato pessoa a pessoa, é o homem por trás da máquina que importa. Todos os pilotos de caça falam a mesma língua, que é a coisa comum que temos e é muito confortável aprender uns com os outros.”

Falando pouco depois de seu primeiro encontro com o Su-30 equipado com vetoração de empuxo, o piloto tenente Mike Highmoor não tem dúvidas sobre o valor do exercício bilateral:

“Isso é fantastico. É a primeira vez que eu voo contra um Flanker e é fascinante ver outra força aérea realizar sua missão com um avião diferente. Voar contra uma aeronave que é comparável ao Typhoon não é algo corriqueiro no Reino Unido. É muito emocionante.

“Ele é um caça incrivelmente impressionante, mas o Typhoon é um bom competidor para ele.”

Opondo-se ao tenente Highmoor nessa primeira surtida, o líder do esquadrão Amit Gehani que treinou com a RAF no Reino Unido disse:

“Está tudo indo bem. Estamos voando um monte de missões que estão provando nossa capacidade de combate aéreo. Fazemos o briefing no solo, vamos lá para cima, configuramos os combates e, posteriormente, é cortesia para todos.

“O Typhoon é uma boa aeronave, um avião muito poderoso. Os pilotos da RAF aqui são realmente incríveis e voando com o Typhoon estamos aprendendo um monte de novas lições da RAF que vamos levar de volta para a Índia. Claro que também estamos dando alguns boas dicas para os pilotos do Typhoon.”

Em missões de treinamento os caças estão sendo reabastecidos no ar por aviões-tanque de seus respectivos países que operam a partir da base da RAF Brize Norton. Aeronaves C-130J Hercules estão realizando lançamentos conjuntos de paraquedas do regimento da RAF e das tropas Garud da IAF, enquanto equipes de C-17 da RAF e IAF também estão treinando juntos. O exercício termina em 31 de julho.


Governo da Suécia aceita reduzir a taxa de juros no contrato dos caças Gripen NG da FAB

Folha de SP | Poder Aéreo

O governo da Suécia aceita reduzir a taxa de juros no contrato de financiamento para venda de 36 caças para a Força Aérea Brasileira, desde que o Brasil concorde em bancar parte do prejuízo com a troca de taxas.

A negociação pode ser fechada nesta quarta (29), quando deve deixar o Brasil uma delegação da agência de promoção e fomento às exportações do país europeu, a SEK.




Segundo a Folha apurou, o Palácio do Planalto nunca cogitou encerrar o negócio devido à discussão, como temiam executivos da fabricante do caça, a Saab.

O Brasil escolheu o Gripen para reequipar a FAB no fim de 2013 e, em 2014, assinou um contrato – que, à época, ficou em US$ 5,4 bilhões (R$ 18 bi na cotação desta terça). O problema é que o financiamento pela SEK teria de ser fechado e aprovado pelo Senado até o meio do ano.

Foi pedida prorrogação de prazo porque o Brasil desejava reduzir a taxa de juros pactuada, de 2,54% ao ano.

Como essa taxa é flutuante dentro das normas da OCDE (Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico, órgão internacional que promove o livre comércio), neste mês ela está em 2,19% – chegou a cair para 1,98% em maio.

Os suecos toparam cobrar 2,19%, desde que a diferença para os 2,54% originais seja recomposta, já que seu governo sofreria críticas. Cerca de 60% do PIB local vem de exportações, e a concessão seria vista como senha para que outros clientes buscassem a mesma vantagem.

Do lado brasileiro, contudo, as autoridades consideram que não teriam como explicar que aceitaram uma taxa mais alta neste momento de dificuldades econômicas – ainda seja um pagamento que começa apenas daqui a oito anos e meio.

DIVISÃO DA PERDA
Duas fórmulas de divisão da perda estão em análise. Em uma, o Tesouro brasileiro assumiria metade do custo adicional com a redução da taxa de juros, estimado em US$ 180 milhões, e a Suécia ficaria a outra parcela.

A outra criaria uma taxa de administração de 0,35%, equivalente à diferença das taxas de juros, que começaria a ser paga pelo Brasil a partir do 11º ano do financiamento de 15 anos.

Os primeiros aviões devem chegar em 2019 e a produção será nacionalizada aos poucos, fazendo com que os últimos modelos sejam montados no Brasil, pela Embraer.

A orientação de Dilma Rousseff é forçar a Suécia a ceder nas negociações, mas sem colocar em risco o fechamento do contrato, o que traria péssima repercussão internacional. E interna: a FAB esperou mais de uma década pela escolha e já enviou pilotos para treinamento na Suécia.



Acidente com Bandeirante da FAB em Minas

Estado de Minas | Poder Aéreo

Minas Gerais foi palco de mais um acidente aéreo. Uma aeronave Bandeirante EMB 110 da Força Aérea Brasileira (FAB) sofreu acidente nessa segunda-feira na base aérea de Lagoa Santa, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. O avião atravessou a pista e foi parar em um barranco. As hélices atingiram o solo e se partiram. Ninguém ficou ferido. O em.com.br recebeu com exclusividade nesta terça-feira imagens do acidente.


acidente EMB-110 FAB foto estado de minas 1

As fotos mostram um rastro deixado pela aeronave na terra no fim da pista de pouso. O avião estava sendo usado em um voo no Parque de Material Aeronáutico de Lagoa Santa, quando foi registrada a ocorrência. Os ocupantes faziam um treinamento de pouso e decolagem. Em uma das tentativas de subir com a aeronave, os flaps estavam puxados, por isso, o avião não decolou. Logo depois do acidente, militares foram atender os ocupantes, que passavam bem.

Os detalhes de como aconteceu o acidente não foram repassados pela Aeronáutica em Lagoa Santa. O em.com.br foi informado que os responsáveis pelo setor de comunicação deixaram a unidade por volta das 16h15 e que retornam somente nesta quarta-feira.

acidente EMB-110 FAB foto estado de minas 3

Acidentes aéreos estão acontecendo com frequência em Minas Gerais este ano. Já foram registradas nove quedas de aeronaves, com 17 mortos, em 2015. A primeira tragédia aérea do ano ocorreu em 19 de fevereiro, na Zona Rural, em Bueno Brandão, no Sul de Minas. Testemunhas contaram que viram o avião sem uma das asas antes de bater em árvores. Os corpos das vítimas foram encontrados por policiais militares e o Corpo de Bombeiros fora da cabine, que ficou destruída. As vítimas foram identificadas como Eduardo Laurentez de Caiado Castro, que pilotava a aeronave, e os tripulantes Júnia de Sales Caiado Castro, 25 de anos, Talita Mariana Tornel, 29, e o namorado dela, identificado apenas como Eduardo. Segundo o Corpo de Bombeiros, o avião saiu de Paraty, no Rio de Janeiro, e seguia para Ribeirão Preto, interior de São Paulo.

No dia 04 de maio, foi encontrado o corpo do piloto de um ultraleve que ficou desaparecido durante quatro dias, na Serra da Canastra, Região do Alto Paranaíba. Apenas o piloto estava na aeronave no momento do acidente. Ele morreu na hora. De acordo com a Polícia Civil, a aeronave saiu de Pirassununga e teve problemas ao passar pela Serra da Canastra, quando caiu no local conhecido como Serra do Rolador.

Em 5 de junho um avião agrícola caiu em Monte Carmelo, no Alto Paranaíba e matou uma pessoa. Dois dias depois, um bimotor caiu em cima de uma casa no Bairro Minaslândia, Região Norte de Belo Horizonte, depois de decolar do aeroporto da Pampulha, matando piloto, copiloto e um passageiro.

No dia 17, o helicóptero Jet Ranger 206-B prefixo PT-YDY caiu em Santa Rita de Ouro Preto, distrito de Ouro Preto, na Região Central do estado. Morreram os três ocupantes: o piloto Felipe Piroli, de 24 anos, além do empresário Roberto Queiroz, de 63, dono de uma corretora com atuação em Minas e no Rio de Janeiro, e de seu filho, Bruno Queiroz, de 23.

A última ocorrência foi registrada em 14 de julho em Tumiritinga, na Região do Vale do Rio Doce. A aeronave emq ue estava o prefeito da cidade de Central de Minas, Genil Mata da Cruz (PP), de 39 anos, e um funcionário dele, de 28, caiu em uma fazenda ocupada por famílias do Movimento dos Sem-Terra (MST). Os dois morreram. Testemunhas contaram à polícia que o avião jogava uma espécie de coquetel molotov contra os invasores.


Caça J-10 chinês é derrotado por F-16 paquistanês no ‘Exercise Eagle’

Poder Aéreo

A China e o Paquistão realizaram há alguns meses um exercício de combate aéreo chamado “Exercise Eagle”. Todas as informações obtidas sobre o exercício indicam que ocorreram combates simulados entre os caças chineses J-10 e os F-16 paquistaneses. Na maioria das vezes, o J-10 teria sido derrotado pelo F-16.


J-10 chinês no HUD de um F-16 do Paquistão

A imagem de baixa qualidade divulgada mostra um J-10 chinês travado no HUD de um F-16 paquistanês, o que significaria a destruição do J-10 se o combate fosse real.

O J-10 e o F-16 são muito parecidos em termos de tamanho e desempenho e teoricamente o J-10 teria um raio de curva menor, por causa dos canards. Mas o nível de treinamento dos pilotos chineses deve ter pesado no resultado, pois a China não enfrenta combates aéreos reais há muitas décadas, ao contrário do Paquistão, que treina com a OTAN.

A China parece não ter medo da derrota e está muito ativa na busca de exercícios com outras forças aéreas nos últimos anos, para aprender e buscar a melhora da qualidade dos seus pilotos.


BAE Systems vai atualizar 236 blindados M113 do Exército Brasileiro por US$ 54,6 milhões

Forças Terrestres

O Departamento de Defesa dos EUA informou que a BAE Systems foi premiada com um contrato de US$ 54,665 milhões de preço fixo pelo Foreign Military Sales, para atualizar 236 veículos blindados M113 para o Brasil.


M113A2 Mk1 (M113BR)

O trabalho será realizado em Minneapolis e Hopkins, Minnesota; Santa Clara, Califórnia; e Emporia, Kansas, com data de conclusão estimada em 31 de dezembro de 2018.


MPF/DF pede anulação de contratos do Exército para compra de capacetes balísticos

Estudos técnicos revelaram que equipamentos que custaram R$ 44 milhões não garantem segurança aos militares


Justiça em Foco

Os Ministérios Públicos Federal (MPF) e Militar (MPM) pediram na Justiça a anulação de seis contratos firmados entre o Comando Logístico do Exército e a empresa Glágio do Brasil LTDA para o fornecimento de 44 mil capacetes balísticos à instituição. A solicitação consta de ação civil pública em tramitação da 16ª Vara Federal, que já analisa uma outra medida referente ao assunto. Indícios de irregularidades na contratação da empresa justificam os pedidos do MPF. Um relatório técnico aprovado por integrantes do Exército, durante a fase de licitação, atestou que os produtos não ofereciam segurança aos militares. Mesmo assim, os capacetes foram considerados aptos e, em seguida, adquiridos pela instituição. Juntos, os contratos representam um custo de R$ 44,2 milhões aos cofres públicos.


capacete-ACH-200

Assinam a ação o procurador da República Douglas Kirchner, além de três integrantes do MPM, onde as aquisições do Exército já são alvo de investigação. No documento, os autores detalham o processo que levou à compra dos capacetes. A aquisição ocorreu por meio de pregão eletrônico realizado no início de 2014. Como condição para que a empresa disputasse a licitação, o edital previa que os produtos fossem aprovados em avaliação técnica de blindagem. Para os investigadores, a Diretoria de Fiscalização de Produtos Controlados do Exército Brasileiro não poderia ter atestado a idoneidade da Glágio do Brasil LTDA para fornecer capacetes balísticos no nível IIIA.

O principal argumento é que a aprovação da empresa pela diretoria contraria o Relatório Técnico Experimental (Retex 2578/10) aprovado por dois Tenentes Coronéis do Exército. O documento afirma que, embora não tenham sido perfurados, os equipamentos apresentaram “grande deformação”, inclusive na placa testemunho, que simula o centro do cérebro de agente humano. “De maneira contraditória e sem atender o mínimo de segurança a seus usuários, o equipamento de proteção militar fornecido pela empresa foi aprovado pelo Exército Brasileiro”, reiteram os autores, em um dos trechos da ação judicial.

Outro aspecto mencionado pelos procuradores refere-se a problemas envolvendo o processo de avaliação adotado pela União para autorizar a fabricação e comercialização desse tipo de equipamento no mercado nacional. Embora tenha afirmado que seguem o padrão norte-americano, o Exército e a Glágio do Brasil “não cumpriram minimamente os padrões de testes exigidos pelas normas do Departamento de Justiça dos EUA”, conforme frisam os investigadores.

Outra irregularidade apontada na ação refere-se ao teste balístico de atenuação de impacto. Previsto em norma adotada pelo Exército, o procedimento, que serve para avaliar a capacidade de absorção do impacto causado pelo projétil na coluna cervical do usuário do capacete, não é realizado pelo Centro de Avaliação do Exército.

Com base nos indícios de que os capacetes fornecidos pela empresa Glágio do Brasil não oferecem segurança aos militares, os procuradores sustentam que – ao firmar os contratos – a União feriu os princípios constitucionais da economicidade e da eficiência. Os procuradores sustentam, ainda, que a decisão do Exército de comprar equipamentos que não atendem às exigências de segurança, expõe os militares a riscos diários e pode causar prejuízos milionários ao Estado.

Na ação, os procuradores pedem que a medida liminar que suspendeu os pagamentos referentes a dois empenhos (já determinada pela Justiça Federal) seja estendida a todos os contratos firmados entre o Exército e a empresa desde o ano 2010, e que os mesmos sejam anulados por determinação judicial. Os autores da ação solicitam, ainda, que o Exército seja obrigado a fazer a troca dos capacetes balísticos GB 55 nível III e que a empresa Glágio do Brasil seja condenada a ressarcir à União dos valores gastos na aquisição dos equipamentos.


Ação civil pública 40734-85.2015.4.01.3400.

Mísseis MSS 1.2 AC são lançados com sucesso durante preparação para a avaliação do Lote Piloto

Lote-piloto fornecido pela Odebrecht Defesa e Tecnologia / Mectron ao Exército está sendo avaliado ao longo de 2015


Forças Terrestres

Dois bem sucedidos lançamentos, realizados em 05 de maio e 01 de julho de 2015, no Centro de Avaliações do Exército – CAEx, em Guaratiba/RJ, deram continuidade à preparação para o processo de avaliação do lote-piloto do Sistema de Armas Míssil Superfície-Superfície Anticarro MSS 1.2 AC entregue em 2013 e 2014 ao Exército Brasileiro pela Mectron, empresa controlada pela Odebrecht Defesa e Tecnologia.


Atirador MSS 1_2

Equipes técnicas do CTEx – Centro Tecnológico do Exército e da Mectron realizaram os lançamentos e obtiveram dados para, dentre outros aspectos técnicos/operacionais, avaliação dos novos giroscópios desenvolvidos e fabricados em 2015 para atualização dos mísseis.

Ambos lançamentos foram realizados contra alvos fixos posicionados a uma distância de 1.500 metros. Os disparos foram “remotos”, ou seja, sem a presença de um atirador, na medida em que um dos aspectos técnicos que estava em avaliação era a rigidez mecânica do sistema e a confiabilidade dos novos giroscópios.

O sucesso alcançado nestes lançamentos ratifica o trabalho do CTEx e da Mectron na preparação para a primeira fase da avaliação do lote piloto, a ser realizada até o final do ano, incluindo lançamentos de vários mísseis contra alvos em diferentes condições de condicionamento e emprego.

O MSS 1.2 AC é um sistema de armas para lançamento de míssil superfície-superfície, anticarro, de médio alcance, guiado a laser, para uso por tropas em solo ou embarcado em viaturas. É composto pela munição (míssil e tubo lançador) acoplada a uma unidade de tiro para mira e disparo, resultando em um sistema leve, de fácil transporte e rápida entrada/saída de posição. Sua guiagem do tipo “beam-rider” é altamente imune a contramedidas e seu sistema de propulsão, que não deixa rastro de fumaça, proporciona segurança ao atirador evitando que sua posição de tiro seja identificada.

Além de munições e unidades de tiro, também foram entregues ao Exército equipamentos de teste e simuladores para treinamento de atiradores.


Raytheon já faz 80% dos componentes de míssil com impressora 3D

Objetivo é soldados fabricarem, no futuro, armamento no campo de batalha.
Desafio, por hora, é integrar os componentes impressos em 3D.


G1 | Forças Terrestres

A quase centenária fabricante de mísseis norte-americana Raytheon embarca na onda da impressão 3D. A empresa criou um sistema capaz de imprimir com essas máquinas 80% dos componentes de um míssil. A ideia é que o armamento possa ser feito no campo de batalha conforme a necessidade. 


Raytheon missile built with 3D printer parts

“Nós estamos imprimindo demos de muitos dos componentes perseguidos. E nós demonstramos um motor de foguete impresso. Nós já imprimimos 80% do que vai dentro de um míssil”, afirma Chris McCarroll, diretor do Instituto de Pesquisa Lowell da Universidade Raytheon de Massachusetts.

A empresa trabalha agora para imprimir em 3D os circuitos integrados embarcados nos foguetes. “Seu ciclo de desenvolvimento é mais curto; você consegue partes muito mais rápido. Você pode obter mais complexidade com seu design por causa dos ângulos que você não consegue talhar no metal”, afirma Leah Hull, diretora da Raytheon.

Esse passo é crucial, apontam executivos da empresa, para que esse tipo de armamento possa ser fabricado no meio da zona de combate.

“Antes de um soldado poder imprimir um míssil no campo, você vai precisar de qualidade, processos controlados para fabricar todos os componentes de materiais: os reforços metálicos, os conectores de plástico, os semicondutores para os processadores e os energéticos para os sistemas de propulsão”, comenta McCarroll.

“A parte mais difícil é a confecção da conexões entre essas partes, como por exemplo, o controle do circuito integrado que recebe o comando para acender os fusíveis”, diz. “Em algum momento a médio prazo você poderá ligar chips a impressões interconectadas. Ou, no futuro, talvez você apenas irá imprimi-los.”



Avibras e Iveco finalistas do VBMT-LR

Forças Terrestres

DIRETORIA DE FABRICAÇÃO
DIRETORIA
AV I S O
CHAMADA PÚBLICA

A DIRETORIA DE FABRICAÇÃO (DF), Órgão do Departamento de Ciência e Tecnologia do Exército Brasileiro torna pública a realização de Chamada para negociação e orientação para apresentação da Proposta Técnico-Comercial Final referente ao processo de Obtenção por Nacionalização da Viatura Blindada Multitarefa – Leve de Rodas (VBMT-LR).




As empresas AVIBRÁS Divisão Aérea e Naval S.A. e IVECO LATIN AMERICA LTDA deverão comparecer na Diretoria de Fabricação, situada na Praça Duque de Caxias, nº 25 – 7º andar, Centro, Rio de Janeiro (RJ), no dia 04 de agosto de 2015, em horário de expediente (das 08:00h às 16:00h), com pessoal legalmente constituído e tecnicamente habilitado, para recebimento de instruções necessárias à apresentação das respectivas Propostas Técnico-Comerciais Finais e retirada da minuta do contrato.

As citadas empresas deverão entregar as Propostas Técnico-Comerciais Finais, em envelope lacrado, às 14h do dia 18 de agosto de 2015 na Diretoria de Fabricação.

Gen BDA MAURO GUEDES FERREIRA MOSQUEIRA GOMES

A 5ª estrela

Merval Pereira | O Globo

A história do Vice-Almirante (Engenheiro Naval) Othon Luiz Pinheiro da Silva, presidente da Eletronuclear, preso na Operação Lava-Jato acusado de corrupção, é a história de um projeto grandioso de tentativa de domínio por parte da Marinha brasileira do ciclo nuclear que acabou se transformando em um projeto de poder político e econômico de um governo megalomaníaco, que mistura o público com o privado com a facilidade populista com que manipula os símbolos do país, seja a Petrobras ou o programa nuclear.


alteothon (1)
Othon Luiz Pinheiro da Silva

O vice-almirante Othon, muito justamente considerado “o pai do programa nuclear brasileiro”, acabou ganhando um poder político que o fez poder escolher o comandante da Marinha e os dirigentes do programa nuclear e, segundo as acusações do Ministério Público, ganhar muito dinheiro através de uma empresa de consultoria que funcionava ao mesmo tempo em que ele comandava a Eletronuclear, que coordena as centrais nucleares brasileiras.

No comando da empresa desde 2005, teve que se licenciar em abril deste ano devido a denúncias de irregularidades em contratos firmados na construção da usina de Angra 3. Agora a empresa de consultoria está sendo investigada por ter recebido “pagamentos vultusos” de outras companhias que compõem o consórcio que atua nas obras de Angra 3.

Mesmo os companheiros de farda que se recusam a acreditar que o almirante Othon tenha cometido crimes se sentem incomodados, não apenas com o conflito de interesses claro, como também com o fato de sua empresa se chamar Aratec Engenharia, uma clara alusão ao complexo de Aramar, onde o país desenvolve o altamente secreto projeto de centrífugas nucleares implementado pelo próprio Almirante.

Ele já havia tido problemas na administração de verbas públicas durante o governo Itamar Franco, quando o ministro da Marinha Ivan de Silveira Serpa considerou que tinha muita liberdade de gastos no projeto nuclear e exigiu uma prestação de contas, que acabou não sendo aprovada.

Não chegou a haver acusações contra o almirante Othon, mas a seus métodos de trabalho, que não mediam gastos para seus homens, e em 1994, aproveitando que completava seu tempo de serviço militar ativo, deixou o programa, sendo reconhecido por todos como o grande responsável pelo projeto das centrífugas nucleares que deram ao Brasil a capacidade de enriquecer o urânio.

O seu retorno deu-se em grande estilo, quando foi convidado pelo presidente Lula em 2005 para presidir a Eletronuclear. A partir daí, seu poder foi sempre crescente, e é atribuído a ele a ideia da criação do Prosub, uma organização da sociedade civil de interesse público (Oscip) formada pela empresa francesa DCNS e a Odebrecht, com a Marinha brasileira tendo uma “golden share”. A escolha da empreiteira Odebrecht, foi dito na ocasião, obedeceu a um pedido formal da empresa francesa, o que provocou muita polêmica, pois não houve licitação. A Odebrecht acabou criando uma subsidiária, a Odebrecht Defesa, que abriga em seus quadros diversos almirantes e oficiais da Marinha da reserva e reformados. Uma “5ª estrela” no linguajar coloquial da Marinha, comparável a postos no exterior onde os oficiais podem guardar dinheiro para a aposentadoria.

O projeto faz parte de um convênio Brasil-França assinado em 2009, e se compõe de projeto e a construção do Submarino com Propulsão Nuclear (SN-BR), a construção de quatro submarinos convencionais; uma Unidade de Fabricação de Estruturas Metálicas (UFEM), e um complexo de Estaleiro e Base Naval (EBN) que se encontra em construção às margens da Baía de Sepetiba, no Município de Itaguaí.

O homem forte do programa nuclear brasileiro é também considerado o responsável pela nomeação do Comandante da Marinha Moura Neto, que ficou no comando durante sete anos, de 2007 a 2014, nos governos Lula e Dilma, e do almirante José Alberto Accioly Fragelli, que exerceu o cargo de coordenador do Programa de Desenvolvimento de Submarino com Propulsão Nuclear. Moura Neto teria sido escolhido por defender o programa de construção do submarino nuclear, ao contrário de outro também cogitado.

Tudo indica que tamanho poder político e acesso a verbas praticamente sem controle, com força até mesmo para conseguir reverter decisões do Tribunal de Contas da União (TCU), e tantas injunções empresariais, desvirtuaram o sonho do vice-almirante Othon. Nunca a frase famosa do escritor e pensador inglês do século XVIII Samuel Johnson “o patriotismo é o último refúgio dos canalhas” teve tanto sentido quanto hoje, quando se tenta melar a Operação Lava-Jato acusando seus membros, a começar pelo juiz Sérgio Moro, de estar prejudicando a Pátria quando investigam a roubalheira na Petrobras, ou o pai do programa nuclear brasileiro.



Polícia investiga programa de submarinos

Natuza Nery e Igor Gielow | Folha de SP

Em sua busca e a apreensão desta terça-feira (28), a Polícia Federal procurou documentos para embasar suspeitas de que houve irregularidades na execução do programa de submarinos da Marinha, que visa colocar no mar um modelo de propulsão nuclear por volta de 2025.


Scorpène - Tunku Abdul Rahman

As suspeitas surgiram em etapas anteriores da Lava Jato, segundo a Folha apurou, em que a Odebrecht foi alvo de investigações.

A empreiteira é a maior parceira nacional do projeto, sendo responsável pelas obras do estaleiro e da base naval em Itaguaí (RJ).

Assinado em 2009 como parte do acordo militar Brasil-França, o maior da história do país, o contrato dos submarinos é um negócio gigantesco: € 6,7 bilhões (algo como R$ 18 bi quando foi assinado; hoje, R$ 25 bi).

O acordo foi uma das estrelas do segundo mandato de Lula. Seus termos preveem que os franceses fornecerão tecnologia para a construção de quatro submarinos convencionais, movidos por motores diesel-elétricos, e um nuclear –a menina dos olhos dos almirantes, já que apenas seis países operam esse tipo de armamento hoje.

A fabricação já está em curso, com seções do primeiro modelo convencional sendo integradas no Rio.

A Odebrecht foi subcontratada pelo estaleiro DCNS francês para assumir as obras da nova base por € 1,7 bilhão. Não houve licitação, o que provocou críticas veladas de suas concorrentes à época.

Como se trata de um negócio envolvendo a segurança nacional, tudo é sigiloso e fora das regras da Lei de Licitações. Isso é praxe em praticamente todo o mundo e deverá dificultar apurações da PF.

O acordo sofreu críticas por ter feito o Brasil adquirir uma família diferente de submarinos, a classe Scorpène francesa, vista por especialistas como inferior aos novos modelos alemães – o Brasil já utilizava submarinos de desenho germânico, numa parceria que remonta a 1983.

Não ajuda muito o fato de a DCNS ter longo currículo de acusações de pagamentos de propina e outras suspeitas em negócios com os mesmo submarinos na Índia e Malásia.

Os franceses sempre negaram irregularidades. A Odebrecht nega acusações contra ela no âmbito da Lava Jato.

Colaborou GABRIEL MASCARENHAS


28 julho 2015

Exercícios navais russo-indianos acontecerão em novembro

O Distrito Militar do Sul do Ministério da Defesa russo informou nesta terça-feira (28) que os exercícios militares entre a Rússia e a Índia acontecerão em novembro, de acordo com uma autorização da ONU.


Sputnik

Os exercícios russo-indianos INDRA-2015 serão realizados na Faixa Mahajan, no estado de Rajasthan, na Índia, segundo destacou um comunicado de imprensa do Distrito Militar do Sul. As manobras serão executadas durante 13 dias e estarão centradas na execução conjunta de táticas de paz.


Ensaio para a parada do dia da Marinha em Baltiysk
© Sputnik/ Igor Zarembo

No domingo (26), o presidente russo, Vladimir Putin, aprovou a nova doutrina naval do país. O documento prevê um estreitamento da cooperação com a Índia e a China. Os representantes da Frota do Pacífico da Rússia e os chefes da Marinha da Índia discutirão, ainda este mês, em Vladivostok, questões de organização e planejamento, os prazos e áreas de manobras conjuntas do INDRA-2015.


Submarino encontrado perto do litoral sueco pode ser dos tempos do Império Russo

Os mergulhadores encontraram no casco do navio uma inscrição que permite supor que o submarino é dos tempos do Império Russo. Numa das fotos é visível a letra “Ъ” no fim da palavra, o que corresponde às normas da ortografia antes da Revolução de 1917.


Sputnik

Além disso, o submarino é parecido, pela sua cúpula peculiar, com o submarino Som que naufragou em 1916 naquela área. Além disso, segundo frisam especialistas, o local do descobrimento dele fica perto do lugar do suposto naufrágio do submarino imperial russo.


Submarino Som dos tempos do Império Russo
Submarino Som © Foto: tsushima.su

É de notar que, algumas horas depois da descoberta do submarino, foram publicadas fotos do Som no fórum Flashback, escreve o jornal sueco Fria Tider.

Devido ao início da Guerra Russo-Japonesa, o Império Russo teve de fortalecer rapidamente a sua frota. Em alguns casos a Rússia foi forçada de comprar modelos estrangeiros. Em 1904, a Rússia adquiriu um submarino Fulton do projeto Holland-VIIR, inaugurado em 1901. Recebeu o nome de Som e, na base dele, foram construídos mais alguns submarinos. Após o fim da Guerra Russo-Japonesa o submarino foi transferido para a frota do Mar Negro e, depois disso, para a Frota do Báltico.

Em 10 de maio 1916, às 04h00, o Som, que patrulhava o golfo de Bótnia, afundou-se após colisão com o navio sueco Ångermanland. Segundo disse o capitão do navio, ele viu o periscópio do submarino à distância de 150 metros. O submarino estava indo em rota paralela, mas depois virou em direção ao navio. O capitão pensou que o navio iria ser inspecionado e diminui a velocidade. O periscópio desapareceu debaixo da água e o submarino colidiu com o navio. O mencionado submarino nunca mais apareceu na superfície. A bordo do submarino seguiam 18 tripulantes – todos morreram.

Em 27 de julho o time de exploradores  Ocean X Team anunciou a descoberta de um pequeno submergível que naufragou em águas suecas

Ainda é cedo para tirar conclusões definitivas, mas ontem provavelmente foi encontrado um submarino do início do século XX e não um submarino moderno da Marinha russa, como transmitiu a imprensa sueca.

Nesta segunda-feira (27), o time de exploradores conhecido como Ocean X Team anunciou a descoberta de um pequeno submergível que naufragou em águas suecas. Baseado puramente em "caracteres cirílicos", o submarino está sendo rotulado como pertencente à Marinha russa.