18 dezembro 2014

BOICOTE À ELBIT/AEL - OPORTUNISMO POLÍTICO OU ALGO MAIS?

Governador Tarso Genro (PT) cancela acordo com empresa israelense após pressão da comunidade palestina


Samir Oliveira | 
Sul21 - DefesaNet

Em seu último mês de mandato, o governador do Rio Grande do Sul Tarso Genro (PT) cancelou um acordo que havia firmado em abril de 2013 com a empresa israelense ELBIT Systems. O contrato previa uma parceria entre a companhia militar de Israel, o Palácio Piratini e universidades gaúchas no estabelecimento de um polo aeroespacial no estado. Na noite desta terça-feira (02DEZ14), o governo divulgou uma carta onde informa que o protocolo assinado com a corporação israelense passaria a se tornar “sem objeto”.


Shlomo Erez, AEL Sistemas, Bezhalel Machlis, presidente e CEO ELBIT Systems e o governador Tarso Genro, quando da assinatura do acordo em 29 Abril 2013. Foto - AEL Sistemas

Desde que foi firmado, o protocolo com a ELBIT Systems tem sido alvo de constantes críticas da comunidade palestina no Rio Grande do Sul, de movimentos sociais pela causa e do próprio governo da Autoridade Nacional Palestina. Isso porque a ELBIT, maior corporação militar de Israel, é denunciada pela colaboração na construção do muro que isola os territórios palestinos na Cisjordânia. A empresa também fornece equipamentos de segurança para os assentamentos israelenses, que já foram declarados ilegais pela Organização das Nações Unidas (ONU).

A ELBIT, que possui uma empresa subsidiária no Rio Grande do Sul, com sede em Porto Alegre – a AEL Sistemas – já vem sofrendo sanções em países da Europa, que orientam seus fundos públicos a não investirem nas ações da companhia. Agora, nesta terça-feira (02), Tarso Genro entregou em mãos ao embaixador da Palestina no Brasil, Ibrahim Mohamed Khalil Alzeben, uma carta onde informa o cancelamento do protocolo com a empresa militar israelense.

O diplomata está em Porto Alegre para um ato de comemoração ao Dia Internacional de Solidariedade com o Povo Palestino, que foi celebrado no dia 29 de novembro. “Quero agradecer ao senhor governador pelos atos valorosos, ele sempre acompanhou a luta a favor de um Estado palestino independente”, elogiou o embaixador num evento na Assembleia Legislativa gaúcha.

Chefe da Assessoria de Cooperação e Relações Internacionais do governo do estado, Tarson Núñez defendeu a campanha por Boicote, Desinvestimento e Sanções (BDS) contra o Estado de Israel. “Se hoje o governo israelense tem uma força militar capaz de vencer qualquer conflito direto, nós temos a força moral de quem está com a razão e com a justiça. Temos que prestar atenção ao movimento internacional por BDS, todo e qualquer produto de Israel não deve ser consumido por ninguém no Brasil e toda e qualquer empresa brasileira não deve fechar parcerias comerciais com Israel”, conclamou.

Tarson disse que o acordo com a ELBIT já estava enfraquecido, pois o governo federal não havia liberado todos os recursos necessários para a concretização da parceria. Contudo, ele frisa que a decisão do Palácio Piratini foi política, já que, mesmo assim, ainda havia possibilidade de se tentar captar financiamentos junto ao BNDES, por exemplo. “O governador foi sensível às demandas contínuas da comunidade palestina, do governo palestino e dos movimentos sociais”, explicou.

O ato na Assembleia Legislativa ocorreu no mesmo dia em que a exposição de fotografias “Retratos da Resistência – Um povo que luta para não desaparecer” foi inaugurada no saguão de entrada do Parlamento. Fruto de um trabalho dos fotógrafos paranaesnes Leandro Taques e Rafael Oliveira, a exposição retrata o cotidiano dos territórios palestinos.

A carta entregue por Tarso à Embaixada Palestina informando sobre o cancelamento do acordo com a ELBIT será divulgada ainda na noite desta terça-feira pelos movimentos sociais.

Confira a íntegra da carta entregue por Tarso Genro à Embaixada da Palestina no Brasil e à Federação Árabe-Palestina (FEPAL)

Carta à Federação Palestina do Rio Grande do Sul

Neste momento em que o nosso estado se engaja nos eventos mundiais do Ano Internacional de Solidariedade à Palestina venho, mais uma vez, me somar a todos aqueles que no mundo inteiro levantam a sua voz em defesa dos direitos do povo palestino, de uma paz justa na região, precedida de negociações para o reconhecimento prévio dos acordos de Oslo.

Desde o início do meu mandato nos posicionamos de forma ativa, em sintonia com as posições do nosso governo nacional, em defesa do reconhecimento do Estado Palestino e de uma paz justa com o Estado de Israel, baseada no reconhecimento do direito dos Palestinos terem jurisdição política e militar sobre o seu território. Sabemos que tal posição conta, inclusive, com o apoio de considerável parte da comunidade israelense, que também prefere a via da negociação à da violência.

O governo do Rio Grande do Sul, durante o nosso mandato (2011/2014), buscou materializar esta posição em ações de solidariedade. A realização do Fórum Social Palestina Livre em 2012, a visita à Palestina em 2013, promoção das doações de arroz para os campos de refugiados da UNRWA, os projetos de cooperação técnica que implementamos, são demonstrações concretas de nosso empenho em apoiar os direitos do povo palestino.

Neste momento, considero importante também manifestar-me em torno de um tema que tem sido objeto de controvérsia em nossa relação de fraternidade e solidariedade. Trata-se do protocolo de intenções assinado entre nosso Estado, algumas universidades e a empresa local AEL, subsidiária da empresa israelense Elbit Systems.

Os questionamentos constantes por parte do governo palestino e das entidades representativas a este acordo me levam a esclarecer algumas dúvidas em relação ao Protocolo firmado pelo nosso governo com a empresa referida.

A assinatura do protocolo ocorreu nos marcos da estruturação de um programa voltado para constituir, em nosso Estado, uma política de fomento à indústria aeroespacial. Este programa tem por objetivo aproveitar as oportunidades geradas pelas políticas do governo federal, para desenvolver uma indústria aeroespacial nacional, política esta que temos o dever institucional de prestigiar.

O protocolo teve como escopo a participação em um edital da FINEP, para o fomento do setor aeroespacial, através do qual se obteria os recursos para implementar o trabalho comum. O resultado do Edital, no entanto, não foi favorável ao desdobramento prático do Protocolo, pois proporcionou alocação de recursos insuficientes para a sua materialização. Desde então, não houve mais nenhuma ação objetiva relacionada com aquele acordo, e o governo do Rio Grande do Sul não realizou, e não realizará sob o nosso governo, nenhuma outra ação relacionada a esta parceria, o que nos permite declarar o referido protocolo como sem objeto.

Consideramos, portanto, que a comunidade palestina em nosso estado, assim como as autoridades do Estado Palestino com quem temos nos relacionado, podem continuar a contando com o respeito e a solidariedade ativa da comunidade gaúcha e do governo do Rio Grande do Sul.

Tarso Fernando Herz Genro
Governador do Estado do Rio Grande do Sul



MECTRON SCP-01 AFIANDO A PONTARIA DO AMX MODERNIZADO

O radar da MECTRON, empresa controlada pela Odebrecht Defesa e Tecnologia (ODT), em parceria com a italiana Selex ES é um dos pontos centrais da modernização dos A-1 da Força Aérea Brasileira.


Nelson Düring
Editor-Chefe DefesaNet

Com o objetivo de extensão da vida útil das aeronaves AMX (A-1) para mais 20 anos, reduzindo a obsolescência dos equipamentos embarcados e ao mesmo tempo padronizando a frota, eliminando as diferenças entre os três lotes operados pela FAB, o programa de modernização do principal avião de ataque brasileiro realizou uma campanha de ensaios em voo em Gavião Peixoto/SP, para validação operacional do Radar SCP-01.

DefesaNet acompanhou o trabalho da empresa MECTRON, empresa controlada pela Odebrecht Defesa e Tecnologia (ODT), em parceria com a italiana Selex ES no radar SCP-01, que é um dos pontos centrais da modernização dos A-1M da Força Aérea Brasileira.


Radar MECTRON SCP-01 montado no A-1M - Foto MECTRON

Na mosca

O SCP-01 é um radar multifunção, projetado para operar como principal sensor do subsistema de armamento do A1-M. Pelo lado brasileiro, a Mectron é responsável pelas unidades Receptor, Antena, Servo-Antena e frame cablado. A empresa italiana é responsável pelas unidades Transmissor e Processador.

Na campanha de ensaios em questão, o Radar SCP-01 foi validado nos seus diversos modos de operação: no modo de mapeamento de solo (MAP), a aeronave sobrevoou a região da cidade de Ibitinga/SP, próximo à represa da Promissão, no rio Tietê, para identificar áreas fluviais e mapear o terreno, apresentando ao piloto um registro geográfico de mais de 80 km à sua frente.
Nesta mesma região, o Radar também foi testado no modo de rastreio marítimo (SEA), detectando a presença de embarcações. Para testes nos modos de busca e rastreio aéreo (AIR-AIR) e combate aéreo (ACM), os ensaios contaram com o apoio de uma aeronave Phenom da EMBRAER atuando como alvo cooperativo.

Neste cenário, foi possível a detecção do alvo a distâncias acima de 20 km. Com o radar rastreando a aeronave cooperativa, várias manobras de combate foram simuladas, bem como manobras de aproximação para reabastecimento em voo, desta vez com o radar operando no modo AIR-P. Em outra etapa, o Radar, operando no modo Distância de Solo (AGR), forneceu algoritmos de mira para ataque a alvos terrestres.

Durante os ensaios, foi possível verificar a integração do Radar ao novo sistema de navegação do A1-M, bem como ao HUD (Head Up Display) e ao MFD (Multi Function Display), onde as informações do Radar são disponibilizadas para o piloto.

Olhos aguçados por mais 20 anos

A aeronave AMX (ou A-1 como é designada oficialmente pela FAB), foi especialmente concebida para missões ar-superfície (ataque ao solo) e reconhecimento, ambas de grande alcance. Pelo fato da modernização do AMX, a Mectron trabalhou na modernização do Radar SCP-01, possibilitando a implementação da interface gráfica colorida com os novos monitores multifunções (MFD) instalados no A-1M. O radar incorporou um novo modo de operação e possibilitou a visualização e atualização de dados de navegação de mais alvos ao mesmo tempo.

Na área de logística, a MECTRON desenvolveu um novo banco de sistema para suporte dos testes operacionais do radar em solo. Desenvolveu, também, um banco denominado Estimulador Radar que auxiliou o desenvolvimento da interface aviônica com o radar e os outros sistemas embarcados na aeronave.

A parceria tecnológica com os italianos foi bem sucedida e rendeu bons frutos: a empresa hoje também está plenamente capacitada para manutenção das unidades italianas.



Embraer KC-390 faz primeiro testes em movimento (veja o vídeo)

O Globo | DefesaNet

RIO - Na última sexta-feira (05NOV14), o clima era de apreensão em Gavião Peixoto (SP), onde fica as instalações da EMBRAER defesa e Segurança e principal pista de testes da EMBRAER no Brasil. No asfalto, a aeronave de transporte KC-390 fazia seu primeiro teste em solo, ponto de partida para o voo inaugural de qualificação. A empresa já acionou os dois motores e parte dos principais sistemas de funcionamento da aeronave de transporte militar, cujo desenvolvimento custou R$ 4,6 bilhões ao governo federal, por meio da Força Aérea Brasileira (FAB). O resultado foi considerado positivo.

O GLOBO obteve com exclusividade um breve e inédito registro do teste do KC-390. Nas imagens é possível verificar algumas manobras do avião em solo, que ocorreram conforme a previsão, segundo relato de fontes ouvidas pela reportagem. O teste serve para verificação do funcionamento dos motores, da integração de sistemas e também para aferir a eficiência das manobras em solo.

Esta é a primeira imagem revelada do KC-390 depois da sua apresentação ao público, que ocorreu em 21 de outubro, também em Gavião Peixoto. Um outro protótipo está em desenvolvimento.

De acordo com a Embraer, dada a complexidade dos sistemas, não é possível determinar a data exata para o voo inaugural. Porém, a empresa trabalha com a hipótese de fazê-lo voar ainda em dezembro. Estrategicamente, a Embraer quer executar o voo em 2014 para apontar ao mercado que o cronograma de desenvolvimento do KC-390 segue rigorosamente os prazos estipulados, o que é incomum no setor aeronáutico. Ainda assim, o KC-390 só voará depois que a segurança da operação estiver absolutamente testada.

Por ora, a FAB já encomendou 28 unidades do KC-390, mas a Embraer já tem cartas de intenções de outros cinco países ? Argentina, Chile, Colômbia, Portugal e República Tcheca ? para a aquisição de outros aviões, totalizando 32. A primeira entrega do KC-390 está prevista para o segundo semestre de 2016.

O KC-390 é uma aeronave de transporte tático. Pode realizar missões como o transporte e lançamento de cargas e tropas, reabastecimento em voo, busca e resgate e combate a incêndios florestais. O avião é capaz de transportar até 26 toneladas de carga a uma velocidade de 470 nós (870 km/h).



16 dezembro 2014

Sistema cadastra mais de dois mil produtos de Defesa

Balanço é divulgado durante última reunião da Comissão Mista da Indústria de Defesa (CMID) de 2014


Portal Brasil

O Sistema de Cadastramento de Produtos e Empresas de Defesa (SisCaPED) cadastrou mais de 2 mil produtos e credenciou 60 empresas estratégicas de defesa em um ano. O balanço foi divulgado durante a 14ª reunião da Comissão Mista da Indústria de Defesa (CMID) – a última do ano.

Criado para incentivar a produção da Base Industrial de Defesa (BID), o SisCaPED é o instrumento pelo qual o Ministério da Defesa credencia e classifica as empresas e os produtos do setor.

O interesse das indústrias pelo cadastro é crescente, já que, dependendo da classificação obtida, ela poderá ter acesso a uma série de benefícios, como regime tributário especial, isenção de pagamento de alguns impostos e até participação exclusiva em licitações.

Na reunião, outros 14 produtos foram cadastrados pela CMID, entre eles, equipamentos como capacete e colete à prova de balas, lançador múltiplo de foguetes, reparo automatizado de metralhadora, projeto de míssil antirradiação e serviço de instalação de sistemas críticos, para controle do espaço aéreo, terrestre e marítimo.

Além disso, o SisCaPED encerra o ano com 248 empresas cadastradas e 237 produtos classificados como estratégicos de defesa. Para o diretor do Departamento de Produtos de Defesa do Ministério da Defesa, brigadeiro José Euclides, levando-se em consideração o ineditismo do trabalho realizado pela Comissão, é possível afirmar que houve avanço nessa nova dinâmica de cadastramento. O brigadeiro é também secretário-executivo da CMID.

“Diante dos números apresentados, vemos que tivemos um sucesso muito grande porque saímos do zero, tivemos que desenvolver formas de regulamentação, de formatação e ainda assim conseguimos progredir”, disse.

A CMID é composta por representantes dos ministérios da Defesa, Planejamento, Relações Exteriores, Indústria e Comércio, Ciência e Tecnologia, Fazenda e das três Forças Armadas.

Para o brigadeiro Euclides, um dos maiores avanços da Comissão é o fato de todos esses atores conseguirem incorporar o universo da defesa de forma rápida e eficaz.

“Hoje, nós vemos pessoas de outras pastas, que cuidam de política industrial, tributária, planejamento, orçamento, entendendo de armamento, míssil, carro de combate, aeronave. Essa é a prova de que esse grupo se profissionalizou”, afirmou.

De acordo com o brigadeiro, a previsão é de que, em 2015, o Sistema de Cadastramento passe a contar com mais técnicos o que dará mais agilidade ao processo de classificação dos produtos e empresas.



Avião militar russo quase colide com avião comercial próximo à Suécia

Rússia insiste que sue jato se manteve a uma distância segura. Relações entre Rússia e ocidente estão estremecidas por causa da Ucrânia.


G1

Um avião militar russo quase colidiu com um avião comercial de passageiros no espaço aéreo internacional próximo ao sul da Suécia na sexta-feira, disseram autoridades suecas, mas a Rússia insistiu neste domingo que seu jato manteve distância segura.

As relações entre a Rússia e o Ocidente têm azedado sobre o papel de Moscou sobre conflito na Ucrânia e anexação da Criméia. Muitos países europeus reagiram com alarme para suspeitas exibições russas de sua proeza militar.

Um esquadrão de navios de guerra russos entraram no Canal da Mancha no mês passado e a Suécia disse que tinha provas de que um submarino estrangeiro estava operando ilegalmente em suas águas, em outubro.

O voo de passageiros SK1755 de sexta-feira saiu da capital dinamarquesa Copenhague com destino à Poznan, na Polônia, foi desviado por autoridades suecas antes de ocorrer uma colisão, disseram as autoridades.

O voo era operado pela Cimber, de propriedade da companhia aérea escandinava SAS.

O Ministério da Defesa da Rússia negou, neste domingo, que seu avião chegou perto de colidir com um avião civil, disse a agência oficial de notícias Tass.

"Um vôo foi realizado em estrita conformidade com as regras internacionais sobre o espaço aéreo e não violou as fronteiras de outros países e ficou a uma distância segura das rotas de voo de aviões civis", disseram as notícias, apontando como fonte o porta-voz do Ministério da Defesa Maior General Igor Konashenko.

Um sueco militar disse que o jato russo estava voando com seu "transponder" (um dispositivo de comunicação que torna mais fácil para um avião para ser localizado) desligado, o que torna difícil para o controle de tráfego comercial localizá-lo.

"O avião militar não tinha transponder mas nós o descobrimos em nosso radar e advertimos o controle de tráfego aéreo civil em Malmo", afirmou Daniel Josefsson, do centro de comando de batalha sueco, ao jornal Dagens Nyheter, no sábado.


Após 150 anos, estopim da Guerra do Paraguai ainda gera controvérsia

Historiadores divergem sobre a verdadeira razão para o início do conflito.
Mas há consenso em dizer que ditador paraguaio errou ao declarar guerra.


Tahiane Stochero
Do G1, em São Paulo

Já se passaram 150 anos do início da Guerra do Paraguai (1864-1870) e ainda há controvérsia entre historiadores sobre os motivos que levaram o ditador paraguaio Francisco Solano López a dar início ao maior conflito armado da América Latina. O Paraguai lutou contra a Tríplice Aliança (Brasil, Argentina e Uruguai) e acabou derrotado. Até hoje o país não se recuperou plenamente das consequências da guerra.

General Mitre e seus oficiais do Estado-Maior durante a Guerra do Paraguai  (Foto: Reprodução/Fundação Biblioteca Nacional)General Mitre e seus oficiais do Estado-Maior durante a Guerra do Paraguai (Foto: Reprodução/Fundação Biblioteca Nacional)

Alguns especialistas entendem que o conflito era parte da política expansionista de Solano López, outros afirmam que foi uma reação "desproporcional" do ditador à invasão do Uruguai pelo Império brasileiro.

Solano López declarou guerra ao Brasil em 13 de dezembro de 1864 e, em seguida, invadiu a região que hoje corresponde a Mato Grosso do Sul. No mesmo ano, o Brasil havia invadido o Uruguai e destituído o presidente.

Para o cientista social e doutor em história das relações internacionais Francisco Doratioto, Solano López tinha um plano: ele teria declarado a guerra em busca de novos territórios e de uma saída para o mar através do domínio do Rio Prata – libertando-se, assim, das tarifas alfandegárias cobradas pelo porto de Buenos Aires.

Autor do livro "Maldita Guerra", Doratioto afirma que, na época, havia litígio de territórios no Rio Grande do Sul e em Mato Grosso do Sul. "López usou a invasão ao Uruguai como desculpa, pois já havia mobilizado forças na fronteira mesmo antes disso acontecer e sem nenhum risco de ameaça", afirma.

Estudioso autodidata do conflito, o brasileiro Júlio José Chiavenato vê em Solano López apenas uma atitude de defesa dos interesses paraguaios, após o Brasil invadir o Uruguai sob alegação de que brasileiros estavam sofrendo ataques em meio à guerra civil que acontecia no país. Para Chiavenato, López entendeu como um ato de guerra a invasão ao país com o qual tinha acordos de defesa mútua.

Autor do livro "Genocídio americano: a guerra do Paraguai", publicado em 1979, Chiavenato entende que Solano López se sentiu ameaçado por pensar que seria o próximo alvo do Império brasileiro. O ditador, porém, não acreditava que a guerra se estenderia por tanto tempo e que se trataria depois de uma atitude suicida iniciar o conflito, afirma o escritor.

"A intervenção brasileira no Uruguai era uma coisa que vinha sendo preparada há muito tempo. A reação do Paraguai foi desproporcional, pois não tinha diplomatas com traquejo para negociar a situação. López teve uma reação passional: quando se viu ameaçado, reagiu de forma patriótica”, diz Chiavenato. Apesar disso, ele acredita que o Brasil queria a guerra. "López só a antecipou."

Em um ponto, porém, há consenso entre os historiadores: Solano López errou ao iniciar uma guerra que matou boa parte da população de seu país e provocou consequências econômicas, sociais e políticas que o Paraguai não conseguiu superar até hoje.

'Culpa do Brasil'

O historiador Ricardo Henrique Salles, autor do livro "Guerra do Paraguai: escravidão e cidadania na formação do Exército", enxerga no Brasil a culpa pelo conflito. "O Paraguai avisou que, se o Brasil invadisse o Uruguai, declararia guerra. López só declarou guerra porque achou a invasão uma ameaça fatal a ele."

Segundo Salles, a História oficial brasileira trata a invasão ao Uruguai e a Guerra do Paraguai como conflitos diferentes quando, na verdade, trata-se de um só. A invasão ao Uruguai foi um "ato agressivo" do Império brasileiro que desencadeou a guerra, afirma.

"A ação do Brasil no Uruguai foi sem provocação alguma, foi uma invasão mesmo, usando pretextos fúteis do assassinato de brasileiros no país quando, na verdade, o governo brasileiro comprou a briga de estancieiros gaúchos que tinham interesse em terras", defende.

Apoio na Argentina

Segundo o historiador, não havia evidências de que, depois do Uruguai, o próximo país a ser invadido seria o Paraguai. Além disso, Solano López teria apostado que enfraqueceria o Brasil e que teria o apoio de grupos na Argentina – superestimando suas forças e subestimando as forças do Império. "A estratégia dele deu errado, ele fez uma guerra errada. Já o Brasil achou que a guerra seria um passeio e que, com o que tinha na época em efetivos militares, daria conta, o que não ocorreu", diz Salles.

Ele diz que a guerra se estendeu mais que o esperado para ambos os lados devido ao "terreno inóspito muito desfavorável e desconhecido" em que foi travada, na fronteira pantanosa, e também "à bravura do soldado paraguaio, que via a guerra como uma agressão à sua terra".

População paraguaia e mortes

Outro ponto controverso que envolve a Guerra do Paraguai é a situação do país na época que começou o conflito.

Corpos de paraguaios mortos durante a guerra empilhados no campo, em imagem de 1866 (Foto: Fundação Biblioteca Nacional)Corpos de paraguaios mortos durante a guerra empilhados no campo, em imagem de 1866 (Foto: Fundação Biblioteca Nacional)

Com base em dados demográficos, Júlio José Chiavenato diz que é possível apontar a população paraguaia em "mais ou menos 800 mil pessoas", e que "a guerra provocou uma matança absurda" deixando o Paraguai em uma situação "que até hoje não se recuperou". Segundo ele, morreu na guerra cerca de 90% da sua população masculina maior de 20 anos.

"Esta guerra foi uma coisa tão indecente e vergonhosa que só durante o conflito que se soube que, no pacto da Tríplice Aliança, havia uma cláusula que previa que ela só terminaria com a morte de López e a troca de poder no Paraguai, não se poderia assinar armistício", afirma o escritor, acrescentando que o conflito produziu um trauma no continente.

"Todos estes números são polêmicos. As informações que eu tenho é que o Paraguai tinha cerca de 400 mil pessoas e que sobraram 180 mil a 200 mil no fim da guerra. Mais de dois terços da população masculina", aponta o professor Doratioto.

Já para Salles, que leciona história na UniRio, os números sobre a população paraguaia na época eram de 300 mil a 700 mil. "Ninguém consegue chegar a um número preciso". Ele discorda de Chiavenato quanto à "matança" provocada pela guerra e afirma que 80% dos mortos – cerca de 300 mil pessoas – foram vítimas de fatores indiretos, como fome e doenças.

Negros e escravos

Outra polêmica do conflito foi o fato de o Brasil ter enviado escravos como soldados. "A maioria dos soldados era negra, mulata, mestiça, mas o Exército não aceitava escravos. Há uma confusão entre a população negra que era livre e a população que era escrava. Cerca de 10% da tropa era de escravos, que foram libertos para lutar. Isso pegou mal para o Brasil na ordem moral e social, um país escravagista ter que recorrer a escravos para se defender", afirma Salles.

Já para Chiavenato, que teve acesso à documentação do conflito, apesar de não haver números oficiais, a maior parte da tropa brasileira era, sim, de escravos. "Eles eram enviados para irem no lugar de brancos de classe média que eram convocados. O Brasil não tinha Exército na época, era uma Guarda Nacional, mas que só existia no papel, com cerca de 23 mil homens que não tinham nem farda”, diz. Já do lado paraguaio, Chiavenato vê o patriotismo como fator preponderante na luta: “Foi uma luta coesa, o povo entendeu que, se a guerra fosse perdida, seria o fim do Paraguai”, diz.

Salles e Doratioto também dizem acreditar nisso: “O paraguaio lutou bravamente. O povo viu a guerra como uma ameaça e uma agressão à sua terra. Claro que, por ser uma ditadura, o governo de López tinha poder coercitivo. Mas isso não explica o povo paraguaio lutar como lutou”, afirma Salles.


14 dezembro 2014

Exército líbio elimina 27 militantes rebeldes em fronteira com Tunísia

O exército líbio eliminou pelo menos 27 militantes dos grupos radicais que operam na fronteira com a Tunísia, segundo noticia o canal de televisão Al-Arabiya.


Voz da Rússia

De acordo com a informação disponível, as batalhas pelo posto fronteiriço de Ras Jdir, na fronteira com a Tunísia, vêm continuando já há vários dias. As autoridades tunisinas haviam fechado a passagem de fronteira para impedir que os extremistas se infiltrassem no país.

Segundo a mídia, as unidades terrestres do exército líbio são apoiadas por aviões.

Enquanto isso, o Al-Arabiya relatou, citando fontes militares líbias, que o referido posto fronteiriço já teria sido tomado pelos militares.



Militares e milicianos voltam a se acusar de violação do cessar-fogo na Ucrânia

O exército ucraniano e a milícia voltaram a se acusar mutuamente de violação do cessar-fogo no Sudeste do país. Assim, segundo o centro de imprensa da operação do exército ucraniano, durante as últimas 24 horas suas posições teriam sido atacadas 14 vezes, principalmente com armas de fogo.


Voz da Rússia

Por outro lado, conforme declarou hoje Eduard Basurin, subcomandante da milícia de Donetsk, à RIA Novosti, no mesmo espaço de tempo o exército ucraniano teria cometido dez violações do cessar-fogo.

Na noite da sexta-feira passada, Piotr Poroshenko declarou que na Ucrânia estava instaurada “uma verdadeira trégua” e aquela foi efetivamente a primeira noite em que nenhum militar ucraniano foi morto ou ferido.


Observadores da OSCE inspecionam aeroporto de Donetsk e ajuda russa

Observadores da OSCE visitaram o que resta do aeroporto internacional de Donetsk, destruído na sequência de batalhas entre militares ucranianas e milícias independentistas.


Voz da Rússia

"O terminal (do aeroporto) está completamente destruído. Na sua área são patentes crateras de explosões e projéteis não detonados", segundo comunica o serviço de imprensa da OSCE.


Ucrânia, Donetsk, aeroporto, OSCE

Os membros da missão notaram que, por falta de segurança, não tinham podido visitar as pistas do aeroporto.

O comunicado da OSCE destaca também que o grupo de observadores presenciou o descarregamento de 50 caminhões com a inscrição "Assistência humanitária da Federação da Rússia". Os membros do grupo confirmaram que a carga vinda da Rússia era humanitária.


Donetsk acusa militares de reforçar posições durante o 'regime de silêncio'

Os militares ucranianos aproveitam o regime de cessar-fogo para reforçar suas posições e minar o terreno, informou aos jornalistas o segundo comandante das milícias de Donetsk Eduard Basurin.


Voz da Rússia

“Estão em curso trabalhos intensivos de engenharia, eles estão minando na área do aeroporto”, disse Basurin.

“Eles estão minando abertamente porque sabem que nós não vamos disparar porque cumprimos o regime de cessar-fogo”, acrescentou Basurin.

Além disso, o segundo comandante das milícias de Donetsk relatou que os militares ucranianos estão deslocando material pesado ao longo da linha de contato em vez de o retirar para a retaguarda de suas posições.

Segundo ele, essas deslocações começaram depois do anúncio do porta-voz da República Popular de Donetsk (RPD) Denis Pushilin que a RPD tinha começado a retirada de sua artilharia pesada. “Antes disso eles não faziam mesmo nada, mas depois do anúncio de Pushilin eles começaram a se mexer”, disse Basurin.

Desde a manhã do dia 9 de dezembro, em Donbass vigora o "regime de silêncio", um armistício acordado entre as milícias e os militares sob os auspícios da OSCE.

As autoridades de Kiev estão realizando no Leste do país uma operação especial contra os partidários da federalização, utilizando para isso o exército. No âmbito da reunião do grupo de contato trilateral (Rússia – Ucrânia – OSCE) para a regulação da crise ucraniana, realizada no dia 5 de setembro de 2014 em Minsk, as autoridades de Kiev e as autoproclamadas República Popular de Donetsk e República Popular de Lugansk chegaram a uma série de acordos, nomeadamente quanto ao cessar-fogo no Leste da Ucrânia e a troca de prisioneiros.



Rússia desenvolve lasers de combate próprios

A Federação da Rússia está desenvolvendo um laser de combate paralelamente aos EUA, informou quinta-feira o antigo chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas da Federação da Rússia, Yuri Baluevsky.


Voz da Rússia

Foi assim que ele comentou a declaração, feita na véspera, pelo chefe da Direção de Pesquisas Navais da Marinha de Guerra americana, Mattew Klunder, de que os testes do laser de combate americano, instalado num navio, “tinham ultrapassado todas as expectativas”.

Informa-se que o novo laser da Marinha de Guerra americana é capaz de destruir pequenos navios e drones.

Yuri Baluevsky ressaltou que o processo de criação de armas eficientes modernas é mais ou menos paralelo em todos os países que podem realizar semelhantes pesquisas.



Rússia planeja construir navios similares aos Mistral

Os itens relativos ao desenvolvimento e à construção de navios porta-helicópteros de desembarque foram introduzidos no programa russo de construção naval militar até 2050, disse uma fonte sênior do complexo de indústria militar da Rússia.


Voz da Rússia


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Submarinos russos Classe Borei 955

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13 dezembro 2014

Foguete transportando satélite de defesa dos EUA é lançado

Veículo foi enviado ao espaço na base Vandenberd, na Califórnia.
Agência federal de inteligência não forneceu mais detalhes da missão.


Do G1, em São Paulo

Um satélite de defesa dos Estados Unidos foi lançado da costa central da Califórnia nesta sexta-feira (12) em uma missão que vem sendo mantida sob sigilo pela agência federal de inteligência do país (NRO, na sigla em inglês).

Foguete é lançado com satélite do agência de inteligência dos EUA (Foto: Gene Blevins/Reuters)Foguete é lançado com satélite do agência de inteligência dos EUA (Foto: Gene Blevins/Reuters)

O foguete não-tripulado Atlas V 541 foi lançado da Base da Força Aérea de Vandenberg após a operação ter sido adiada um dia antes devido às condições climáticas desfavoráveis com nuvens carregadas, chuvas e ventos fortes na região.

Devido ao caráter confidencial da missão, nenhuma informação sobre o satélite foi divulgada.


ODT assina contrato para atualização e continuidade de testes de avaliação do Sistema MSS 1.2 AC

LOTE-PILOTO FORNECIDO AO EXÉRCITO E À MARINHA SERÁ AVALIADO EM 2015


Força Terrestre


A Odebrecht Defesa e Tecnologia (ODT), através da sua subsidiária Mectron, de São José dos Campos, assinou com o CTEx – Centro Tecnológico do Exército Brasileiro um novo contrato que dá continuidade aos ensaios de avaliação do lote-piloto do Sistema de Armas Míssil Superfície-Superfície Anticarro MSS 1.2 AC produzido pela empresa e entregue, no decorrer de 2013 e 2014, ao Exército Brasileiro e também ao Corpo de Fuzileiros Navais da Marinha do Brasil.

Atirador MSS 1_2

Esse contrato prevê o desenvolvimento de um giroscópio (dispositivo usado para indicar as mudanças de rolamento do míssil) com novos requisitos técnicos, bem como sua fabricação e atualização nos mísseis já entregues a serem usados no processo de avaliação. Prevista para ser finalizada em 2015, esta avaliação consiste de uma série de ensaios e testes de caráter técnico e operacional, incluindo em sua parte final lançamentos de vários mísseis contra alvos. A grande maioria dos testes é realizada no Campo de Provas da Restinga da Marambaia/RJ.

O MSS 1.2 AC é um sistema de armas para lançamento de míssil superfície-superfície, anticarro, de médio alcance, guiado a laser, para uso por tropas em solo ou embarcado em viaturas. É composto pela munição (míssil e tubo lançador) acoplada a uma unidade de tiro para mira e disparo, resultando em um sistema leve, de fácil transporte e rápida entrada/saída de posição. Sua guiagem do tipo “beam-rider” é altamente imune a contramedidas e seu sistema de propulsão, que não deixa rastro de fumaça, proporciona segurança ao atirador evitando que sua posição de tiro seja identificada.

Além de munições e unidades de tiro, também foram entregues ao Exército e à Marinha equipamentos de teste e simuladores para treinamento de atiradores.


BAE Systems e Exército Brasileiro completam atualização do 100º veículo militar M113

Forças Terrestres

Curitiba – 5 de dezembro de 2014: A BAE Systems e o Exército Brasileiro concluíram a atualização do 100º veículo M113 à configuração M113A2 Mk1 (M113BR), um marco significativo para o programa. A modernização aumenta o serviço da frota do Exército e expande suas capacidades de defesa.




“Este é um marco importante para a BAE Systems e nosso parceiro de longa data, o Exército brasileiro”, disse Adam Zarfoss, Diretor de Artilharia e Recuperação de Veículos da BAE Systems. “A entrega do centésimo veículo atualizado é um resultado direto de nossa relação de trabalho com o Exército, desenvolvida por meio de um forte programa de compartilhamento de tecnologia.”

A BAE Systems recebeu o contrato para trabalhar com o Exército Brasileiro para converter 150 veículos M113B à configuração M113A2 Mk1 em dezembro de 2011. A equipe, utilizando recursos provenientes da indústria local e do Parque de Manutenção 5 (Pq R Mnt/5) – reutiliza cascos de veículos, escotilhas, e rampas existentes para substituir ou atualizar componentes como motores, transmissões e sistemas de refrigeração. Como parte do contrato, a empresa também está transferindo tecnologia para os novos veículos e trabalha com o Exército Brasileiro para oferecer treinamento sobre atualização e manutenção dos veículos.

A família de veículos M113, a maior do mundo sobre lagartas, inclui mais de 80.000 veículos nas forças armadas de pelo menos 44 países. O M113, um dos mais versáteis veículos militares, pode transportar 12 soldados e um motorista e é capaz de operar em terrenos acidentados, missões anfíbias, e desenvolver alta velocidade em estradas e rodovias. As atualizações contínuas para o sistema ajudam a manter a relevância do M113 para as próximas três ou quatro décadas.

Além do programa de atualização M113, a BAE Systems mantém parcerias com transferência de tecnologia com a indústria brasileira em outros programas, incluindo o radar Artisan 3D naval, o canhão naval de 40mm e os controles de voo para o KC 390.


Brasil deve fechar em 2015 compra de bateria antiaérea russa por R$ 2,5 bi

Militares brasileiros acompanharam testes em Moscou.
Mísseis capazes de atingir alvo a 15 km seriam colocados em RJ, DF e SP.


Tahiane Stochero
Do G1, em São Paulo

Técnicos militares brasileiros visitaram a Rússia recentemente para estudar a forma de integrar baterias antiaéreas que podem abater aviões ao modelo de defesa aeroespacial brasileiro. O armamento também pode derrubar mísseis e drones a até 15 km de altitude. O objetivo da visita foi de finalizar os requisitos logísticos e industriais das necessidades do Brasil para adquirir o armamento, segundo o Ministério da Defesa.

Pantsir S-1 (Foto: Anton Denisov/Ria Novosti/AFP)Bateria antiaérea Pantsir S-1, que o Brasil está negociando com a Rússia e é usada na Síria e no Iraque (Foto: Anton Denisov/Ria Novosti/AFP)

O contrato para a compra de três baterias do armamento de média altura Pantsir-S1, usado até por países em conflito como Síria e Iraque, deve ser assinado até julho de 2015, diz o ministério. Na América Latina, apenas a Venezuela possui um sistema de artilharia de média altura que atinge alvos entre 3 km e 15 km de altitude, segundo o general João Chalella Júnior, comandante da Brigada de Artilharia Antiaérea do Exército Brasileiro.

Além das três baterias de Pantsir, o Brasil está comprando dos russos duas baterias do modelo Igla, de baixa altura (atingem alvos a até 3 km), que as forças militares brasileiras já possuem e que serão renovadas por aproximadamente R$ 42 milhões.

O total da transação, envolvendo as cinco baterias e a logística para implementação, ficará em R$ 2,562 bilhões, informa o Ministério da Defesa. Só as três Pantsir-S1 custam R$ 1,8 bilhão.

A proposta final da fabricante do Pantsir deverá ser apresentada ao governo brasileiro formalmente até fevereiro de 2015. A previsão é de que os equipamentos não cheguem a tempo das Olimpíadas de 2016, segundo a pasta.

O plano é distribuir o sistema entre as Forças Armadas do país: uma bateria, a do Exército, será colocada em Brasília, para proteger o Palácio do Planalto e os órgãos administrativos federais. A segunda, da Aeronáutica, será posicionada em São José dos Campos (SP), onde está instalado o complexo industrial com importantes fábricas do setor, como a Embraer, que fará a construção e a montagem final do novo caça do Brasil, o Gripen.

Já a terceira bateria, pertencente à Marinha, será posicionada no Rio de Janeiro, para defender os submarinos nucleares, que estão sendo fabricados no estado, e também o pré-sal.

Projeto similar

Uma empresa nacional, a Avibras, anunciou recentemente um projeto com um consórcio europeu para o desenvolvimento conjunto de uma artilharia semelhante e de fabricação nacional.

Ao G1, o brigadeiro Antonio Carlos Moretti Bermudez, chefe de logística do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, respondeu que "o processo de negociação do sistema de defesa antiaérea de média altura russo é consequência de um acordo" com a Rússia em que haverá "transferência irrestrita de tecnologias agregadas de conteúdo nacional" e que o sistema brasileiro que será produzido pela Avibras "não se trata de um concorrente", mas que poderá ser "complementar".

O presidente da Avibras, Sami Hassuani, informou que a parceria com o consórcio europeu é para um produto destinado à Marinha e que poderá apoiar o governo federal industrialmente caso seja escolhida para fornecer outros equipamentos.

Visita russa ao Brasil

O comandante das tropas de misseis antiaéreos da Força Aérea da Rússia, general Serguei Babakov, esteve recentemente no Brasil para conhecer a forma de controle e defesa aérea brasileira e atuar no planejamento da efetiva “compatibilidade” das armas russas com o cenário de artilharia local.

“A visita dos russos era para que conhecessem a estrutura de artilharia antiaérea das Forças Armadas do Brasil, desde seu mais alto nível de comando e controle até as unidades táticas que executam a missão. Foram demonstradas as reais necessidades para que seja efetuada a integração do sistema russo ao sistema brasileiro”, disse ao G1 o brigadeiro Gérson Machado, titular da Chefia de Logística (Chelog) do Ministério da Defesa e que coordena o processo de aquisição do Pantsir.

“A vinda de um oficial general com vasta experiência operacional tornou a visita bastante efetiva. Foi quando se pode correlacionar, em todos entendimentos, a parte operacional com as possibilidades técnicas do equipamento”, afirmou o brigadeiro Gérson Machado.

O general Babakov conheceu o 11º Grupo de Artilhara Antiaérea do Exército, no Distrito Federal, e também o comando de defesa aérea do país, recebendo informações técnicas de como a Aeronáutica controla o espaço aéreo brasileiro.

Testes em Moscou

Em agosto, em meio à crise do conflito russo com a Ucrânia, após a anexação da península da Crimeia pelos russos, um grupo de militares brasileiros acompanhou testes de lançamentos de mísseis do Pantsir em Moscou. Em um dos casos simulados, um míssil acertou hipoteticamente uma aeronave a cerca de 11 km de altitude.

Segundo o brigadeiro Gérson Machado, foram apresentadas aos militares brasileiros “todas as funcionalidades do equipamento em campo de provas” e também planejados dois cenários de operações: no primeiro caso foi lançado um míssil real para atingir um alvo a cerca de 20 km de distância.

Em outro, foi realizado um lançamento eletrônico contra um caça de combate russo MIG-29 a 36 mil pés (11km de altitude).

“Nos dois lançamentos o sistema atendeu aos requisitos exigidos pela parte brasileira. A impressão que ficou, após os testes, é que o Pantisir-S1 é um sistema confiável”, disse o brigadeiro.

O pedido para que os brasileiros pudessem acompanhar um exercício de campo real foi feito pela presidente Dilma Rousseff ao colega russo, Vladimir Putin, no Ceará em julho, durante a Cúpula do Brics.


‘Efeito Gripen’ alcança a Força de Minagem e Varredura

Roberto Lopes
Exclusivo para o Poder Naval

A visibilidade adquirida no Brasil pela indústria de material de Defesa da Suécia, após a vitória do caça Gripen NG na concorrência FX-2, da Aeronáutica, pode representar um ganho real para a Força de Minagem e Varredura, sediada na Bahia.

A Marinha encontrou, nos mais recentes modelos de navios de contramedidas de minagem fabricados no país escandinavo, uma identidade que há muito procurava com o porte da embarcação que julga ser adequada para renovar sua flotilha destinada à guerra de minas.

O estaleiro Kokums AB, da cidade de Malmo, na Suécia – empresa do grupo SAAB –, produz um pequeno conjunto de barcos com deslocamento entre 205 e 360 toneladas, cuja eventual adoção pela Esquadra brasileira não representaria impacto demasiadamente grande em relação à classe “Aratu” (Schültze, alemã), que há mais de 40 anos equipa a Força de Minagem e Varredura.


kockums_landsort

Os chefes navais brasileiros já examinaram as características das unidades suecas de contraminagem por duas vezes este ano.


A primeira em abril, quando o diretor de Engenharia Naval da Marinha, vice-almirante Francisco Roberto Portella Deiana visitou a Suécia. E a segunda na última semana de novembro, quando Deiana – acompanhado de oficiais e engenheiros brasileiros – recepcionou, no Rio, altas patentes da força naval sueca e representantes da indústria de Material de Defesa local – grupo que incluía a Kokums AB.

Tecnologia – A matriz da fase mais recente do desenvolvimento sueco nesse segmento de embarcações, iniciada em 2005, foi a classe “Landsort”, uma unidade de 270 toneladas (360 carregada), que mede os mesmos 47,5m de comprimento dos navios “Schültze”, tem estabilidade garantida pela boca de 9,6m (contra os 7,2m do barco alemão), e apesar de maior e muito mais bem equipada do ponto de vista de sensores e sistemas eletrônicos, exige uma tripulação 20% menor que a “Aratu”.

O casco é feito de um composto de fibra de vidro reforçado por plástico de alta rigidez. Esse amálgama de materiais ajuda a reduzir as assinaturas acústica e magnética da embarcação. E ainda confere certa resistência à estrutura da embarcação, no caso de uma eventual onda de choque causada por explosões próximas do casco.

Outros dois dados que impressionaram bem os especialistas brasileiros: os navios suecos usam plataformas marítimas controladas à distância para penetrar áreas marítimas minadas pelo inimigo, e também trabalham com os chamados ROVs – sigla em inglês de “veículos operados remotamente” (remotely operated vehicles).

A Força de Minagem e Varredura tem estimulado as pesquisas de universidades com robôs submarinos, buscando identificar um modelo com aptidões para a guerra de minas.

Nos últimos seis anos, estudos do Estado-Maior da Armada e do Comando de Operações Navais, que motivaram a organização de seminários sobre guerra de minas, vêm recomendando a transformação da atual Força de Minagem e Varredura em Força de Contramedidas de Minagem. A medida importaria, claro, na substituição das embarcações classe “Schültze”, e de preferência por uma classe que possa ser fabricada em estaleiros nacionais.

Desde a década de 1990, o Comando da Marinha tem autorizado a viagem de oficiais especialistas em guerra de minas para atender cursos e estágios nas unidades de contramedidas de minagem das marinhas da Bélgica, da Itália e dos Estados Unidos.

As forças belga e italiana estão incumbidas de fornecer boa parte da proteção anti-minas requerida pelos navios da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) no norte da Europa e no Mar Mediterrâneo. Ocorre que os navios que essas esquadras adotam são bem mais pesados (e onerosos) que as unidades suecas: mais de 500 toneladas, no caso das embarcações belgas, e mais de 600 toneladas no caso dos barcos italianos.

Treinados pela Marinha do Brasil, São Tomé e Príncipe forma primeira companhia de fuzileiros

Vinte e quatro dos quarenta e oito militares que deverão integrar a primeira companhia de fuzileiros navais de São Tomé e Príncipe foram incorporados na Guarda Costeira. Os novos fuzileiros foram treinados durante quatro meses por um grupo de oficiais da Marinha brasileira.


Portugal Digital
Da Redação, com agência Panapress

São Tomé - Vinte e quatro dos quarenta e oito militares que deverão integrar a primeira companhia de fuzileiros navais de São Tomé e Príncipe foram incorporados quarta-feira na Guarda Costeira.




O recrutamento e formação dos fuzileiros navais de São Tomé e Príncipe responde à política de reforma das Forças Armadas iniciada há cinco anos.

Os vinte e quatro fuzileiros foram treinados durante quatro meses por um grupo de oficias da Marinha brasileira que se encontra destacado em São Tomé e Príncipe desde o ano passado.

Nas aulas eles aprenderam técnicas de pessoal, instrução militar, naval, controlo de distúrbios e operações defensivas, diurnas e noturnas.

A supervisão das águas territoriais santomenses, que no passado serviram de rota de comércio de especiaria do Oriente e que agora estão a ser ameaçadas pela pirataria, é uma das missões da companhia de fuzileiros que estará completa com a segunda formação prevista para meados de 2015.

A formação administrada pelos oficias da Marinha brasileira resulta da cooperação técnico-militar entre o Brasil e São Tomé e Príncipe e que começou com a entrega de equipamentos militares para a Marinha santomense.



Submarino ‘Timbira’ é o primeiro a atracar na nova Base Naval em Itaguaí

OBJETIVO FOI VERIFICAR A ADEQUABILIDADE DA ATRACAÇÃO DOS SUBMARINOS CLASSE ‘TUPI’ NO CAIS DA NOVA BASE


Poder Naval

O Submarino Timbira tornou-se, em 25 de novembro de 2014, o primeiro submarino a atracar no cais do Estaleiro e da Base Naval (EBN) em Itaguaí (RJ), local que abrigará a nova Base de Submarinos da Marinha do Brasil. A manobra foi acompanhada pelo Coordenador do Programa de Desenvolvimento de Submarinos (PROSUB), Almirante-de-Esquadra Gilberto Max Roffé Hirschfeld, e pelo Gerente do Empreendimento Modular 18, Contra-Almirante Newton de Almeida Costa Neto.

Timbira atraca no EBN Itaguaí - foto Marinha do Brasil
Foto: Marinha do Brasil
O objetivo da comissão foi verificar a adequabilidade da atracação dos submarinos Classe “Tupi” no cais da nova base naval.

A comissão também serviu como preparativo para os eventos que antecederão a cerimônia de inauguração do prédio principal do Estaleiro de Construção, no dia 12 de dezembro de 2014.

Fruto de uma parceria firmada entre os governos da França e do Brasil, que culminou na criação do PROSUB, o estaleiro e a nova base de submarinos estão sendo edificados no município de Itaguaí. O complexo ocupará uma área de mais de 90 mil metros quadrados e deve estar pronto até o ano de 2015. No local, serão construídos quatro novos submarinos convencionais e o primeiro submarino com propulsão nuclear brasileiro, numa iniciativa que colocará o Brasil em destaque, como o primeiro país da América Latina a atingir tal avanço tecnológico.

Marinha do Peru incorporou o ex-HNLMS ‘Amsterdam’ rebatizado como BAP ‘Tacna’

Alejo Marchessini, correspondente no Peru | Defensa.com
Poder Naval

A Marinha do Peru, confirmou a aquisição do navio de apoio logístico HNLMS Amsterdam (A386). O contrato, de valor não revelado, prevê que HNLMS Amsterdam deverá ser entregue à Marinha em dezembro deste ano. Esta aquisição, como parte do programa de modernização das Forças Armadas, vai aumentar substancialmente a capacidade das unidades da frota nas áreas de operações.



Além disso, esta unidade vai ser muito útil em caso de desastres naturais, devido à sua capacidade de combustível, diesel e da aviação, água, alimentos secos e refrigerados, e sua capacidade de enfermagem e evacuações aeromédicas. O HNLMS Amsterdam, construído no estaleiro Hardinxveld and Royal Schelde (Holanda), entre 1992 e 1995, foi encomendada na Marinha Real Holandesa em 2 de setembro de 1995. Tem um comprimento de 166m, uma largura de 22m e um calado de 8m, deslocamento estimado em carga de 17.000 toneladas.

A propulsão é composta por dois motores diesel Burmeister & Wain-Bazan de 24.000 HP que lhe confere uma velocidade de 22 nós. O alcance a 20 nós é 13.440 milhas náuticas. A tripulação é de 160 homens. Ele pode transportar 6.815 tonelada de diesel e 1.660 toneladas de combustível de aviação, assim como 290 toneladas de carga. Está equipado, entre outros, com radar de vigilância de área, sistemas ESM Ferranti AWARE-4 e despistadores SRBOC MK-36.

O armamento consiste em duas metralhadoras Browning M-2HB 12,7mm, e CIWS SGE-30 Goalkeeper de 30 mm. Este sistema antimíssil – com base no GAU-8 Avenger – pesa 6.800 kg, gira 360 graus e funciona no modo totalmente automático. A taxa de tiro é de 4.200 tiros por minuto (1.190 munições prontas para disparar) e uma gama de letalidade, que abrange de 200m a 3km, com um poder de fogo de cerca de 75 tiros por segundo.

O HNLMS Amsterdam tem um grande convoo e um hangar capaz de acomodar três helicópteros SH-3D Sea King ou similares. 



Marinha do Brasil vai avaliar o navio de assalto anfíbio francês ‘Siroco’

Poder Naval

A MB enviará comitiva coordenada pelo CMG (EN) Luiz Carlos Delgado, outros 5 oficiais superiores e um Engenheiro de Tecnologia Militar, todos lotados na DEN, que embarcarão para Toulon, no dia 13.12.2014, para realizar visita técnica ao navio de assalto anfíbio (LPD) Siroco (L9012), da classe “Foudre”.


Siroco

O objetivo é avaliar as condições do navio e a possibilidade de a MB vir a operá-lo. Caso a avaliação seja positiva, ele deverá ser adquirido.

A avaliação ocorrerá entre os dias 16 e 18 de dezembro.


Com o fim dos Nimrod, Grã-Bretanha apela a aliados para fazer busca a submarino intruso

Poder Naval

A Grã-Bretanha foi forçada a recorrer a seus aliados da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) por aeronaves de patrulha marítima para ajudar na busca a um submarino estrangeiro suspeito, depois de o Governo desmantelar seus próprios aviões de patrulha em cortes na defesa.


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No auge da operação, cinco aeronaves de quatro nações diferentes estavam trabalhando com os navios da Royal Navy na busca pelo contato misterioso.

Uma vez que o Governo desistiu dos Nimrods na Strategic Defence and Security Review de 2010 – alegando que iria economizar £ 2 bilhões ao longo de uma década – o Reino Unido não dispõe de um avião especializado de patrulha marítima.

Ontem à noite, o SNP (Scottish National Party) protestou como ‘absurdo’ e ‘constrangedor’ que uma nação marítima tenha que depender de seus aliados para um apoio deste tipo.

Um periscópio foi avistado nas águas em que os submarinos britânicos normalmente vêm à tona quando se dirigem para ou fora da base de submarinos da Marinha Real em Faslane, na Escócia – base dos submarinos de mísseis balísticos do Reino Unido.

Aeronaves de patrulha marítima (MPA) da França, Canadá e EUA realizaram buscas, em conjunto com navios de guerra de superfície britânicos, que começaram em torno de 26 de novembro e prosseguiram na primeira semana de dezembro, operando a partir da base Lossiemouth da RAF.

O Ministério da Defesa (MoD) confirmou que tinha recebido a ajuda de aliados da OTAN, mas não quis dizer se eles estavam em busca de um submarino.

Mas um porta-voz do Ministério da Defesa do Reino Unido disse à Aviation Week que a Grã-Bretanha tinha “solicitado a assistência das forças aliadas para basear suas aeronaves de patrulha marítima em RAF Lossiemouth por um período limitado”, acrescentando: “As aeronaves estão realizando atividade de patrulhamento marítimo com a Marinha Real; nós não discutimos os detalhes de operações marítimas.



FAB suspende contratos com a Dallas Airmotive por denúncia de suborno

Por Thais Carrança | Valor

SÃO PAULO - A Força Aérea Brasileira (FAB) informou nesta sexta-feira que suspendeu a execução dos contratos com a empresa americana Dallas Airmotive, especializada na manutenção de motores de aeronaves, até o esclarecimento de denúncias do Departamento de Justiça dos Estados Unidos, que vieram a público na quinta-feira.

“Se as acusações forem comprovadas, a FAB vai rescindir os contratos, buscando inclusive o ressarcimento cabível”, disse a FAB em comunicado.

A Força Aérea afirmou ainda que instaurou um Inquérito Policial Militar para apurar o envolvimento dos acusados, ainda não identificados ao público. “Ressaltamos que a FAB repudia atitudes desta natureza e atua firmemente para coibir desvios de conduta de seu efetivo”, conclui a Aeronáutica.

Ontem, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos divulgou que a Dallas Airmotive admitiu ter violado legislação contra prática de corrupção no exterior, aceitando pagar multa de US$ 14 milhões por suborno a funcionários públicos no Brasil, Peru e Argentina.

A companhia com subsidiária brasileira em Belo Horizonte reconheceu o envolvimento de cinco de seus funcionários no pagamento de propina a um suboficial e um sargento da Força Aérea Brasileira (FAB) e a um funcionário do gabinete do governo de Roraima, entre 2008 e 2012. Os pagamentos visavam garantir contratos de manutenção para a empresa.


Polícia encontra escopeta roubada de sentinela da Granja do Torto

Crime foi na terça; local é uma das residências da Presidência da República.
Ladrão é soldado desertor do Exército e assumiu assalto, afirma a polícia.


Do G1 DF

Foi encontrada na noite desta quinta-feira (12) a arma do soldado do posto de sentinela de uma das residências oficiais da Presidência da República, na Granja do Torto, que foi levada durante um roubo na terça. A escopeta calibre 12 estava em uma casa de Santo Antônio do Descoberto, no Entorno do DF. A polícia chegou ao local após vizinhos ligarem relatando que ouviram tiros.



Os militares ligaram para o Exército assim que viram o brasão na arma. De acordo com a corporação, um jovem de 20 anos disse ser soldado do desertor e assumiu o crime. Ele afirmou ainda que roubou a escopeta porque estava se sentindo ameaçado.

"Ele fala que, chegando lá, o sentinela da arma estava dormindo, e ele pegou a arma. Quando pegou, ele acordou e disse que não fez mal nenhum com o sentinela, mas o conduziu até mais para dentro da mata onde estava o carro dele", explicou um dos policiais. "Segundo ele, se ele soltasse ele antes, correria o risco de ele informar os outros e não daria tempo para ele fugir."

Em depoimento, o guarda disse à polícia que foi surpreendido por três homens encapuzados e, então, levado e abandonado em uma área do Lago Oeste. A abordagem teria ocorrido às 3h30. O homem diz que ouviu um barulho em um mato e, quando foi verificar a situação, foi rendido por um dos ladrões. Os outros dois teriam aparecido em seguida, nas costas dele.

Ainda de acordo com o depoimento, o militar disse que foi liberado às 5h perto de duas torres de telecomunicação conseguiu voltar a pé para o posto de guarda. Lá, comunicou os superiores a respeito do crime. Ele afirma que não foi agredido. O caso é investigado pela Delegacia de Repressão a Roubos e Furtos.

Em nota, o Exército informou que analisa todas as possibilidades. A previsão para investigação por parte da organização é de 30 dias.

De acordo com a Presidência da República, a Granja do Torto tem 37 hectares. O nome está relacionado à localização, na Fazenda do Riacho Torto. Quando ocupou a Presidência da República, de 1979 a 1985, o general João Figueiredo residiu na Granja, onde criava cavalos.

Durante a transição do governo de Luiz Inácio Lula da Silva para o da presidente Dilma Rousseff, entre 2010 e 2011, o local foi utilizado como um dos gabinetes de transição, onde havia reuniões entre representantes do então governo e da atual gestão.

Em julho deste ano, o presidente de Cuba, Raúl Castro, se hospedou a pedido na Granja do Torto. A assessoria da Presidência disse na época que é "praxe” nas relações diplomáticas em todo o mundo disponibilizar hospedagem aos chefes de Estado em visita ao país.

Palácio da Alvorada

A presidente Dilma Rousseff mora, na companhia da mãe e de uma tia, na outra residência oficial que fica em Brasília, o Palácio da Alvorada. Ela ficou na Granja do Torto até assumir o cargo. O G1 procurou a Presidência da República para comentar o assunto, mas não obteve retorno até a última publicação desta reportagem.

O Palácio da Alvorada foi projetado por Oscar Niemeyer e inaugurado em 1958. O primeiro andar constitui a parte residencial do do prédio, com quatro suítes e salas íntimas. A parte térrea é usada para reuniões da Presidência. No subsolo fica toda a parte da administração do Palácio, além da sala de jogos e de um auditório para 30 pessoas.

12 dezembro 2014

Empresa americana diz que pagou propina a FAB e ao governo de Roraima

Dallas Airmotive admitiu à Justiça dos EUA subornos entre 2008 e 2012.
FAB vai apurar caso e ex-governador se pronunciará posteriormente.


Do G1, em São Paulo

Uma empresa americana de manutenção de motores de aeronaves admitiu à Justiça dos Estados Unidos que pagou propina a dois oficiais da Força Aérea Brasileira (FAB) e a um funcionário do gabinete do ex-governador de Roraima José de Anchieta Júnior (PSDB). Um comunicado do Departamento de Justiça dos EUA publicado nesta quarta-feira (10) informa que a Dallas Airmotive pagará US$ 14 milhões de sanção penal por descumprir a lei que pune empresas do país que praticam corrupção no exterior. 

Datalhe de documento apresentado à corte federal do Texas sobre pagamento de propina da Dallas Airmotive a autoridades Brasileiras (Foto: Reprodução)Detalhe de documento entregue à corte do Texas sobre pagamento de propina à autoridades brasileiras (Foto: Reprodução)

Procurada, a FAB disse que soube do caso pela imprensa e que abriu processo para apurar os fatos. José de Anchieta Júnior disse que se informará sobre o assunto antes de se pronunciar. Em nota, a Dallas Airmotive confirmou o pagamento de suborno e atribuiu as ilegalidades a funcionários que já estão fora da empresa.

Segundo o Departamento de Justiça dos EUA, a Dallas detalhou que, entre 2008 e 2012, subornou funcionários da FAB e do gabinete do governo estadual de Roraima, na época sob administração de José de Anchieta Júnior.

Entre os mecanismos usados pela empresa para o pagamento da propina estavam acordos com empresas de fachada, pagamentos a terceiros e oferecimento de presentes aos funcionários, como pagamento de viagens de férias, diz o comunicado, que não cita os nomes dos envolvidos .

O processo apresenta também trocas de e-mails que teriam indícios de pagamento de propinas. Em um deles, um dos militares escreve a um agente de vendas da empresa americana. "Envio as informações da companhia, não se preocupe. A companhia aqui no Rio mostra o meu nome como sócio e por isso eu não poderia fazer negócios com você, o TCU [Tribunal de Contas da União] não permite (risos)", diz a mensagem eletrônica.

Ainda de acordo com o documento, um escritório da Dallas Airmotive em Belo Horizonte (MG) realizava os contratos de serviços da empresa com clientes comerciais e governos da América Latina. A filial brasileira foi procurada, mas ainda não se pronunciou sobre o caso. Veja aqui a íntegra do documento, em inglês.

Segundo o "Wall Street Journal", no documento de informação criminal em que a empresa assume os atos, os promotores acusam a Dallas Airmotive de conspiração e de violar as disposições anti-suborno da Foreign Corrupt Practices Act – lei americana de 1977 que proíbe empresas do país de pagarem funcionários de governos estrangeiros para obter ou manter negócios.

FAB e José de Anchieta Júnior

"Não vou declarar nada, porque vou me inteirar da notícia primeiro. Eu não vou me declarar enquanto eu não apurar isso direito. Eu não tenho conhecimento, não me lembro. Vou apurar isso aí. Vou me inteirar disso e só me pronuncio depois", disse por telefone José de Anchieta Júnior ao ser procurado pelo G1.

Em nota, a FAB informou que tomou conhecimento através da imprensa nacional do acordo firmado entre a Dallas Airmotive e o Departamento de Justiça Americano, onde foi citado o fornecimento de propina a militares de seu efetivo. "Sobre o assunto a FAB esclarece que não recebeu nenhuma notificação oficial do Departamento de Justiça Americano. Informa ainda que já iniciou uma processo investigativo sobre o fato denunciado.”

Em nota, um porta-voz da empresa Dallas Airmotive disse que a ética e a governança são valores da empresa e atribuiu as irregularidades a "um número limitado" de empregados terceirizados e funcionários que atuavam na América do Sul no período investigado – e que não formam mais parte dos quadros da empresa.

Também informa que foi trocada a chefia de operações da empresa na América do Sul e que o Departamento de Justiça americano reconheceu a cooperação da Dallas Airmotive com as investigações e as melhorias em programas de governança e controle, e no compromisso da empresa para futuros aprimoramentos.

10 dezembro 2014

Clube Militar vê coleção de 'calúnias' em relatório da Comissão da Verdade

Texto responsabiliza 377 por crimes na ditadura, a maioria militares.
Em nota, general aponta 'absurdo' chama opositores de 'angelicais terroristas'.


Lucas Salomão
Do G1, em Brasília

O Clube Militar, formado por militares da reserva, chamou de "absurdo" o relatório final da Comissão Nacional da Verdade, classificado em nota divulgada pela entidade como "uma coleção de meias verdades, calúnias e mentiras inteiras, embaladas com pedaços de verdade".

O relatório foi entregue nesta quarta-feira (10) à presidente Dilma Rousseff. Para a entidade, o documento é uma "peça requentada porque só confirma bandeiras preexistentes na esquerda brasileira".

Em nota divulgada na tarde desta quarta, o presidente do Clube, general Gilberto Rodrigues Pimentel, afirma que o relatório da CNV é uma coleção de "meias verdades, calúnias e mentiras inteiras, embaladas com pedaços de verdade". Para Pimentel, a divulgação do texto só confirma a "orientação socialista" dos membros da comissão. O general também classifica a Comissão da Verdade de "risível" e "parcial" (veja íntegra da nota ao final da reportagem).

"Das suas 29 recomendações, várias miram diretamente as Forças Armadas, como agentes do Estado. Nenhuma faz referência à ação dos terroristas, guerrilheiros, sequestradores e assassinos esquerdistas que tentavam tomar o poder à força e estabelecer no País um governo totalitário comunista de modelo soviético, chinês ou cubano", diz trecho da nota.

"O ódio e o desejo de vingança são tão grandes que um absurdo desses é assinado por advogados, juristas e professores universitários. Tudo em nome da causa socialista. É peça requentada porque só confirma bandeiras preexistentes na esquerda brasileira", continua.

A nota também afirma que a CNV foi criada para "alterar a Lei de Anistia parcialmente" para punir os agentes do Estado que "combateram e venceram as tentativas comunistas de tomada do poder no Brasil".

Relatório final

O relatório final da Comissão Nacional da Verdade aponta 377 pessoas como responsáveis diretas ou indiretas pela prática de tortura e assassinatos durante a ditadura militar, entre 1964 e 1985 (veja lista com os nomes dos 377).

Com 4.328 páginas, o documento consolida o trabalho da comissão, após dois anos e sete meses de audiências públicas, depoimentos de militares e civis e coleta de documentos referentes ao regime militar (consulte a íntegra).

Segundo o documento, a identificação da autoria dos crimes foi feita com base em documentos, depoimentos de vítimas e testemunhas, inclusive de agentes públicos que teriam participado da repressão. A CNV afirma no relatório que, devido à falta de documentos, relatos ou testemunhas, há nomes "conhecidos" não incluídos na lista porque não foi possível comprovar a participação deles em violações de direitos humanos.

O relatório faz recomendações ao governo, entre as quais a de que os apontados como responsáveis de cometer crimes contra a humanidade respondam na Justiça e a do reconhecimento pelas Forças Armadas da sua responsabilidade pelas violações de direitos humanos.

A responsabilização criminal, que implicaria rever a Lei da Anistia, de 1979, não foi unanimidade entre os conselheiros da comissão.

O tema já foi tratado pelo Judiciário em 2010, quando o Supremo Tribunal Federal (STF) julgou uma ação da Ordem dos Advogados do Brasil que pedia que fosse declarada inconstitucional a Lei da Anistia. Por maioria absoluta, o Supremo apoiou a tese que garantiu a validade da Lei da Anistia para os delitos cometidos pelos dois lados durante a ditadura militar, beneficando de forma recíproca tanto os agentes de estado quanto os que aderiram à luta armada contra a ditadura. Ao G1, ministros que participaram daquele julgamento questionaram a possibilidade de punição.

Veja íntegra da nota divulgada pelo Clube Militar:

RELATÓRIO REQUENTADO


A espúria Comissão Nacional da Verdade emitiu, finalmente, seu relatório.

Tratando-se de entidade que alterou a seu bel-prazer sua missão, o objeto da lei e o prazo em que ocorreram os fatos a investigar, tudo através de decisões internas, legislando em causa própria sem que os poderes desrespeitados reagissem, perdeu, na origem, a imparcialidade que devia orientar seus trabalhos e, consequentemente, sua credibilidade.

A finalidade da CNV, desde sua concepção, sempre foi uma só: alterar a Lei de Anistia parcialmente, de maneira que os agentes do Estado, que combateram e venceram as tentativas comunistas de tomada do poder no Brasil, não sejam protegidos pela dita Lei. Quanto aos angelicais terroristas, merecem toda a proteção e indenizações criadas ou a criar.

O relatório só poderia ser uma coleção de meias verdades, calúnias e mentiras inteiras, embaladas com pedaços de verdade cuja divulgação confirme a orientação socialista dos comissários.

Das suas 29 recomendações, várias miram diretamente as Forças Armadas, como agentes do Estado. Nenhuma faz referência à ação dos terroristas, guerrilheiros, sequestradores e assassinos esquerdistas que tentavam tomar o poder à força e estabelecer no País um governo totalitário comunista de modelo soviético, chinês ou cubano.

Entre as medidas sugeridas, destacam-se:

- o reconhecimento, pelas Forças Armadas, de sua responsabilidade pela ocorrência de graves violações de direitos humanos;
- responsabilidade jurídica – criminal, civil e administrativa – dos agentes públicos envolvidos no combate à guerrilha, deixando de aplicar, em relação aos mesmos,a Lei da Anistia e quaisquer outras disposições constitucionais ou legais que possam beneficiá-los!!! – ou seja, não podem invocar a lei vigente em seu benefício;
- proibição de realização de eventos oficiais em comemoração ao Movimento de 1964;
- reformulação dos concursos de ingresso e dos processos de avaliação contínua das Forças Armadas;
- modificação dos currículos das academias militares, para promoção da democracia e dos direitos humanos (por acaso os atuais são contrários a isso?);
- revogação da Lei de Segurança Nacional;
- desmilitarização das polícias militares estaduais;
- extinção da Justiça Militar estadual;
- exclusão de civis da jurisdição da Justiça Militar federal;
- criação de órgão permanente para dar prosseguimento aos trabalhos da CNV (ou seja, eternizar a CNV);
- prosseguimento e fortalecimento da política de localização e abertura dos arquivos da ditadura militar.

Três volumes e mais de duas mil páginas: um relatório que não apresenta grandes novidades e, em suas recomendações, insiste na adoção de medidas que implicam a retroação de leis para prejudicar o pretenso réu, a subordinação do ordenamento jurídico nacional às decisões de agências internacionais, e a absurda sugestão de que aos acusados não sejam aplicados a Lei da Anistia ou quaisquer outras disposições constitucionais ou legais que possam beneficiá-los.

Que espécie de proposta é essa, que nega o amparo da lei ao acusado, transformando-o em cidadão de segunda classe, ou selecionando a priori quais as leis que o mesmo pode invocar em sua defesa?

O ódio e o desejo de vingança são tão grandes que um absurdo desses é assinado por advogados, juristas e professores universitários. Tudo em nome da causa socialista.

É peça requentada porque só confirma bandeiras preexistentes na esquerda brasileira.

O relatório é tão risível e parcial quanto a CNV.

Gen Gilberto Rodrigues Pimentel – Presidente do Clube Militar

Torturas da CIA foram mais brutais do que o admitido, diz Senado dos EUA

Relatório divulgado pelo Senado diz que torturas não deram resultado.
Diretor da CIA diz que interrogatórios violentos evitaram ataques.


Do G1, em São Paulo

As torturas e os métodos de interrogatório utilizados pela CIA contra suspeitos de terrorismo praticados após os atentados de 2001 foram muito mais brutais do que a agência admitiu até agora e não apresentaram resultados para conter ameaças, afirma um relatório do Senado americano divulgado nesta terça-feira (9).

O documento de 525 páginas, que inclui parágrafos inteiro cobertos por tinta preta para proteger informações confidenciais, diz que a CIA (Agência Central de Inteligência) impediu o Congresso e a Casa Branca a terem acesso às informações sobre o ocorrido.

O relatório contém duras revelações sobre o programa secreto colocado em andamento pelo governo do presidente George W. Bush (2001-2009) para interrogar as pessoas consideradas suspeitas de vínculos com a Al-Qaeda e com outras organizações terroristas.

A CIA recorreu a ameaças sexuais, simulação de afogamento, ameaça de falsas execuções e outros métodos brutais para interrogar suspeitos. As técnicas empregadas para forçar os detidos a divulgar informações sobre tramas e células terroristas excediam e muito as técnicas autorizadas pela Casa Branca, pela CIA e pelos advogados do Departamento de Justiça do então presidente Bush, segundo o documento.

Os brutais métodos de interrogatório "não foram uma maneira eficiente de obter informações precisas ou a cooperação dos detentos", assinala o texto, que, no entanto, destaca que a CIA sempre insistiu na eficácia do sistema.

A avaliação do Senado também denuncia que a CIA "não realizou uma contagem profunda e precisa do número de pessoas que prendeu, e do número de detentos que não reuniam o mínimo de condições de serem detidos".

Não ficou claro se a análise irá levar a novas tentativas de responsabilizar os envolvidos. O prazo legal para contestar muitas das ações prescreveu.

Reações

Em uma primeira reação ao documento, o presidente Barack Obama afirmou que as torturas praticadas pela CIA contra suspeitos de terrorismo são contrárias aos valores dos americanos.

"Por isso eu de maneira inequívoca proibi a tortura quando assumi o governo, porque uma de nossas mais eficientes ferramentas para combater o terrorismo e manter a segurança dos americanos é ser fiel aos nossos ideais", afirmou Obama. "É por isso que continuarei a usar minha autoridade como presidente para fazer como que nunca mais recorramos a estes métodos", disse.

"Em vez de outra razão para retomar antigas discussões, espero que o relatório de hoje possa nos ajudar a deixar estas técnicas em seu lugar, no passado”, acrescentou.

A chefe do Comitê de Inteligência do Senado, Dianne Feinstein, disse que as práticas de interrogatório usadas após os atentados do 11 de setembro são um registro “uma mancha em nossos valores e na nossa história”.

Já o diretor da CIA, John Brennan, insistiu que o uso de interrogatórios violentos por parte de agentes da CIA em suspeitos de terrorismo evitaram ataques em território americano.

Brennan admitiu que erros foram cometidos, mas que a agência acredita que os interrogatórios mais violentos "produziram informações que ajudaram a prevenir planos de ataques, capturar terroristas e salvar vidas".

Ben Emmerson, um especialista em direitos humanos da ONU, disse após a divulgação do relatório, que a CIA e autoridades do governo Bush que planejaram e autorizaram o uso de tortura devem ser processados. “Por uma questão de direito internacional, os Estados Unidos são legalmente obrigados a levar os responsáveis à justiça", disse Emmerson em comunicado. “O Procurador-Geral dos EUA tem a obrigação legal e apresentar acusações criminais contra os responsáveis”.

O relatório é divulgado após cinco anos de investigações pelo Comitê de Inteligência do Senado. Os senadores votaram em abril a favor de tornar pública a divulgação de um resumo de quase 500 páginas. Mas a publicação foi adiada devido às divergências que surgiram entre a Casa Branca e os congressistas sobre o volume de dados que precisavam ser omitidos no texto final, como, por exemplo, os nomes secretos dos agentes da CIA ou de países e autoridades que cooperaram com os Estados Unidos na chamada “guerra contra o terrorismo”.

Líderes do opositor partido republicano questionaram a conveniência da divulgação e o custo excessivo do documento, que representou um gasto de US$ 40 milhões para os contribuintes americanos.

Alerta

Antes da divulgação do documento, as embaixadas dos Estados Unidos no exterior amanheceram em alerta máximo por possíveis represálias ao texto.

Em Bagdá, o secretário americano de Defesa, Chuck Hagel, informou que as forças militares do país estão em "estado de alerta máximo" devido à publicação do documento.

"Ordenei aos comandantes" das forças de combates "que fiquem em estado de alerta máximo em todo o mundo", disse Hagel em declarações à imprensa em Bagdá.

Ele ressaltou que até o momento não foram identificadas ameaças concretas.