01 outubro 2016

Serviços secretos dos EUA querem minar situação na Crimeia

Crimeia conta porque EUA não admitem proibição de Congresso do Povo Tártaro.


Sputnik


O vice-premiê do governo crimeano Dmitry Polonsky explicou que o Congresso do Povo Tártaro é uma criação dos serviços secretos dos EUA, por isso eles não admitem a proibição decretada pelo Supremo Tribunal russo. 


Ativistas do grupo Setor de Direita (proibido na Rúsisia) e os da comunidade de tártaros crimeanos realizam buscas e inspeção de carros e documentos na entrada à Crimeia por parte do território da Ucrânia
O grupo Setor de Direita e da comunidade de tártaros crimeanos realizam busca e inspeção de carros e documentos na entrada da Crimeia a partir da Ucrânia © Sputnik/ Maks Vetrov

Este último, em 29 de setembro, reconheceu como legítimo o veredito do Supremo Tribunal da Crimeia sobre o caráter extremista do Congresso do Povo Tártaro.


"Como poderiam eles negar apoio àquilo que criaram e que financiam?", disse Polonsky citado pela RIA Novosti. 

O responsável oficial crimeano acha que os serviços especiais dos EUA gostariam de aproveitar por período mais longo possível da organização visando promover seus interesses. 

"Eles criaram este Congresso como um órgão de oposição à maioria russa no território da península, minando assim as relações interétnicas na nossa península multinacional", declarou. 

A Crimeia deixou de fazer parte da Ucrânia e foi reintegrada na Rússia em março de 2014, após um referendo no qual 96% dos habitantes da região votaram a favor da mudança. O referendo foi boicotado pelos tártaros.

Brasil quer retomar uso da base de Alcântara com parceria dos EUA

Ministro da Defesa diz ainda que inquéritos investigam acordo com a Ucrânia, que causou prejuízo de ao menos meio bi ao Brasil


Danilo Fariello e Roberto Maltchik | O Globo

BRASÍLIA E RIO — O governo brasileiro convidou os Estados Unidos a usarem as instalações de Alcântara (MA) para lançar satélites, no primeiro encontro formal do “Diálogo da Indústria de Defesa Brasil e Estados Unidos”, que ocorreu na manhã desta sexta-feira no Palácio do Itamaraty, disse o ministro da Defesa, Raul Jungmann. A partir de agora, o Palácio do Planalto tem pela frente um amplo período de negociações até encerrar um dos impasses mais sensíveis da relação bilateral, a imposição de salvaguardas à tecnologia estrangeira em solo nacional. 


Foguete brasileiro explode na Base Especial de Alcântara, no Maranhão, em 2003; 21 pessoas foram mortas - Divulgação/23-8-2003

O Ministério da Defesa informou posteriormente que já enviou mensagem ao Congresso para “retirar” da Câmara dos Deputados a velha proposta, rejeitada no passado, para em coordenação com o Ministério das Relações Exteriores e o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicações renegociar com o governo norte-americano “os ajustes considerados necessários, após o que estaríamos em condições de submetê-lo novamente à apreciação do Congresso Nacional”.

Para que os americanos usem o Centro de Lançamento de Alcântara, com posição geográfica privilegiada pela aproximação com a linha do Equador, que resulta em economia de propelente dos foguetes lançadores, é necessária a aprovação do acordo de salvaguardas pelo Congresso.

O tema chegou a ser discutido em 2002, ainda no governo Fernanrdo Henrique Cardoso, mas não foi aprovado por pressão da bancada petista, à epoca na oposição. Depois, durante os governos Lula e Dilma (2003-2016) o tema ficou engavetado. Durante a recente viagem de Dilma aos EUA, o assunto foi tratado, porém, não houve avanço na legislação.

— O diálogo abre uma nova avenida para as relações comerciais entre os países — disse o subsecretário de Comércio dos EUA, Ken Hyatt.

MERCADO É O MAIOR DO MUNDO

O acordo de salvaguarda garante aos americanos que seus componentes altamente tecnológicos, presentes nos satélites, não sejam acessados por técnicos de outras nações, sejam brasileiros ou de outros países com relações comerciais com o Brasil.

— O lançamento de satélites e foguetes aeroespaciais tem para nós uma enorme importância que seja retomada em bases soberanas — disse Jungmann, destacando que o mercado de defesa americano é o maior do mundo.

As chamadas "bases soberanas" seriam as garantias de autonomia brasileira dentro do Centro de Lançamento. Em tese, sempre existe risco efetivo que um acordo desta natureza retire parte desta autonomia.
 
Os governos de Brasil e EUA trataram do caso de Alcântara no âmbito de negociações para intensificar parcerias, como a que resultou na construção da aeronave KC-390, com participação da brasileira Embraer e da americana Boeing.

Segundo Jungmann, o acordo que o governo brasileiro tinha com a Ucrânia para uso da base de lançamento de satélites está definitivamente suspenso. O ministro citou que haveria, inclusive, inquéritos abertos para apurar essas relações. O projeto, que já custou meio bilhão de reais aos cofres públicos, fracassou oficialmente no ano passado, com a denúncia unilateral de seus termos, feita pelo Brasil.

Na base, que conta com uma localização considerada privilegiada para o lançamento de satélites, ocorreu o mais grave acidente da história do programa espacial brasileiro, quando 21 técnicos e engenheiros morreram depois do incêndio antes do lançamento do VLS, o primeiro lançador de satélites do Brasil, que jamais completou uma missão.




29 setembro 2016

Reino Unido se junta às manobras contra Coreia do Norte

Pela primeira vez o Reino Unido se juntará às manobras dos EUA e da Coreia do Sul contra a Coreia do Norte, informou hoje (29) a agência Yonhap.


Sputnik


As manobras aéreas Invincible Shield (Escudo Invisível) estão previstas para 4- 10 de novembro, na base aérea de Osan em Pyeongtaek, a cerca de 70 quilômetros ao sul de Seul. 


Militar norte-americano na base aérea de Osan na Coreia do Sul, 1 de janeiro de 2016
Militar norte-americano em base aérea da Coreia do Sul © AFP 2016/ JUNG YEON-JE

"Os treinamentos Invincible Shield visam não apenas aumentar a capacidade dos aliados de atacar alvos militares e governamentais da Coreia do Norte, mas também interceptar caças do Norte", declarou um representante da Força Aérea da Coreia do Sul, citado pela agência. 


Segundo ele, "por meio de tais manobras os três países serão capazes de verificar a compatibilidade de suas armas e reforçar a interação em caso de conflito na península coreana". 

De acordo com a Yonhap, o Reino Unido planeja usar nos treinamentos os seus caças Eurofighter Typhoon, o avião de longo curso Voyager e o avião de transporte C-17 Globemaster. Os EUA e a Coreia do Sul utilizam caças F-15K, KF-16 e F-16.

Como foi relatado anteriormente, em 5 de setembro na Coreia do Norte foram testados com êxito três mísseis balísticos, que atingiram a zona de defesa aérea do Japão. Após ter voado cerca de mil quilômetros, os mísseis atingiram os alvos no mar com precisão, tendo o possível desvio sido de apenas um quilômetro. Após isso, em 9 de setembro, Pyongyang realizou o quinto teste nuclear, apesar da proibição do lado do Conselho de Segurança da ONU. Isso causou uma forte reação no mundo e aumentou a atividade militar na Coreia do Sul, onde os EUA mantêm permanente cerca de 28 mil dos seus soldados, sob o pretexto de proteger contra ameaça de Pyongyang.



'Ações dos EUA levam à desvalorização do Conselho de Segurança da ONU'

As ações de Washington no Conselho de Segurança da ONU abrem o caminho para uma desvalorização deste órgão, disse a representante oficial do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova em entrevista ao site Rossiya-Gretsia 2016 (Rússia-Grécia 2016). 


Sputnik

"O que agora os norte-americanos estão fazendo é um caminho direto para a desvalorização do papel do Conselho de Segurança como o órgão supremo que implementa o direito internacional. Não passa de um show aquilo que foi organizado em ligação ao ataque contra o comboio humanitário, sem quaisquer provas", disse a diplomata.


Reunião do Conselho de Segurança da ONU
Conselho de Segurança da ONU © AP Photo/ Pablo Martinez Monsivais


Na noite para 20 de setembro uma coluna do Crescente Vermelho Sírio Árabe e de organizações humanitárias da ONU foi bombardeada a noroeste de Aleppo. O comboio era composto de 31 caminhões que transportavam ajuda, destinada a 78 mil pessoas. Segundo o Comitê Internacional da Cruz Vermelha, 18 caminhões foram destruídos, morreram um funcionário da organização e cerca de 20 civis.

"O que gostei mais foi a declaração no Conselho de Segurança – primeiramente, de que a culpa era da Rússia e depois 'Não temos provas, mas pensamos que a Rússia é culpada'. No dia seguinte os militares norte-americanos disseram: 'Não temos informações, mas sabemos que isso foi obra ou da Rússia ou da Síria'", afirmou a representante da chancelaria russa. 


Maria Zakharova sublinhou que 'nos tornamos testemunhas de tais coisas absolutamente inaceitáveis'.

Comandante iraniano: Teerã tem míssil capaz de atingir Israel

Enquanto o Irã está reforçando seu potencial bélico, um comandante iraniano afirma que Teerã dispõe de míssil capaz de atingir Israel. 

Sputnik

Na semana passada os militares iranianos realizaram um desfile em Teerã exibindo grande variedade de tanques, aviões militares e mísseis. Segundo Amir Ali Hajizadeh, brigadeiro-general e comandante da Divisão Aeroespacial do Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica, um destes mísseis tem capacidade de atingir Israel com suas 1,2 mil quilómetros de alcance. "O regime sionista é o nosso maior alvo", destaca o comandante citado pelo jornal The Jerusalem Post. 

Míssil balístico iraniano lançado a partir de terreno desconhecido, 9 de março de 2016
Míssil balístico iraniano © REUTERS/ Mahmood Hosseini


Ainda segundo o comandante, "o Irã não precisa de mísseis com alcance superior a 2.000 quilômetros, pois o alcance máximo necessário para os mísseis do Irã é aquele que possa atingir territórios ocupados por Israel".

Hajizadeh indica que durante o desfile foi exibido o míssil Zolfaghar, com alcance de cerca de 745 quilómetros, que levava uma mensagem contra as provocações de Israel: "Se os líderes do regime sionista fizerem uma ação errada, a República Islâmica reduzirá Tel Aviv e Haifa a cinzas."

O general Mohammad Hossein Bagheri, chefe do Estado-Maior das Forças Armadas iranianas comunicou que Teerã está preocupado com o recente acordo de ajuda militar firmado entre os EUA e Israel no valor de 38 bilhões de dólares, razão pela qual o Irã precisa reforçar suas capacidades defensivas.



Rússia pronta para continuar diálogo com EUA sobre ações conjuntas na Síria

Rússia está pronta para continuar o diálogo com os EUA sobre ações conjuntas destinadas a combater os terroristas na Síria, informou na quinta-feira o Ministério da Defesa russo. 


Sputnik

Apesar das recentes alusões de Washington sobre alegadas ameaças por parte do país, a Rússia está pronta a continuar cooperando com os EUA, comunicou o porta-voz do Ministério da Defesa da Rússia, major-general Igor Konashenkov.


Imagem captada por drone da cidade de Homs, na Síria.
Homs, Síria | Reprodução/ You Tube/ Alexander Pushkin

Durante um briefing de imprensa na quarta-feira (28) o representante do Departamento de Estado dos EUA John Kirby anunciou que o atual conflito na Síria poderá "sem dúvida" se transformar em "ataques contra interesses russos, até mesmo contra cidades russas, e a Rússia continuará mandando homens para casa em caixões".

"Creio que Jonh Kirby, que não há muito tempo trocou a farda de contra-almirante do Pentágono por um casaco de representante oficial do Departamento de Estado, tem perfeita consciência das consequências da sua declaração", declarou Konashenkov. 


"Esse diálogo tem que excluir alusões a ameaças contra os nossos soldados e cidadãos", ressalta.

Comentando a declaração do representante do Departamento de Estado sobre eventuais perdas entre os soldados russos na Síria, Konashenkov sublinhou que Moscou "sabe muito bem onde se encontram na Síria, inclusive na província de Aleppo, e quantos são os "especialistas" não declarados que realizam planejamento operacional e chefiam operações dos extremistas".

Segundo Konashenkov, "a Rússia e os EUA continuam buscando meios de colocar o acordo de cessar-fogo em funcionamento".


'Participação russa da luta contra terrorismo na Síria evitou desintegração do país'

O envolvimento russo na luta contra o terrorismo na Síria evitou a desintegração do país e consolidou o poder legítimo, disse o representante oficial do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Bahram Qasemi. 


Sputnik

"O envolvimento da Rússia na crise síria e a sua participação da luta contra o terrorismo neste país evitaram a desintegração do país e permitiram defender a integridades do seu território, consolidar o poder legítimo neste país e, além disso, este envolvimento ajudou a recuperar o equilíbrio que caracterizava a região no passado", disse Qasemi à agência RIA Novosti.


Aviões de assalto russos Su-25 no céu da Síria, base aérea de Hmeymim, Síria
Sukhoi Su-25 © Sputnik/ Dmitry Vinogradov


Os confrontos armados na Síria continuam desde março de 2011. Como resultado, segundo os dados da ONU, mais 220 mil pessoas já se tornaram vítimas do conflito. Desde 30 de setembro de 2015 sob o pedido do presidente sírio Bashar Assad a Rússia iniciou realizar ataques aéreos contra posições terroristas na Síria.

Com o apoio russo Damasco conseguiu alterar a situação na frente e lançar ofensiva em direções-chave. Desde setembro de 2015 até março de 2016 a aviação russa realizou mais de 9 mil missões. 


Em março, o presidente russo Vladimir Putin tomou a decisão de retirar a maior parte das forças russas depois de terem completado suas missões na Síria. Ao mesmo tempo, a Rússia não abandonou as suas obrigações de fornecer ao governo sírio armas, equipamento militar e treinar especialistas militares. A base área de Hmeymim, bem como as instalações navais do porto de Tartus, continuam operacionais, enquanto os sistemas de defesa antiaérea protegem os militares russos na Síria, um país que continua mergulhado na guerra.


MRE russo: ameaças de atentados por parte dos EUA são indicador de baixeza política

A representante oficial da chancelaria russa, Maria Zakharova, comentou a declaração do Departamento dos EUA sobre os atentados de extremistas em cidades russas. 


Sputnik

"Os senhores [diplomatas norte-americanos] não acham que tais declarações sobre 'corpos em caixões', 'atentados nas cidades russas' e 'perdas militares' lembram mais uma ordem de ataque do que um comentário de diplomata?", escreveu o representante oficial do MRE da Rússia no seu Facebook.


Ministério das Relações Exteriores da Rússia
Ministério das Relações Exteriores da Rússia © AFP 2016/ ALEXANDER NEMENOV


Zakharova também perguntou a que terroristas o diplomata americano se refere e se eles não estão ligados com a oposição moderada na Síria, que Moscou tenta demarcar dos terroristas.


Entretanto, o vice-chefe do MRE, Sergey Ryabkov, disse que as declarações do representante do Departamento do Estado são um "ataque de nervos" no contexto da incapacidade de Washington de cumprir os acordos sobre a Síria.

"Estes apelos mal encerrados a 'utilizar' a força terrorista contra a Rússia são um indicador da baixeza política da política da administração dos EUA relativamente ao Oriente Médio e, nomeadamente, no que tange à Síria", acrescentou o diplomata. Lembramos que John Kirby, representante oficial do Departamento de Estado, tentou atemorizar Moscou com ameaças de ataques terroristas em cidades russas e perdas militares na Síria.

Filosofia de dominância dos EUA levou à guerra no Iraque

A intervenção dos EUA no Iraque em 2003 provocou a criação imediata do grupo terrorista Daesh. 


Sputnik

A invasão norte-americana do Iraque em 2003 contribuiu significativamente para a criação do grupo terrorista Daesh, disse à Sputnik Internacional o cineasta Jacques Charmelot. 


Aviões F-18E Super Hornets da Força Aérea dos EUA voando sobre o norte do Iraque
Boeing F-18 Super Hornet da USAF © AFP 2016/ Comando Central da Força Aérea dos EUA


Charmelot, que tinha trabalhado como jornalista na região do Oriente Médio, nos Balcãs e na África é também conhecido por seu filme documental "Iraque, uma verdadeira impostura".

De acordo com ele, a intervenção de Washington no Iraque se baseou num pretexto falso e foi impulsionada pelas ambições financeiras dos seus executantes.

"A intervenção foi certamente um erro para os americanos, que sofreram perdas no Iraque, mas não foi um erro para aqueles que capitalizaram os três ou cinco trilhões de dólares que foram gastos", disse ele. 


Assim, Charmelot aponta o dedo aos neoconservadores. 

"Eles acreditam que o desaparecimento do principal rival (dos EUA) significa que os EUA se tornaram a maior e única potência mundial, e que isso deve ser usado para proteger eficazmente os interesses dos EUA em todo o mundo", disse ele.

Segundo Charmelot, "a filosofia da dominância" dos EUA resultou na guerra prolongada no Oriente Médio.

"No que diz respeito à interferência dos EUA no Iraque, isto contribuiu consideravelmente para a emergência de militares extremistas, que hoje se chamam Daesh e ontem se chamavam al-Qaeda. Estes extremistas irão ser durante muito tempo os atores principais do jogo geopolítico no Oriente Médio", concluiu Jacques Charmelot. 


Entretanto, o secretário da Defesa dos EUA Ashton Carter declarou que Washington está enviando mais 615 soldados para participarem nas operações contra o Daesh no norte do Iraque. No momento, os EUA têm aí cerca de 5 mil militares. 

A cidade de Mossul é a segunda maior cidade do país. Desde o verão de 2014 que a cidade está sob controle dos militantes do Daesh e agora é o centro principal dos terroristas no Iraque. Desde março de 2016, o exército do Iraque e os destacamentos curdos e xiitas, apoiados pela aviação da coalizão internacional, estão realizando uma operação para a liberação da cidade.



Síria já não existiria, se Rússia não tivesse intervido

O conflito civil na Síria já se prolonga por mais de cinco anos e, segundo a estatística oficial da ONU, já levou as vidas de mais de 400 mil pessoas. De fato, o país passa por uma catástrofe humanitária. 


Sputnik

As ações militares forçaram quase metade da população de 23 milhões de habitantes a deixar suas casas. 


Grupo aéreo russo na base de Hmeymim, na Síria
Grupo aéreo russo em base militar síria © Foto: Russian Defence Ministry


A situação na Síria era assim um ano atrás, quando a Rússia decidiu prestar ajuda no contexto da ameaça global do terrorismo. O presidente sírio Bashar Assad pediu ao seu homólogo russo Vladimir Putin para prestar ajuda militar ao seu país na luta contra terrorismo. Na altura foi tomada a decisão de que esta ajuda só seria expressa por apoio aéreo russo para reforçar as ações das tropas do exército sírio. A participação das tropas russas no terreno nunca foi considerada como uma possível variante do desenvolvimento da situação.
 

Não obstante o descontentamento e receios dos Estados Unidos, os ataques da Força Aeroespacial russa foram precisos e levaram a perdas sérias nas fileiras do grupo terrorista Daesh (proibido na Rússia).

Agora, passado um ano, chegou a altura de fazer um balanço e vários especialistas russos e estrangeiros estão fazendo isso. Uma das questões principais é bastante simples: será que a participação russa mudou de forma drástica o desenvolvimento da situação? 


O editor-chefe do jornal Rússia na Política Global Fyodor Lukyanov partilhou da sua visão da situação com a Sputnik Japão. 

"O êxito principal da Rússia é que conseguiu evitar a completa desorganização do Estado sírio. Se a Rússia não tivesse interferido um ano atrás, é provável que Bashar Assad e o próprio Estado da Síria simplesmente já não existissem. No verão e outono de 2015 [inverno e primavera no hemisfério Sul] tal cenário era muito realístico", disse.

Ao mesmo tempo, o especialista nota que seria incorreto dizer que foi atingido algum tipo de regulação política, "já que nenhuma das partes pode vencer por via militar". Mesmo com a ajuda russa, as forças governamentais sírias não têm potencial suficiente para resolver todas as tarefas militares necessárias, acha o especialista.

É importante destacar também que a situação na Síria continua ficando mais complicada com o decorrer do tempo, especialmente com a repetida confrontação mútua entre os EUA e a Rússia relativamente à coordenação das ações no formato comum numa luta conjunta contra o Daesh. 


"O nível de desconfiança entre os EUA e a Rússia é de quase 100%. Nesta situação, a guerra informacional faz parte dessa confrontação dentro do conflito sírio. Pois a Rússia na Síria desempenha atualmente um papel vital, ela é quase a protagonista do ponto de vista de sua influência nesse conflito. E isso causa muito descontentamento e irritação aos americanos", notou Lukyanov. 

Enquanto a situação está perturbada e incerta, todo o mundo, inclusive o especialista, admite que Rússia atingiu seu objetivo principal de não permitir uma desintegração completa da Síria.

Investigação do voo MH17 diz ser cedo para acusar Moscou

Descobertas não deixam claro a quem pertencia míssil de produção russa, segundo chefe de investigação conjunta. Acidente em 2014 matou as 298 pessoas a bordo.


Pável Rítsar | Gazeta Russa

Representantes da equipe conjunta que investigam a queda do voo MH17 na região do Donbass, do leste da Ucrânia, em julho de 2014, pediram cautela antes de nomear responsáveis pelo desastre. A declaração foi feita em uma coletiva de imprensa nesta quarta-feira (28), em que foram anunciados os resultados após dois anos de averiguação. 


Resultados de investigação foram anunciados em coletiva nesta quarta (28) Foto:AP

Durante o evento, o diretor da Divisão Nacional de Investigação Criminal da Polícia Holandesa, Wilbert Paulissen, anunciou que o míssil responsável pela queda do Boeing 777, da Malaysia Airlines, fora levado ao território ucraniano a partir da Rússia.

No entanto, segundo o procurador holandês Fred Westerbeke, que comanda a equipe, nenhum suspeito em particular foi identificado até agora, portanto, “é muito cedo para falar sobre a nacionalidade [dos suspeitos] ou o potencial envolvimento da Rússia”.

O relatório do grupo internacional diz haver “provas irrefutáveis ​​para constatar que, em 17 de julho de 2014, o voo MH17 foi abatido por um míssil BUK de série 9M38”.

Também há evidências de que o míssil foi lançado de uma área próxima a Pervomaiskoye, ao sul de Snejnoie, que estava sob controle das milícias separatistas. “Até agora, a equipe identificou cerca de 100 pessoas que poderiam estar ligadas à derrubada do MH17 ou ao transporte do BUK”, lê-se no documento.

É preciso agora, segundo declarou Westerbeke a repórteres, entender quem havia encomendado o transporte do BUK ou o abate do avião, e se a decisão fora tomada de forma independente ou sob ordens de terceiros.

O comandante das tropas de engenharia de rádio das Forças Aeroespaciais da Rússia, Andrêi Koban, disse, após o anúncio, que não havia sido observado o voo de nenhum míssil BUK a partir das regiões controladas por rebeldes no leste da Ucrânia.

A investigação sobre o acidente envolvendo o MH17 poderá resultar em um julgamento internacional, embora também seja cedo para falar sobre tal possibilidade.

Em julho de 2014, uma aeronave da Malaysia Airlines, que partiu de Amsterdã (Holanda) rumo a Kuala Lumpur (Malásia), foi derrubada, matando as 298 pessoas a bordo. A maioria dos passageiros – 193 pessoas – eram cidadãos holandeses. 



27 setembro 2016

EUA pediram desculpa ao presidente Assad pelo ataque aéreo contra Exército sírio

EUA apresentaram desculpas ao presidente Bashar Assad pelo ataque aéreo contra o Exército sírio, disse o Chanceler russo Sergei Lavrov durante seu discurso no programa "Vesti v Subbotu".


Sputnik


No sábado, dia 17 de setembro de 2016, quatro aviões americanos da coalizão internacional atacaram as tropas governamentais da Síria, cercadas por militantes do Daesh, grupo terrorista (é proibido na Rússia e faz parte da lista de grupos terroristas das Nações Unidas). 


Habitantes da cidade de Deir ez-Zor
Deir ez-Zor © flickr.com/ Cristian Iohan Stefanescu

Em consequência do incidente, as forças do Daesh conseguiram ocupar uma posição estratégica, começando uma ofensiva contra o exército sírio. O comando americano explicou o fato alegando "um erro". 62 soldados sírios morreram e por volta de 100 ficaram feridos. 


"Esta situação é um pouco estranha <…> É difícil crer que os agentes secretos da coalizão, criada pelos EUA contra o Daesh no território da Síria, se possam ter esquecido da deslocação de forças. Mas eu não quero fazer acusações", disse. 

O ministro observou que restaurar o regime de cessar-fogo na Síria só é possível numa base coletiva, sem exigências unilaterais. 

"Nós não temos de provar nada unilateralmente, mas é preciso que nos provem que há um desejo sincero de separar a oposição — quem coopera com a coalizão americana e quem coopera com a Frente al-Nusra, depois disso é preciso acabar com ela e fazer a oposição parte do processo político", disse ele em programa "Vesti v Subbotu".

O ministro disse que se a Rússia não recebe as provas, isto reforçará as suspeitas que tudo isso foi iniciado a fim de trazer Frente al-Nusra do golpe.

Nós já fizemos concessões, disse o ministro, já tínhamos prolongado a trégua. "Cada vez achamos mais que estas pausas foram usadas para que os militantes, incluindo os da al-Nusra, se reabastecessem de pessoal, armas e provisões".




Lavrov: EUA são incapazes de separar terroristas da oposição na Síria

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, declarou hoje (23), em discurso na 71ª Assembleia Geral da ONU, que os EUA são incapazes de cumprir a tarefa de separar a oposição dos terroristas na Síria. 


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"O Conselho de Segurança e o acordo russo-americano prevê um regime de separação dos lados que querem participar do regime de cessar-fogo. Suponho que esta exigência foi apresentada pela primeira vez em janeiro ou dezembro. O objetivo em questão foi reiteradamente ressaltado. infelizmente, a coalizão liderada pelos EUA, que demonstrou compromisso com essa separação, é incapaz de executar esta tarefa" – disse Lavrov. 


Members of jihadist group Al-Nusra Front
Membros da Frente al-Nusra © AFP 2016/ KARAM AL-MASRI


Ele acrescentou que a oposição síria não contribuiu em nada para o cumprimento da trégua anunciada em 12 de setembro na Síria.

O chefe da diplomacia russa destacou ainda que Moscou poderia preparar um mapa mostrando os deslocamentos das posições da Frente al-Nusra, a fim de evitar reclamações e mal-entendidos a cada vez que este grupo terrorista for atacado.

Nas suas palavras, a separação entre oposição e terroristas permitirá "um regime estável de cessar-fogo para todos, com exceção da Frente al-Nusra". 


A delimitação de terroristas da chamada "oposição moderada" síria consta nos termos do acordo assinado entre Rússia e EUA sobre a Síria.

Damasco: Presença de tropas turcas na Síria é 'agressão aberta'

Durante a sua intervenção na Assembleia Geral da ONU, o chanceler sírio, Walid Muallem, afirmou que a Turquia deve retirar suas tropas do território sírio.


Sputnik


Ele reiterou o compromisso da Síria em respeito ás negociações em Genebra sobre a resolução do conflito. "Confirmamos nossas obrigações de seguir com o processo de Genebra", disse Muallem. 


Ministro das Relações Exteriores da Síria, Walid Muallem, na Assembleia Geral da ONU
Ministro das Relações Exteriores da Síria Walid Muallem © AFP 2016/ Timothy A. Clary

"A Síria mantêm uma postura construtiva a respeito da solução política e apela para que decisões eventuais respeitem a soberania, independência e integridade territorial da Síria, assim como a unidade do seu povo", disse o chanceler. 


Damasco também condenou a presença das tropas turcas em território sírio, argumentando que trata-se de uma 'agressão aberta'. "Ancara deve retirar as suas forças", frisou o ministro das Relações Exteriores da Síria.


Analista: se Turquia cruzar a linha vermelha na Síria, poderá desencadear nova guerra

O analista político sírio, Mehmet Yuva, comentou à Sputnik a declaração do líder turco sobre a Síria e a operação Escudo do Eufrates na sessão da Assembleia Geral da ONU, bem como o possível desenvolvimento das relações de Ancara e Moscou sobre a vertente síria. 


Sputnik

O Presidente da Turquia Erdogan, durante a 71ª sessão da Assembleia Geral da ONU em Nova York, fez uma série de declarações importantes sobre a situação na Síria. Ele, em particular, destacou a intenção das Forças Armadas turcas de continuar a operação Escudo do Eufrates no território sírio e reiterou que a "presença de Assad no poder, impossibilita a resolução do conflito sírio e o estabelecimento da paz no país". 


Veículos blindados turcos enviados para a Síria para lutar contra o grupo terrorista Daesh
Veículos turcos na Síria © Sputnik/ HIKMET DURGUN

Mehmet Yuva, analista político sírio de origem turca e professor da Universidade de Damasco, dividiu sua opinião sobre o assunto com a Sputnik Turca: 

"O principal objetivo da operação Escudo do Eufrates é garantir a segurança de suas áreas de fronteira, bem como a eliminação da região dos insurgentes do Daesh e outras organizações terroristas. A operação é realizada pelas forças de combatentes da oposição do Exército Sírio Livre (FSA), com o apoio do exército turco. É óbvio que a Turquia está empenhada em desempenhar um papel significativo na definição do futuro político da Síria. <...>; Enquanto isso, a Turquia ainda não está demonstrando abertamente o desejo de estabelecer contato com a liderança síria para resolver a crise no país".

Segundo o especialista, esta é uma das principais preocupações da Rússia e Irã, que esperam da parte turca mais ação e contato direto com Damasco. Perante tudo isto, Ancara não pode esquecer que sua presença na Síria foi possível “graças a Moscou”, que não interfere na realização da operação Escudo do Eufrates.

A Rússia sempre insistiu que o exército do governo sírio controle a linha que se estende de Aleppo e Idlib, ao norte de Latakia. Sendo esta, a linha vermelha para a Rússia. E se, supõe Mehmet Yuva, as tropas turcas ultrapassarem a linha, isto pode mudar radicalmente a situação na região, levando ao início de uma "guerra híbrida", ou seja, um conflito direto entre as forças estrangeiras na Síria. Em outras palavras, o começo de uma nova guerra mundial.



Cessar-fogo na Síria fracassou 'porque alguns em Washington queriam seu fracasso'

O acordo alcançado entre o chanceler russo, Sergei Lavrov, e o Secretário de Estado dos EUA, John Kerry, parece ter fracassado em promover a paz na Síria, sendo seguido de violência após o cessar-fogo de uma semana. 


Sputnik

O cessar-fogo foi malsucedido porque "certas pessoas" em Washington não queriam que ele fosse cumprido, informou o especialista em questões do Oriente Médio, Ali Rizk, entrevistado pela Rádio Sputnik. 


Prédios destruídos após ataques aéreos nas proximidades da cidade síria de Aleppo
Aleppo, Síria © REUTERS/ Abdalrhman Ismail


Ele ressalta que essa não é a primeira vez quando isso acontece e "mesmo antes de o acordo ter sido assinado, já havia vozes hostis provenientes de Washington, como a do Secretário da Defesa Ashton Carter, que expressou sua oposição à cooperação com o lado russo".

Rizk acredita que o cessar-fogo na Síria poderá somente ser relançado caso o presidente Obama se imponha aos adeptos da política rigorosa em Washington. Mesmo assim, duvida que ele realmente possa assumir tal posição.

Segundo ele, com o fracasso do recente acordo sírio, o cenário mais provável é o de escalação ulterior de violência. 


"Quão mais prolongada for a crise síria, mais o terrorismo será proliferado para fora das fronteiras da Síria a outras regiões do mundo", frisou. 

Segundo o analista, os EUA não têm a mesma posição quanto à questão síria e Washington está seguindo políticas contraditórias.

De acordo com Rizk, Obama e o Secretário do Estado dos EUA, John Kerry, "querem de alguma forma cooperar com a Rússia", enquanto Obama "receia a possibilidade de um ataque terrorista de grande dimensão nos EUA", levando em consideração os recentes acontecimentos no estado de Minnesota, Nova Jersey e Nova York.

Há muito tempo o Pentágono e a Agência Central de Inteligência dos EUA (CIA) adotam uma postura hostil em relação à Síria, tendo treinado e equipado rebeldes sírios para criar uma força capaz de lidar com o grupo terrorista Daesh (proibido na Rússia e em vários outros países) e derrubar o presidente sírio Bashar al-Assad do poder. Tais ações dificultam a resolução da crise prolongada pelo governo sírio. 


Ao mesmo tempo, Rizk sublinha que Washington "é incapaz de controlar suas próprias políticas" e não persuade os grupos radicais, apoiados pelo governo desde 2011.



Autoridades do Iraque anunciam libertação da província de Salah ad-Din

O dirigente da província de Salah ad-Din, no norte do Iraque, disse que a zona, conquistada pelo grupo Daesh, acaba de ser libertada, comunica o canal de televisão iraquiano Al Sumaria.


Sputnik


Segundo Al Sumaria, a última área conquistada pelos terroristas na província foi a povoação a sul de Shirqat, cidade estrategicamente importante que fica nos arredores de Mossul e que foi libertada na quinta-feira (23). 


Tanque Abrams do exército do Iraque
Tanque Abrams do exército do Iraque © AP Photo/ Osama Sami

"O povo do Iraque está de parabéns pela vitória sobre os militantes do Daesh e libertação da última área em Sala ad-Din", cita o canal a declaração de Ahmed al-Jabouri.

O chefe da província exortou a restabelecer infraestrutura destruída e a contribuir para a revolta do povo. Ele acrescentou que as autoridades locais vão tomar medidas necessárias para assegurar e reforçar a segurança e lutar contra a ideologia radical.


Horas antes, homens-bombas atacaram um posto de controle da maior cidade da província. O atentado fez pelo menos 13 mortos e centenas de feridos. Nenhum grupo terrorista assumiu a responsabilidade pelo atentado até o momento.



Representante da Síria: inteligência síria tem gravação de conversa entre Daesh e EUA

A presidente do Conselho Nacional da Síria, Khadia Abbas, anunciou durante sua visita a Teerã que a inteligência síria está na posse de uma gravação das negociações entre militantes do grupo terrorista Daesh e militares dos EUA antes do ataque da coalizão internacional contra as posições do exército sírio em Deir ez-Zor. 


Sputnik

A chefe do parlamento acrescentou que, logo após os ataques aéreos contra as forças do governo sírio, os militares norte-americanos enviaram terroristas para atacarem as posições do exército sírio. 


Soldados americanos suspendem uma bomba da asa de um F-16, Iraque
Militares norte-americanos armando um caça F-16 © AP Photo/ CHARLES J. HANLEY

Vale lembrar que em 17 de setembro, aviões da coalizão ocidental efetuaram ataques contra as unidades do exército sírio. As forças do governo sírio tiveram que abandonar as posições perto da cidade de Deir ez-Zor. O ataque deixou mais de 62 militares mortos, além de 100 pessoas feridas. Mais tarde o Pentágono anunciou que os ataques aéreos foram realizados por engano.


As informações são do canal televisivo Al-Mayadin.


Comandante da Frente al-Nusra: recebemos armas diretamente dos EUA

O grupo islamista Frente al-Nusra é considerado nos EUA uma organização terrorista – pelo menos oficialmente. 


Sputnik

Um dos mais importantes comandantes do grupo assegura que “os norte-americanos estão do nosso lado”. Durante entrevista, ele comunicou sobre o fornecimento direto dos EUA de armas, chegando a nomeá-las. 


Militantes da Frente al-Nusra na entrada da cidade de Idlib
Militantes da Frente al-Nusra em Idlib © REUTERS/ Mohamad Bayoush

Segundo um dos comandantes da Frente al-Nusra, a organização terrorista recebe armas dos Estados Unidos. Eles forneceram os sistemas antitanque TOW, disse o comandante ao correspondente do jornal Kolner Stadt-Anzeiger, Jurgen Todenhofer.

Na região de Aleppo, o grupo Frente al-Nusra é o mais poderoso. Anteriormente estes islamistas mantinham aliança com o grupo Al-Qaeda. Quando perguntado se as armas do grupo eram fornecidas pela assim chamada "oposição moderada", o militante da al-Nusra disse que as armas são fornecidas "diretamente pelos EUA". "Os americanos estão do nosso lado", acrescentou. Contudo, a cooperação não é realizada de acordo com os planos dos militantes.

O comandante da Frente al-Nusra falou sobre o bombardeio do comboio humanitário da ONU. 


A entrevista aconteceu há 10 dias. O comandante disse que o comboio da ONU seria atacado se as tropas governamentais sírias não se retirassem. "O regime deve abandonar todos os territórios e assim deixaremos passar o comboio humanitário. Se um caminhão tentar passar mesmo assim, vamos deter o motorista", informa. 

Segundo o militante, a Frente al-Nusra não está pronta para fazer concessões. "Nós vamos lutar até o regime ser derrotado", conclui.

O impacto de tecnologias emergentes no futuro dos submarinos nucleares

Poder Naval

No dia 13 de setembro, o BASIC (British American Security Information Council), British Pugwash e a Universidade de Leicester organizaram uma conferência no National Liberal Club, Londres, sobre tecnologias submarinas emergentes e como elas podem afetar a operação de submarinos de mísseis balísticos (SSBN). Especialistas de ciência e tecnologia, a comunidade de defesa e segurança, “think tanks”, sociedade civil e meios de comunicação foram todos convidados a contribuir para discussões sobre como os últimos avanços na detecção acústica e não-acústica e tecnologias de veículos submarinos não tripulados (Underwater Unmanned Vehicles) poderiam afetar as estratégias de dissuasão baseadas no mar. 


Concepção do SSBN Successor
Concepção do SSBN Successor

A conferência terminou sem um consenso claro sobre as questões, embora algumas tendências começaram a se cristalizar. Além disso, enquanto o interesse do BASIC em tecnologias submarinas emergentes inicialmente criou raízes em torno da ideia de que elas podem representar um perigo potente para (ou até mesmo tornar obsoleto) o novo programa de SSBN “Successor”, que o Parlamento recentemente votou para substituir a classe “Vanguard”, o engajamento com as questões em jogo lançou novos caminhos para a pesquisa.

Este resultado foi antecipado: a conferência foi concebida como um espaço interdisciplinar e plural, em que uma questão que raramente é discutida publicamente poderia ser seriamente e devidamente interrogada. Como a tecnologia avança a um ritmo vertiginoso, esta conferência e as ideias que nela surgiram devem ser consideradas não como o fim da questão, mas o início de um novo curso de envolvimento do público com a vulnerabilidade dos SSBN. Que as tecnologias submarinas emergentes sejam capazes de desenhar tal interesse e atenção em uma conferência no Reino Unido deve servir também para provar que as discussões semelhantes em outros Estados com armas nucleares seriam proveitosas e enriquecedoras.

Um documento final completo estará disponível nas próximas semanas e, portanto, este post não detalha os vários argumentos e tecnologias apresentados. Ele vai reunir alguns pensamentos em apenas dois argumentos: que as tecnologias emergentes afetarão o programa de SSBN “Successor”, e que elas irão afetar a estabilidade estratégica.

Vulnerabilidade da classe Successor

A maioria dos membros do painel parecia convencida de que as tecnologias submarinas emergentes seriam um fator decisivo para o programa “Successor”, e alguns expressaram que mesmo se tecnologias altamente autônomas e altamente sensíveis sejam desenvolvidas, os SSBNs permanecem como as plataformas de as armas nucleares mais seguras. A classe “Successor” estará entre os submarinos mais difíceis de detectar, exibindo tecnologias furtivas excepcionais e liderados por comandantes treinados no Reino Unido no programa “Perisher”, considerado o melhor do mundo. Por outro lado, a Rússia tem demonstrado capacidades limitadas em tecnologias de veículos não tripulados, e enquanto a China tem exibido maiores capacidades, seus esforços têm se concentrado principalmente em defesa das águas costeiras.

No entanto, há um consenso geral de que as tecnologias submarinas emergentes têm o potencial de ser extremamente perturbadoras e devem ser cuidadosamente monitoradas, tanto por parte do governo quanto da sociedade civil. A descoberta de um submarino russo em águas perto de Faslane no ano passado demonstra que, mesmo atualmente, a única base de SSBN da Grã-Bretanha pode estar em risco; veículos não tripulados bem menores seriam certamente muito menos detectáveis. As ansiedades profundas sobre a vulnerabilidade dos SSBN às tecnologias emergentes nas últimas duas décadas da Guerra Fria demonstra que os conceitos de “invulnerabilidade” e “invisibilidade” dos SSBN foi socialmente construída nos últimos 30 anos, como um dispositivo político destinado a vender armas nucleares para o público britânico. Estes conceitos são psiquicamente confortantes, acreditando-se ou não que as armas nucleares têm relevância.

Altos níveis de confidencialidade e a inacessibilidade do material técnico, torna mais difícil para a sociedade civil monitorar a vulnerabilidade dos SSBN. No entanto, especialistas na criação de armas nucleares na conferência deixaram claro que a invulnerabilidade dos SSBN geralmente não é um dado adquirido, mas tidos em conta em um cálculo mais amplo de gestão de riscos. Da mesma forma, as forças armadas e empresas de armamento estão perpetuamente empenhadas em desenvolver formas inovadoras para preservar a discrição, detectar adversários ou neutralizar a detecção. O discurso público no meio acadêmico e os meios de comunicação devem refletir isso, com uma mudança de paradigma no pensamento que alterna a suposição de da “invulnerabilidade” dos SSBN para “potencial vulnerabilidade”.

Implicações de tecnologias submarinas emergentes na estabilidade estratégica


Tecnologias submarinas emergentes, também podem representar perigos quando usadas “por nós”. Os EUA lideram em tecnologias submarinas, cujos benefícios serão sentidos por outros Estados da OTAN; o Reino Unido, por exemplo, provavelmente vai ser capaz de importar muitas tecnologias norte-americanas por uma pechincha, como fez anteriormente. Uma abordagem alternativa, portanto, é questionar como os Estados como a Rússia poderiam se sentir ameaçados por implementações dessas tecnologias pela OTAN, e como eles podem afetar a estabilidade estratégica. 


Sistemas Marítimos não tripulados dos EUA
Sistemas Marítimos não tripulados dos EUA

As tensões políticas seriam susceptíveis de aumento se as plataformas autônomas de rastreamento forem produzidas em grande número para rastrear os SSBNs russos, particularmente no contexto de outras tecnologias que a Rússia percebe que danificam sua paridade estratégica que garante o potencial de um segundo ataque, tais como os sistemas de defesa antimísseis da OTAN na Europa Oriental. O crescimento da popularidade da doutrina de “superioridade estratégica” em Washington oferece pouco conforto de que essas tecnologias terão implementações exclusivamente defensivas.

Tensões semelhantes podem surgir a partir de desdobramentos dos EUA no Oceano Pacífico afetando a China; desdobramentos chineses no Mar do Sul da China afetando países vizinhos e os EUA; desdobramentos chineses no Oceano Índico afetando a Índia; desdobramentos indianos no Oceano Índico afetando o Paquistão; e desdobramentos japoneses ou sul-coreanos no Mar do Japão, afetando a Coreia do Norte. Avaliar as capacidades técnicas destes Estados, e como essas situações poderiam evoluir, oferecem uma riqueza potencial de investigação.

Conclusões

O BASIC vai continuar a alimentar um debate saudável sobre a vulnerabilidade em relação às tecnologias submarinas emergentes à classe “Successor” do Reino Unido e buscar inspirar conversas semelhantes sobre os SSBN(X) dos EUA, e o futuro substituto do “Triomphant” francês, e SSBNs de outros Estados. Mesmo que essas tecnologias não mudem o jogo de uma forma óbvia nas próximas duas décadas, o ritmo da mudança tecnológica, a presente proliferação dessas tecnologias na esfera civil em todo o mundo (que poderiam facilmente encontrar aplicações militares), e a diminuição custos de produção certamente vai justificar séria vigilância e investigação.

Espera-se que os participantes que vieram com opiniões sólidas sobre a invulnerabilidade dos SSBN, tenham saído com uma avaliação mais realista e cheia de nuances dos riscos e um sentimento positivo sobre o envolvimento dos cidadãos, e que outros reconheçam as preocupações sobre a vulnerabilidade com base em provas. O tipo de cooperação e engajamento exibido na conferência entre o Estado e o público, com um tema predominantemente discutido a portas fechadas, oferece oportunidades para melhorar e democratizar a tomada de decisões sobre a política de segurança. Como o discurso se desenvolve, ele vai ser importante para aprofundar a totalidade das “tecnologias submarinas emergentes”, e concentrar-se não apenas sobre a tecnologia em si, mas também nos padrões de emprego, contramedidas e comportamentos estatais.

FONTE: British American Security Information Council / Tradução e adaptação do Poder Naval
 

Exército sírio assume controle de bairro rebelde de Aleppo

Farafira é uma área rebelde conquistada por rebeldes em 2012.

Bairros da cidade no norte da Síria são alvos de intensos bombardeios.


France Presse

O exército sírio assumiu nesta terça-feira (27) o controle do bairro Farafira, área rebelde próxima do centro de Aleppo, no norte do país, segundo relato de fonte militar feito à agência AFP. Especialistas trabalhavam para retirar as minas terrestres do bairro.


Os quase 250 mil habitantes dos bairros rebeldes de Aleppo não recebem ajuda externa há dois meses (Foto: Reuters)
Os quase 250 mil habitantes dos bairros rebeldes de Aleppo não recebem ajuda externa há dois meses (Foto: Reuters)

A fonte afirmou ainda que “vários terroristas” foram neutralizados durante a ação militar.


O regime utiliza o termo "terrorista" para designar todos os que pegaram em armas contra Damasco, sejam rebeldes ou extremistas.

O bairro de Farafira foi conquistado em 2012 pelos rebeldes, que na época haviam dominado metade da ex-capital econômica do país.

"Esta operação é parte das operações militares que foram anunciadas [na quinta-feira), que incluem um componente aéreo e outro terrestre com a utilização de artilharia", completou a fonte.

Desde o fim da trégua os bairros rebeldes de Aleppo são alvos de um intenso bombardeio da aviação do regime e da Rússia.

No início do mês, um cessar-fogo, organizado pelos Estados Unidos e pela Rússia, contribuiu para reduzir o número de mortes diárias no país. A iniciativa fracassou e desde sábado (17) o país vive uma intensificação da violência em várias regiões.

A Organização das Nações Unidas (ONU) afirmou no domingo (25) que pelo menos 139 pessoas morreram nos últimos dias devido aos ataques na parte leste de Aleppo.




26 setembro 2016

Erdogan : Armas americanas entregues aos curdos passam para o Daesh

Metade das armas que os EUA forneceram três dias atrás às forças de autodefesa curdas sírias acabou por passar para as mãos dos militantes do Daesh, disse o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan. 


Sputnik

"Três dias atrás, três aviões com armas americanas para as forças dos curdos sírios aterrissaram na cidade síria de Kobane. Metade destas armas passou para as mãos dos terroristas do Daesh. Nós avisámos disso Barack Obama, mas não conseguimos convencê-lo. Agora, infelizmente, eles jogam o mesmo jogo. Isso não levará a resultados concretos, mas apenas contribuirá para a continuação do derramamento de sangue na Síria", disse Erdogan discursando numa recepção em Nova York. Seu discurso foi citado pela agência Anadolu.


Presidente turco Reccep Tayyip Erdogan
Recep Tayyip Erdogan © REUTERS/ Murat Cetinmuhurdar/Presidential Palace


Segundo o líder turco, para Ancara é difícil compreender as razões pelas quais Washington apoia o Partido da União Democrática (PYD) e as forças de autodefesa dos curdos sírios, que a Turquia considera como grupos terroristas ligados ao Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK).

"Dizem-nos que estão lutando contra o Daesh. Será que a Frente al-Nusra não está lutando contra o Daesh? Então por que não a apoiam e a incluíram na lista dos [grupos] terroristas? Onde está a lógica? Por que não reconhecem como terroristas aqueles que o são considerados por Ancara?", declarou Erdogan. 


Há que lembrar que anteriormente os EUA abriram um centro de coordenação na cidade síria de Tel Abyad para preparar a liberação de Raqqa dos terroristas do Daesh.

Militares discutem revisão da Estratégia Nacional de Defesa

Alex Rodrigues | Agência Brasil

O comandante da Aeronáutica, brigadeiro Nivaldo Rossato, revelou hoje (22), que o Conselho Militar de Defesa está discutindo a atualização da Estratégia Nacional de Defesa. Sancionada em 2008 pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a estratégia foi elaborada pelos então ministros da Defesa, Nelson Jobim, e de Assuntos Estratégicos, Mangabeira Unger, com a colaboração de militares e especialistas. O planejamento tinha o objetivo de reestruturar as Forças Armadas, o complexo industrial de Defesa e o serviço militar, mas, segundo o brigadeiro, está sendo ajustado à nova realidade brasileira. 


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O Comandante da Aeronáutica, tenente-brigadeiro do Ar Nivaldo Luiz Rossato, diz que a criação das novas empresas favoreceria a Aeronáutica | José Cruz/Agência Brasil
 

“A nossa Estratégia Nacional ainda contém uma [previsão de] expansão das Forças Armadas. Era aquele sonho do Brasil muito grande e que não chegou a todo aquele dinheiro. Nossa realidade nunca foi a estabelecida à época. Por isso, ela [estratégia] hoje está muito mais sintética, voltada para os pontos centrais das partes operacionais ou táticas”, disse Rossato antes de participar da reunião do Conselho Militar de Defesa. O colegiado é presidido pelo ministro da Defesa, Raul Jungmann, e composto pelos comandantes da Marinha, do Exército, da Aeronáutica, e pelo Chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas.

De acordo com o comandante da Aeronáutica, o projeto de reestruturação administrativa e organizacional da Força Aérea Brasileira (FAB), apresentado a jornalistas esta manhã, não se choca com as linhas gerais do que vem sendo discutido pelo Conselho Militar de Defesa.

As propostas do Comando da Aeronáutica para os próximos 25 anos, quando a Força completa 100 anos, preveem mudanças como a concentração de unidades administrativas, a otimização de processos e a diminuição dos quadros militares efetivos, com parte das funções passando a ser desempenhadas por um maior número de militares temporários. “A Estratégia é muito mais ampla, não entra nesse detalhamento”, comparou.

De acordo com o brigadeiro, as modificações propostas pela própria Aeronáutica levaram em conta aspectos conjunturais, como os limites orçamentários com as despesas discricionárias, o que incluiu horas de voo. Em 2016, o montante destinado à Força Aérea representou cerca de 0,13% do Produto Interno Bruto (PIB), sem considerar pagamento de pessoal, segundo Rossato.


Vítimas da guerra, 1,5 milhão de crianças passam fome no Iêmen (vídeo)

Com o país à beira de uma epidemia de fome, médicos locais fazem o que podem para salvar crianças da morte.


BBC

A guerra no Iêmen está aproximando o país de uma possível epidemia de fome.


1,5 milhão de crianças passam fome no Iêmen (Foto: BBC)
1,5 milhão de crianças passam fome no Iêmen (Foto: BBC)

No ano passado, o governo do país foi derrubado por rebeldes.

Mais de 3,5 mil pessoas morreram no conflito.

A correspondente Nawal al-Maghafi, do serviço árabe da BBC, foi a uma área onde as grandes organizações de ajuda humanitária não podem operar devido à falta de segurança.

ATENÇÃO: Este vídeo (assista) contém imagens que podem ser consideradas perturbadoras desde seu início.
Ali ela encontrou a médica Ashwaq Muharram.

Há 20 anos na profissão, Ashwaq diz não ter presenciado nada parecido na história do país. 

"Eu tenho visto a mesma coisa que costumava ver na TV quando a fome tomou conta da Somália", diz ela. "Nunca pensei que um dia fosse ver isso no Iêmen", acrescentou. 

Por anos, Ashwaq trabalhou para organizações de ajuda internacional, mas a maioria delas deixou o país quando a guerra começou, em março de 2015 ─ e aquelas que ficaram, reduziram bastante suas atividades.

Agora ela tem distribuído remédios e comida com dinheiro de seu próprio bolso, usando seu carro como uma clínica móvel. 

Com o carro carregado de remédios, ela dirigiu com a BBC até Beit al-Faqih, 100km a sudeste de Hudaydah. 

Outrora próspera, a vila se sustentava com a venda de bananas e mangas ao exterior, mas as exportações cessaram e a maioria dos trabalhadores perdeu o emprego.

As frutas acabaram se tornando caras demais para qualquer pessoa que vive no Iêmen.

É nesse local que conhecemos uma mãe e seu filho, Adbulrahman. A criança tem intolerância à lactose e a doença vem afetando seu crescimento.

"Quantos anos ele tem?", pergunto. "18 meses", responde ela. "Ele já deveria estar andando e falando agora", lamenta. E, imediatamente, cai em lágrimas.

Abdulrahman precisa de um tipo especial de leite que não está disponível no Iêmen desde a destruição do porto de Hudaydah e o início do boicote.

Ashwaq diz à mãe que irá ajudá-la ─ antes de perceber que essa era uma promessa que talvez nem ela seria capaz de cumprir.

Ela sabe que o menino pode morrer sem o leite, mas também tem consciência de que será um desafio enorme encontrar o produto.

Drama pessoal

"Eu mesma já procurei por esse tipo de leite antes e realmente não há lugar que tenha", diz.

Sua própria família enfrentou problemas similares. Depois que a guerra começou, o marido ficou doente: contraiu uma infecção no coração e precisava urgentemente de remédio.

"Eu corri até o principal hospital cardíaco de Sanaa, mas como médica sabia o que eles estavam prestes a me dizer: que estavam sem estoque de remédio e que não poderiam fazer nada para ajudar", conta.

"Sou médica, meu marido estava morrendo na minha frente e não havia nada que pudesse fazer", acrescenta Ashwaq, em lágrimas.

O marido conseguiu ir embora para a Jordânia, levando os dois filhos do casal para viver em um local mais seguro. Eles já não vão mais para a escola.

"Os ricos agora são a classe média, a classe média é agora parte dos pobres e os pobres agora estão morrendo de fome", explica Ashwaq.

Mortos de fome

Viajando com ela, de uma vila para outra, a reportagem da BBC encontrou diariamente crianças morrendo de fome.

Ao mesmo tempo, está ficando mais difícil para que elas consigam tratamento no país. Boa parte dos hospitais do Iêmen teve de fechar, seja por causa das bombas ou pela falta de medicamentos.

A ala infantil do hospital central de Al Hudaydah está tão lotada que há duas ou três crianças em cada leito.

Ali a BBC conheceu Shuaib, 4 anos. O avô dele tomou emprestado dinheiro de vizinhos para ir ao hospital, em busca de tratamento para a febre e diarreia do menino.

Mas escutou dos médicos que não havia nada que eles pudessem fazer. "Nenhum dos antibióticos que temos aqui tratam o tipo de bactéria que ele tem", disse o administrador do hospital.

O corpo de Shuaib vai ficando mais frio a cada minuto, e seu avô aperta sua mão e chora.

Uma hora depois, Shuaib está morto. Seu avô chorava silenciosamente, cobrindo seu pequeno corpo com seu cachecol e o levando para a mãe do menino.

'Boas notícias'

No dia seguinte, Ashwaq finalmente recebe boas notícias. Um amigo havia conseguido uma forma, a um alto custo, de obter o leite que salvaria a vida de Abdulrahman.


Assistindo a todo esse desespero por duas semanas, é incrível poder ver pelo menos um final feliz. Abdulrahman pega a garrafa de leite e bebe até a última gota ─ enquanto sua mãe, chorando, só sabe agradecer.

"Você trouxe felicidade para a minha casa", diz ela à médica, abraçando-a. 

Por que uma ilha no Canadá está oferecendo terra e trabalho para quem quiser se mudar para lá.


Apesar de Ashwaq ter conseguido salvar a vida de uma criança, outras milhões estão passando fome no Iêmen. Especialistas acreditam que, se algo não for feito agora, o país pode perder uma geração inteira de pessoas.

Estado de sítio

O Iêmen está em estado de sítio. Dois anos atrás, rebeldes houthis e seus aliados ─ uma facção armada leal ao antigo presidente Ali Abdullah Saleh ─ tomaram o controle da maior parte do país, incluindo a capital Sanaa.


O então governo foi forçado a fugir. A Arábia Saudita diz que foi chamada a intervir a pedido da própria liderança local.


Por 18 meses, uma coalizão liderada pelo país, apoiada pelos Estados Unidos e pelo Reino Unido, luta contra os rebeldes. Uma guerra que não tem previsão para terminar.




22 setembro 2016

China e Rússia concluem exercícios navais Cooperação Marítima 2016

As Marinhas da China e da Rússia concluíram na segunda-feira (19) os exercícios militares conjuntos no mar do Sul da China. 


Sputnik

Falando na cerimónia de encerramento dos exercícios, o vice-comandante da Marinha da China, Wang Hai saudou os resultados do exercício, dizendo que as manobras militares atingiram os objetivos colocados, segundo a agência chinesa de notícias Xinhua.


Navio da Marinha chinesa Qiandaohu e fragata Yiyang
Navio da marinha chinesa Qiandaohu e fragata Yiyang © AFP 2016/ Adam Warzawa

Wang Hai declarou que, graças à Cooperação Marítima 2016, as Marinhas dos dois países desenvolveram capacidades de combate conjuntas e aumentaram o nível de informação e padronização de manobras conjuntas. Ele disse estar confiante de que a cooperação entre as forças navais dos dois países no futuro se alargará e de que seus contatos serão ainda mais próximos.

O vice-comandante da Marinha russa, Aleksandr Fedotenkov, observou por sua vez que as Marinhas dos dois países compartilharam experiências teóricas e práticas de combate e conseguiram estabelecer boa coordenação nos exercícios. Ele está convencido de que as Marinhas da Rússia e da China devem manter uma estreita cooperação para combater as novas ameaças no mar e, portanto, em conjunto salvaguardar a paz e a estabilidade na região e em todo o mundo.


Os exercícios Cooperação Marítima 2016 tiveram lugar de 13 a 19 de setembro no mar do Sul da China. Nas manobras estiveram envolvidos submarinos, navios de superfície, aviões, helicópteros, e veículos anfíbios blindados.


Um exército para chamar de meu

Por que a União Europeia quer criar forças armadas independentes da Otan e quais os possíveis desafios a serem enfrentados nessa nova empreitada.


Víktor Litôvkin, analista militar | Gazeta Russa

A União Europeia voltou a manifestar a ideia de criar seu próprio exército. Esta questão foi levantada pelo presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, em seu discurso anual diante do Parlamento Europeu no último dia 14 de setembro. 


Cerimônia dos 25 anos de adoção da bandeira europeia, em 2011 Foto:Reuters

Segundo ele, uma das opções para resolver o problema da segurança europeia após o Brexit (saída do Reino Unido da UE) será a profunda integração das forças armadas dos países-membros do bloco europeu.

A proposta de estabelecer um Exército europeu também recebeu apoio da chanceler alemã Angela Merkel, do presidente francês François Hollande, e de várias outras figuras políticas do chamado Velho Mundo.

UE X EUA?

Referências à “imprevisibilidade e agressividade” da Rússia ou ameaças terroristas reais não se aplicam aqui. Para o chamado “plano de contenção da Rússia”, já existe a Otan – que se mostra, porém, impotente em face dos ataques terroristas na Europa.

Mas o novo exército também não poderá se tornar uma panaceia para os males do terrorismo. A luta contra esses militantes não requer mais tropas, mas agências de aplicação da lei profissionais e uma ampla rede de agentes e estruturas antiterroristas.

Não se trata aqui de um exército com foguetes, tanques, bombardeiros e caças – não se luta contra terroristas com equipamento militar pesado.

Mas será que a Otan não é, de fato, suficiente para a Europa, mesmo que a aliança inclua a maioria dos países europeus e siga à regra o artigo 5 do Tratado de Washington, que pode ser expressa no lema “um por todos e todos por um”?

Talvez, a interferência de Washington nos assuntos dos europeus, e seu “messianismo” e impacto intrusivo sobre a política da UE – que muitas vezes resulta em perdas na economia (sanções contra a Rússia) e empurra o bloco para guerras desnecessárias e inúteis (Líbia, Iraque, Síria ou Afeganistão) – possam estar por trás dessa ideia de estabelecer “forças armadas europeias independentes”.

Peças da nova estrutura

A Europa não pode sustentar dois exércitos paralelos por várias razões.

Em primeiro lugar, diversos Estados europeus não têm pressa nem de alocar 2% de seu PIB para o orçamento geral de defesa da Otan, cuja maior fatia de investimento (75%) provém de Washington.

Paralelamente, os EUA entendem o significado oculto e duradouro das ideias políticas expressas por Juncker – isto é, reduzir a dependência da Europa em relação às decisões militares tomadas pela Casa Branca.

Em segundo lugar, também não há recursos humanos suficientes para o novo exército – os refugiados islâmicos do Oriente Médio e do Norte da África dificilmente poderiam ser incluídos nessas forças. Não é à toa que François Hollande chegou a sugerir que o Exército europeu seja criado no âmbito e com base na Otan.

Segundo ele, as forças armadas europeias devem ter certa autonomia. Mas, em um exército, que se baseia na unidade de comando e obediência incondicional ao comandante ou chefe, não pode haver, por princípio, quaisquer estruturas independentes. Caso contrário, não se trata de um exército, mas de uma fazenda coletiva mal administrada.

Além disso, é improvável que a Aliança do Atlântico Norte esteja interessada em um exército paralelo e autônomo – mesmo porque sua estrutura não é assim. Na Otan, existem comandos para diferentes cenários e regiões de guerra.

Para missões de combate específicas, são criadas formações especiais, com alocação de unidades de forças armadas nacionais dos países-membros. Alguns fornecem tripulações para tanques, outros, operadores de mísseis, sinaleiros, enfermeiros e assim por diante. Não se sabe sobre quais pilares o novo exército seria criado.

Ao que tudo indica, a discussão sobre um Exército europeu e sua sede conjunta é mais uma tentativa de criar uma nova estrutura burocrática para que os delegados europeus possam continuar vivendo em conforto, produzindo papeladas e declarações públicas, como já fazem na UE e na Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa (APCE).

Mas, se mesmo assim um Exército europeu for criado, como a Rússia irá reagir? Os russos trabalharão com ele nos moldes da relação com a Otan. Vamos esperar apenas que o relacionamento comece sem ressentimentos e de forma amigável.

Víktor Litôvkin é especialista militar da agência de notícias TASS